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Pe. Antonio Rivero L.C.: “A lógica de Deus é a misericórdia”

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COMENTÁRIO À LITURGIA DOMINICAL

 

Ciclo A

Textos: Isaias 55, 6-9; Filipenses 1, 20-24.27; Mateus 20, 1-16

Pe. Antonio Rivero L. C., Doutor em Teologia Espiritual, professor no Noviciado da Legião de Cristo em Monterrey (México) e Assistente no apostolado Logos.

Ideia principal: A lógica de Deus não é a nossa lógica. A lógica de Deus é a misericórdia. A lógica humana é “ à tanto a hora”.

Resumo da mensagem: A salvação não será dada ao homem em conceito de contrato bilateral, de justiça legal, mas de misericórdia e amor de Deus. Que, para méritos, pois ai estão os de Jesus Cristo. É claro, o homem tem que colaborar.

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, os legalistas e fariseus hoje gritam a Deus: “é injusto! Nós merecemos mais do que os que trabalharam menos horas…com gente como tu somos incitados à luta de classes, à expansão universal do marxismo socialista e comunista e a arrebentar o odre que, como o odre do mítico Éolo no Tirreno, contem os ventos de todas as tempestades sociais e politicas”. Jogam na sua cara que foi justo na justiça comutativa e legal, mas não na distributiva nem na social. “Proceder assim, Deus, é o melhor para provocar o pior”. A parábola era para os judeus, que como o povo eleito de Deus pareciam os “ titulares” da promessa, enquanto que outros não judeus, os pagãos, que podemos considerar como os “suplentes”, não deveriam ter direito a receber a mesma recompensa que eles. Mas também a nós se pode aplicar a mesma lição. Os sacerdotes, religiosos e gente comprometida com a pastoral diocesana ou paroquial podemos ter a tentação de pensar que somos mais acreditados do premio que os leigos de a pé.

Em segundo lugar, Cristo também grita hoje aos legalistas e fariseus: “Por que tendes inveja porque eu sou bom, inclusive com aqueles que vós pensais que não merecem?”. Jesus nos dá, não uma lição de justiça salarial- o dono da vinha paga todos o justo- mas uma lição da generosidade que Deus tem, que admite como jornaleiros que se apresentam somente na última hora, sem dar uma excessiva importância a este atraso, e logo paga os últimos mais do que lhes competiria de acordo o rigor. Deus não premia só conforme aos nossos méritos, senhores legalistas, mas segundo a sua bondade. A salvação de Deus é sempre gratuita. Este evangelho não é um evangelho social, porque nem a é a notícia de um conflito laboral nem a negativa a uma reivindicação salarial nem a denuncia ou a defesa de uma arbitrariedade patronal, mas um tratado de soteriologia, ou economia da salvação, em forma de parábola: “Deus salva os homens não tanto pela justiça (você fez tanto, merece tanto), mas da misericórdia (que é amor)”. Que tenta se salvar é o homem, mas quem efetivamente salva é Deus. Se não fosse assim, as relações do homem com Deus seriam mercantis: se salva só quem cumpre.

Finalmente, e nós, o que gritamos hoje a Cristo? “Senhor, dai-nos um coração como o vosso para que aprendamos a ser bondosos de coração na nossa relação com os demais”. A questão é se temos bom coração ou não. Somos às vezes “mão de vaca”, de coração mesquinho, calculadores na nossa relação com Deus e com os irmãos. Acostumamos levar uma contabilidade das horas que trabalhamos para Deus, como seguindo as pautas do contrato laboral, e depois pedimos contas a Deus e pensamos que temos o direito ao prêmio ou ao pagamento. Não projetemos sobre Deus os nossos cálculos e as nossas medidas. Ao contrario, aprendamos Dele a ser misericordiosos e generosos com aqueles que não merecem, segundo a nossa opinião. Ah, se Deus levasse a contabilidade das nossas faltas, não pensaríamos assim como esses legalistas do evangelho.

Para refletir: Somos propensos aos ciúmes e à inveja? Estamos dispostos a louvar os bons resultados dos outros, a alegrar-nos com as qualidades que outros têm? Somos cristãos de salário, ou trabalhamos só tratando de alegrar a Deus? Consideramos a salvação como um contrato bilateral, de justiça legal, ou como graça?

Para rezar: Senhor, que compreenda a vossa lógica divina, que é a da misericórdia. Tira de meu peito o coração de pedra e justiceiro, e dai-me um coração aberto a vossa lógica para que possa me alegrar pelo bem que concedes a meus irmãos, inclusive a aqueles que segundo eu não o merecem. E ajudai-me a trabalhar na vossa vinha com amor e por amor, e não por interesse mercantil, só para Vos alegrar, e isso me basta.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:

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Fonte: ZENIT