Estatuto Social

Há 30 anos de seu martírio, Vicente Cañas terá justiça?

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Cidade do Vaticano (RV) – Depois de 30 anos do assassinato do irmão Vicente Cañas, um júri popular deve fazer finalmente justiça ao irmão jesuíta morto aos 48 anos de idade, defendendo a vida e o território dos índios Enawenê Nawê da ganância de fazendeiros que queriam avançar sobre a terra dos nativos.

Segundo o laudo médico-legal, ele foi morto a golpes de porrete e de uma peixeira.

A morte só foi descoberta porque a ausência de contatos por rádio chamou a atenção dos companheiros de missão. Seu corpo foi encontrado mumificado, em maio de 1987, 40 dias depois do último contato, junto ao barraco de apoio que havia construído próximo ao Rio Juruena, a 60 km da aldeia.

O delegado de polícia aposentado Ronaldo Antônio Osmar, único acusado que ainda vive, será levado a julgamento em mais um capítulo dessa história que se arrasta há anos.  

Vicente deu a sua vida pelos Enawenê Nawê, encarnando aquela Igreja que procura ser “companheira de caminho” (DAp 396) dos índios e “casa dos pobres” (DAp 8, 524), segundo a proposta do “Documento de Aparecida” (2007).

Nascido em Alborea, Espanha, em 1939, ele entrou no Noviciado São Pedro Claver da Companhia de Jesus aos 21 anos, no dia 21 de abril de 1961. Em 1966 chegou ao Brasil, em 1969 teve seu primeiro contato com os povos indígenas, e a partir daí, salvando a vida destes seus amigos, a sua também mudou.

Pe. Paulo Suess, doutor em Teologia Fundamental e  assessor teológico do Conselho Indigenista Missionário - Cimi - e professor no ciclo de Pós-Graduação em Missiologia, no Instituto Teológico de São Paulo – ITESP. É o autor do livro “Provocar rupturas, construir o Reino. Vicente Cañas SJ: Fragmentos de seu martírio”.

Entrevistado pela RV, ele começa explicando precisamente como se deu a conversão de Vicente, narrando o seu batismo de fogo e sangue, por ocasião de uma expedição da Funai aos índios chamados ‘Beiço de Pau’  que habitavam entre os rios do Sangue e Arinos, no norte de Mato Grosso.

Esse grupo indígena, que contava com mais de 600 índios, ficou reduzido a 41 devido a uma gripe transmitida pela equipe da Funai. O Padre Antonio Iasi, da Missão Anchieta, que havia iniciado os primeiros contatos com os Beiço de Pau, foi chamado às pressas para salvar o restante daquele povo. Iasi convidou Vicente para ajudá-lo a cuidar da saúde dos sobreviventes. E meses depois, em abril de 1970, ele estava convertido. “Missão não é salvar almas, mas salvar vidas”.

Depois de sua morte, Kiwxi, como era chamado pelos Enawenê, passou a fazer parte das histórias, ou mitos, deste povo. Os indígenas falam do missionário como se ele fosse um seu integrante nato. Para conhecer quem foi o Irmão Vicente, assista o vídeo produzido pelo CIMI, Conselho Inddigenista Missionário.

Fonte: Rádio Vaticano