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"Em teus olhos está minha palavra": textos de Bergoglio, de 1999 a 2013

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Cidade do Vaticano (RV) - “Em teus olhos está minha palavra”: esse, o título do volume, realizado pelo diretor da revista jesuíta “La Civiltà Cattolica”, Pe. Antonio Spadaro, que reúne as homilias e os discursos do Arcebispo Jorge Mario Bergoglio, pronunciados em Buenos Aires no período de 1999 a 2013, ou seja, até sua eleição à Cátedra de Pedro.

Apresentado esta quinta-feira (10/11) em Roma, na Cúria Generalícia da Companhia de Jesus, o livro evidencia a atenção particular do Papa Francisco, no passado como hoje, à relação com os fiéis, particularmente manifestada através das homilias, um modo de comunicar com o povo ao qual o Santo Padre sempre deu grande importância.

“Entre o pregador e o povo não deve haver nada no meio. Não pode haver uma folha de papel. Se se lê, não pode olhar as pessoas nos olhos.” Essa é uma das passagens do colóquio entre o Papa Francisco e o Pe. Spadaro, no prefácio do livro. Uma confirmação da predileção do Pontífice por um contato humano direto.

“Muitas vezes saio do texto escrito, acrescentando palavras e expressões que não estão escritas. Desse modo, olho para as pessoas – diz Francisco. Tenho essa grande necessidade.”

Depois, conta as várias fases de preparação de uma homilia, um momento – sobretudo para as homilias da missa da manhã na Casa Santa Marta – que tem início no dia precedente, lendo os textos bíblicos.

Ao longo do dia as ideias fermentam, depois, “faço aquilo que diz Santo Inácio: durmo com essas ideias. E, quando acordo, vem a inspiração. Falar sem folha não significa não preparar-se, pelo contrário”.

Ler Dostoevskij ajudou-me muito na pregação – continua Francisco. Ler livros e poesias ajuda muito. Portanto, a homilia como momento importante da relação com as pessoas, porque – ressalta o Pontífice – “a homilia é o anúncio”, diferentemente da conferência que é, ao invés, propor-se como doutor”.

Segundo o Papa Bergoglio, é importante não distanciar-se das pessoas e de seus problemas, daí, a importância também da confissão. “O confessionário não é uma lavanderia, nem uma sala de tortura. Quanto mais nos distanciamos das pessoas, mais nos refugiamos numa teologia do ‘se deve e não se deve’, que não comunica nada, é vazia e abstrata. O amor verdadeiro não é rígido.”

Mas quanto há, no Papa Francisco, do Arcebispo Bergoglio? Quem nos responde é o secretário de Estado vaticano, Cardeal Pietro Parolin, em sua fala na apresentação do volume:

“Fiquei impressionado porque na sua essência encontra-se plenamente o Papa Bergoglio, porque os temas que ele está desenvolvendo e propondo à Igreja já estavam presentes no período de seu episcopado em Buenos aires. Naturalmente, agora são articulados a nível da universalidade da Igreja, porém, efetivamente, de certo modo tudo já se encontra ali.”

O título “Em teus olhos está minha palavra” reflete a preferência do Papa Francisco de falar com os fiéis sem um texto pré-definido. Eis o que disse o realizador desse volume, Pe. Spadaro, sobre a escolha deste título:

“Obviamente, o Papa Francisco usa pedaços de papel nos quais faz anotações, textos. Porém, olhando para ele – vejo-o sempre nas viagens ao exterior –, ele precisa sempre olhar para alguém, ver as pessoas: não basta ler um texto, é preciso ter um contanto direto; e daí se torna também criativos, mais expressivos. Como sabemos, o Papa Francisco habitualmente sai do texto preparado para dirigir uma palavra que naquele momento brota de seu pensamento, em seu coração.” (RL)

Fonte: Rádio Vaticano