Cartas Mensais

Carta MCC Brasil – Novembro 2017 - 219ª.

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não teria morrido! Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá. Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá. Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto?” "Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão

(Jo 11, 21-26)

Aos irmãos e irmãs, discípulos-missionários de uma “Igreja em saída”, minhas fraternas saudações.

 No dia 2 de novembro, dia em que a Igreja faz memória dos Fieis Defuntos, um cristão católico não pode deixar de refletir sobre a virtude da esperança e, principalmente, sobre como ela pode, efetivamente, fortalecer sua caminhada rumo ao Reino definitivo. Essa é, pois, a proposta da presente Carta mensal – proposta aliás, sempre renovada a cada ano no transcurso dessa comemoração.

E por quê? Sem dúvida, porque somos motivados pela esperança a acreditar que, a despeito de circunstâncias históricas quase que inteiramente desfavoráveis, a realidade social, econômica, politica e, até religosa, possa, amanhã ou depois, mostrar-se mais justa, mais tranquila, mais equilibrada, enfim, mais humana.

Mas, e na ótica da fé, como viver, como alimentar essa tal virtude chamada esperança? E, mais: como irradiar a luz da esperança ao nosso redor? Mais ainda: a memória dos nossos mortos é apenas uma lembrança de ausência e umas lágrimas de saudade de tantos que já se foram – lágrimas essas que, no mais das vezes, acabam secando logo após a missa de sétimo por eles celebrada, ou com o depósito de uma flor que logo murchará sobre a fria laje de seus túmulos? Ou é a possibilidade de abrir nossos tão limitados horizontes transitórios com a esperança de um abraço de carinho e de amor eterno, com a esperança de uma inexplicável ressurreição?

Aqui me detenho, pois estava neste ponto quando, providencialmente, tomo conhecimento da catequese do Papa Francisco, por ele proclamada em 18 de outubro último, na Praça de São Pedro: uma catequese precisamente sobre esperança e ressurreição.

Então, pergunto, o que há de mais oportuno do que escutar o nosso admiravel Pastor? Assim sendo, tomo a liberdade de aqui transcrever alguns pontos marcantes por ele enfatizados.

1. O medo da morte no mundo atual. “Hoje gostaria de colocar em confronto a esperança cristã com a realidade da morte, uma realidade que a nossa civilização moderna tende sempre mais a pôr de lado. Assim, quando a morte chega, para quem está próximo a nós ou para nós mesmos, nos encontramos despreparados, privados também de um “alfabeto” adaptado e apto para esboçar palavras de sentido em torno de seu mistério, que ainda permanece. Já os primeiros sinais de civilização humana transitaram através desse enigma. Poderíamos dizer que o homem nasceu com o culto dos mortos.”

2. Jesus ilumina o mistério da morte. “Jesus iluminou o mistério da nossa morte. Com o seu comportamento, autoriza-nos a nos sentir tristes quando uma pessoa querida se vai. Ele ficou “profundamente” triste diante do túmulo do amigo Lázaro e “chorou” (Jo 11, 35). Nessa sua atitude, sentimos Jesus muito próximo, nosso irmão. Ele chorou pelo seu amigo Lázaro”. Mais adiante: “Jesus nos coloca sobre esse “cume” da fé. A Marta, que chora pela morte do irmão Lázaro, se coloca a luz de um dogma: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto?” (Jo 11, 25-26). É aquilo que Jesus repete a cada um de nós, toda vez que a morte vem arrancar o tecido da vida e dos afetos. Toda a nossa existência se joga aqui, entre a vertente da fé e o precipício do medo. Diz Jesus: “Eu não sou a morte, eu sou a ressurreição e a vida, acreditas nisso? Acreditas nisso?”. Nós, que hoje estamos aqui na Praça, acreditamos nisso?

            a) Jesus chora diante do túmulo de Lázaro. “E então Jesus reza ao Pai, fonte da vida, e ordena a Lázaro que saia do sepulcro. E assim acontece. A esperança cristã se apoia nessa atitude que Jesus assume contra a morte humana: se ela está presente na criação, ela é, porém, uma marca que deturpa o desígnio de amor de Deus, e o Salvador quer curar”.

            b) Jesus toma pela mão a filha de Jairo. “Outro momento do Evangelho fala de um pai que tem a filha muito doente e se dirige com fé a Jesus para que a salve (cf. Mc 5, 21-24. 35-43). E não há figura mais comovente que aquela de um pai ou de uma mãe com um filho doente. E logo Jesus caminha com aquele homem, que se chamava Jairo. A certo ponto, chega alguém da casa de Jairo e lhe diz que a criança morreu e não há mais necessidade de chamar o Mestre. Mas Jesus diz a Jairo: “Não temas, somente tenha fé” (Mc 5, 36). Jesus sabe que aquele homem é tentado a reagir com raiva e desespero, porque morrera a criança e lhe recomenda preservar a pequena chama que fora acesa em seu coração: a fé. “Não temas, somente tenha fé”. “Não tenha medo, continue somente a ter acesa aquela chama!” E, depois, chegado à casa, despertará a menina da morte e a restituirá viva aos seus queridos”.

 

3. Convite para pensar no momento de nossa morte. “Assim a morte coloca nua a nossa vida. Faz-nos descobrir que os nossos atos de orgulho, de ira e de ódio eram vaidade: pura vaidade. Nós nos damos conta com tristeza de não ter amado o suficiente e de não ter procurado aquilo que era essencial. E, ao contrário, vemos aquilo que de verdadeiramente bom deixamos de lado: os afetos pelos quais nos sacrificamos e que agora nos seguram pela mão”.

Somos todos pequenos e indefesos diante do mistério da morte. Porém, que graça se naquele momento preservamos no coração a pequena chama da fé! Jesus nos tomará pela mão, como tomou pela mão a filha de Jairo, e repetirá ainda uma vez: “Talità kum”, “Menina, levanta-te!” (Mc 5, 41). Dirá isso a nós, a cada um de nós: “Levanta-te, ressurja”. Eu te convido, agora, a fechar os olhos e a pensar naquele momento: da nossa morte. Cada um de nós pense na própria morte e imagine aquele momento que chegará, quando Jesus nos tomará pela mão e nos dirá: “Venha, venha comigo, levanta-te”. Ali terminará a esperança e será a realidade, a realidade da vida”.

4. Reafirmação da nossa fé na Palavra de Jesus e no nosso encontro com Ele. “Pensem bem: o próprio Jesus virá a cada um de nós e nos tomará pela mão, com a sua ternura, a sua mansidão, o seu amor. E cada um repita no seu coração a palavra de Jesus: “Levante-se, venha, Levante-se, venha. Levante-se, ressurja!”.

5. “Esta é a nossa ESPERANÇA!” “Esta é nossa esperança diante da morte. Para quem crê, é uma porta que se abre completamente; para quem duvida é um pequeno raio de luz que se filtra pelo vão de uma porta que não se fechou de todo. Para todos nós, porém, será uma graça quando nos iluminar essa luz do encontro com Jesus”.

 

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Depois de transcrever as providenciais palavras do papa Francisco, termino com a sugestão de que, durante todo o mês de novembro, se reflita sobre a Palavra de Deus expressa sobretudo em Mt 22,23; Jo 11,25; Jo 5,21; Jo 6,40; 1Cor 15,42 ss; 1Pd 3,15. Por fim, e não poderia ser diferente: “Vi então um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a cidade santa, a nova Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, vestida como noiva enfeitada para o seu esposo. Então, ouvi uma voz forte que saía do trono e dizia: ‘Esta é a morada de Deus-com-os-homens. E vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus será o seu Deus. Ele enxugará toda lágrima de seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque coisas anteriores passaram”. Aquele que está sentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas.”Depois, ele me disse: “Escreve, pois estas palavras são dignas de fé e verdadeiras” (Ap 21, 1-4).

Deixando a todos meu carinho e meu abraço, termino pedindo a Nossa Senhora da Esperança que rogue por nós!

Pe. José Gilberto BERALDO
Equipe Sacerdotal do GEN MCC Brasil
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