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Abusos Regensburg. Pe. Zollner: Igreja esclareceu realidade dolorosa

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A diocese alemã encarregou a investigação ao advogado Weber. Os fatos tratadosà luz do sol e sem medo da verdade

(ZENIT -Roma, 20 Jul. 2017).- O advogado Ulrich Weber apresentou nesta quarta-feira à imprensa, os resultados do relatório sobre os casos de abusos perpetrados contra estudantes, durante décadas, na escola do Coral da Catedral de Regensburg, frequentada por pequenos cantores.

O presidente do Centro para a proteção de menores da Pontifícia Universidade Gregoriana, Pe. Hans Zollner, teólogo e psicólogo jesuíta alemão, natural de Regensburg, expressa satisfação sobre como foi tratado este escândalo hoje, à luz do sol e sem medo da verdade, em uma entrevista a Radio Vaticano.

Weber foi encarregado pela diocese alemã de esclarecer o escândalo de abusos cometidos desde 1945 ao início dos anos 90 e a investigação identificou 49 pessoas responsáveis por maus-tratos corporais, das quais 9 teriam cometido abusos sexuais: sacerdotes e professores.

Nos 45 anos da investigação, foram identificadas 67 jovens que sofreram abuso sexual, que somadas as que contaram ter sofrido violências físicas e psicológicas chegam a 547 vítimas.

As primeiras denúncias públicas começaram a ser feitas em 2010, muito tempo depois dos delitos para que os culpados possam ser hoje levados à justiça. Os crimes teriam de fato caducado. Mas permanece a dor das crianças de então, que hoje adultas descreveram a escola como “uma prisão, um inferno, um campo de concentração” e falaram dos anos transcorridos naquela estrutura “como os piores de suas vidas, marcados pelo medo, violência e falta de ajuda”. Para cada uma delas a diocese estabeleceu uma indenização de 20 mil euros.

O relatório chama em causa o Mons. Georg Ratzinger, irmão de Bento XVI, diretor do Coral durante 30 anos, e o Cardeal Gerhard Ludwig Müller, Bispo de Regensburg em 2010. O primeiro não teria dado atenção aos sinais de perigo de abusos e o segundo não teria reagido com decisão ao escândalo.

Padre Zoller indicou que “foi o desejo do bispo da cidade de Regensburg, minha cidade natal, que deu a tarefa a um advogado ao qual ofereceu todas as possibilidades não somente de consultar os arquivos, mas também de contatar as vítimas e falar com outras pessoas envolvidas. Portanto, foi a coragem do bispo que iluminou uma escuridão muito profunda.” E indicou que “o advogado trabalhou grande rigor e seriedade de independência”.

“O advogado Weber aponta o dedo também para as responsabilidades dos pais que não deram a atenção justa e importância às histórias dos filhos e aponta também o dedo contra as autoridades do Estado que foram superficiais nas inspeções escolares, não tutelando a infância”, indica.

Reconheceu que “naquela época provavelmente algumas dessas pessoas consideravam um fato normal que se batesse nas crianças, embora esse não fosse o costume desde o fim dos anos 60 e início dos anos 70”.

“Esse é -concluiu padre Zoller- um passo muito importante também para a conscientização de toda a sociedade e todas as instituições seja da Igreja seja fora da Igreja, pois numa instituição é possível fazer muitas coisas para prevenir o abuso”.

Fonte: ZENIT