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Filipinas: Atentados anti-católicos, bispos pedem mais segurança

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Manila (RV) - Volta o medo entre a comunidade católica de Mindanao, ilha de maioria muçulmana no sul das Filipinas. Há temores de novos ataques terroristas após o atentado do último domingo contra uma igreja, provavelmente realizado pelo novo grupo fundamentalista "Maute", este ligado ao Estado Islâmico.

Os bispos pediram ao presidente Duterte para garantir a segurança dos fiéis, caso contrário as missas poderão ser suspensas. O Padre Giovanni Re, missionário do PIME nas Filipinas, convedeu entrevista à Rádio Vaticano sobre a situação do conflito.

Padre: O que aconteceu em frente àquela igreja foi um caso particular em Mindanao por estar em uma zona de conflito. Poucos dias depois deste atentado foi encontrada uma bomba em frente à embaixada nos Estados Unidos; e depois, em uma outra ocasião, houve outro ataque contra um comboio militar. Todos estes acontecimentos estão interligados ao conflito entre o governo e as forças muçulmanas, com as quais estão tentando dialogar há algum tempo. Mas esses grupos muçulmanos aparentemente estariam relacionados ao IS e portanto não são controlados pelos dois maiores grupos muçulmanos, com os quais o governo está tentando diálogo para a paz".

RV. - A luta contra o fundamentalismo pode ser um terreno comum entre a Igreja e Duterte?

R. – A igreja tem se mostrado aberta em favor do diálogo; e na verdade, existem iniciativas de diálogo inter-religioso entre cristãos e muçulmanos. O problema é que do outro lado o diálogo é interpretado como algo que não deve ser feito, porque o que eles dizem é que eles querem um Estado islâmico independente.

D. – Você acha, então, que há também uma matriz religiosa por trás dos ataques?

R. - É sempre difícil falar de um movimento completamente e somente religioso. Certamente, há também uma parte deste fundamentalismo religioso, mas também muitas outras coisas. Estamos falando de dezenas e dezenas de anos... São mais de 50 anos de conflitos entre os grupos muçulmanos, cristãos e o governo filipino. Parece um pouco simplista dizer que é apenas uma questão religiosa: há muitos outros fatores envolvidos.

D. – Basicamente, qual o clima predominante até mesmo na comunidade católica?

R. – Atualmente alguns temem mais que outros, mesmo para o novo governo e para o presidente, que às vezes durante entrevistas - e isso também é devido um pouco ao seu caráter – tem algumas saídas muito precisas e também um pouco ameaçadoras, como aconteceu recentemente ameaçando aqueles que estão comprometidos com os direitos humanos ... Mas este novo governo prometeu que vai tentar de todas as maneiras finalizar estes acordos, porque conforme as palavras do novo presidente, ele não quer que haja guerra, mas sim paz, também através do diálogo.

D. - Na sua opinião, é possível um acordo de paz definitivo e duradouro entre as partes?

R. – Dizemos que tudo é possível. Eu não sou muito otimista, mesmo estando aqui há alguns anos: Eu vi várias tentativas e negociações de paz com os diferentes grupos e quando parece que finalmente estão chegando a um acordo com um grupo, de repente, surge um outro grupo para seguir a luta contra o governo e contra os demais grupos...

(LV)

Fonte: Rádio Vaticano