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Claretianos mártires da Guerra Civil serão beatificados na Espanha

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Cidade do Vaticano (RV) – A perseguição religiosa na Espanha no século passado deixou atrás de si um rastro de milhares de vítimas indefesas e inocentes.

Ao mesmo tempo, fez emergir a coragem de milhares de mártires, homens e mulheres, cujo sangue tornou-se seiva vital para o dinamismo da Igreja espanhola hoje.

Entre estes mártires, os 109 claretianos que reagiram às perseguições com a eficaz arma da caridade e do perdão. Àqueles que queriam aniquilar a presença cristã na Espanha, os mártires responderam perdoando, rezando e dizendo a alta voz: “Não temos medo!”.

Eles serão beatificados no próximo sábado, 21 de outubro, na Igreja da Sagrada Família em Barcelona.

A Rádio Vaticano perguntou ao Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, qual o significado de seus sacrifícios:

“O sacrifício de suas vidas é a semente de um novo cristianismo, mais forte, mais consciente da verdade do Evangelho, que ensina a amar os amigos e também os inimigos, porque a única vingança do cristão é o perdão dos inimigos”.

RV: Por que a Igreja celebra os mártires?

“A Igreja celebra os mártires, não por vingança, mas para repropor hoje, como ontem e como amanhã, a eterna lei cristã da caridade sem limites. O cristianismo propõe uma cultura de paz e de fraternidade e não de guerra e de divisão. O cristianismo não produz as flores do mal, mas as flores do bem”.

RV: O que dizer, em particular, destes mártires claretianos?

“Trata-se de 109 testemunhas heroicas do Evangelho, mortos entre 1936 e 1937 em várias cidades espanholas: Barcelona, Sabadeli, Vic, Cervera, Valencia, Santander. O líder é Padre Mateo Casals Mas, que pertencia à comunidade de Sabadeli, próxima à Barcelona. Os Padres estavam sempre disponíveis a ajudar os necessitados e sempre prontos para administrar a Palavra de Deus e os Sacramentos, segundo o exemplo e o carisma do Fundador, Santo Antônio Maria Claret. Eram, portanto, conhecidos e bem quistos pelo povo, pela sua simplicidade, amabilidade, generosidade e disponibilidade!.

RV: Como ocorreu o martírio?

“Em julho de 1936, quando começou a revolução, o instituto e a igreja foram incendiados e os missionários abrigaram-se em casas de conhecidos. Mas isto não foi o suficiente para salvá-los. Padre Mateo Casals Mas foi preso, aprisionado e fuzilado no amanhecer da 5 de setembro de 1936. A única culpa que tinha era a de ser sacerdote católico. No caminho que o levou à execução, diversas vezes repetiu em alta voz: “Viva Cristo Rei! Viva o Sagrado Coração de Jesus!”. Os outros confrades mártires foram mortos da mesma forma”.

RV: O que dizer diante desta moderna tragédia dos inocentes?

“Os mártires claretianos tinham consciência da eventualidade das perseguições e da morte, pelas próprias palavras de Jesus: “Bem aventurados quando vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, dirão toda espécie de mal contra vós, por causa de mim”; “Quem não toma a sua Cruz e não me segue, não é digno de mim. (...) Quem perdeu a sua vida por minha causa, a encontrará”. E não tiveram medo. Estavam prontos também ao sacrifício supremo para gritar ao mundo, mais uma vez, que o bem vence o mal, que o homem – como disse o poeta Dante – foi criado “não para viver como brutos, mas para seguir virtude e conhecimento”. (PM/JE)

Fonte: Rádio Vaticano