Estatuto Social

Universidade Gregoriana realiza primeira conferência hinduísta-cristã

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Cidade do Vaticano (RV) -  Um novo início que direciona para uma nova série de possibilidades no campo do diálogo, abrindo novas iniciativas e medidas futuras: Assim o Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Cardeal presidente Jean-Louis Tauran, definiu a primeira Conferência hinduísta-cristã organizada na Itália pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

O Centro de Estudos Inter-religiosos do Ateneu pontifício estava entre os promotores do evento, juntamente com o Escritório Nacional para o Ecumenismo e Diálogo da Conferência Episcopal Italiana, a União Hinduísta italiana, o Movimento dos Focolares e a seção italiana de Religiões para a Paz. "O evento ocorreu em um espírito de amizade, reconhecendo que mutuamente precisamos uns dos outros, tendo em vista a construção de uma coexistência harmoniosa entre os povos de todas as fés", afirmou Tauran.

Na abertura do encontro, o Cardeal afirmou estar convencido de que todo o diálogo inter-religioso ilumina os valores compartilhados. E, nesse sentido, ele fez alusão a suas experiências de diálogo com os hinduístas. O primeiro - disse ele - eu vivi em Mumbai, Índia, em junho de 2009. Falamos sobre a necessidade de os responsáveis ​​por ambas as comunidades religiosas promoverem o diálogo e a cooperação para contribuir com o bem-estar do povo indiano, além da construção da paz na sociedade. Desde então, tenho tido a oportunidade de interagir com os amigos hinduístas em outros países. Em 2011, o nosso Pontifício Conselho organizou uma reunião com duração de três dias em Pune e eu participei, bem como as reuniões organizadas pelo nosso departamento em Londres em 2013 e em Washington em 2015. Estas foram oportunidades de aprendizagem mútua e de enriquecimento espiritual. Porque, concluiu, nós, que professamos diferentes religiões sentimos a necessidade de crescer sempre mais no respeito, na compreensão, na estimativa de vida e da fé do outro, e isso contribui para a harmonia e o desenvolvimento global da sociedade. Essas trocas maravilhosas também nos ajudam a aprofundar a nossa fé. Na verdade cada troca autêntica da vida e da fé como esta, enriquece nosso modo de ser e de viver.

Mais tarde, durante a sessão dedicada ao tema “Promoção da paz em um mundo globalizado: desafios, oportunidades e esperança” a perspectiva sobre política, foi dirigida pelo Arcebispo Paul Richard Gallagher, Secretário para as Relações com os Estados. O prelado pediu para que não tenhamos medo de sujar as mãos com a política, que não é de todo mau, especialmente se levarmos em conta que ela serve a realização do bem comum. Da mesma forma, é sempre aconselhável que os políticos lembrem-se de sua alta vocação, e que sejam incentivados a seguir e trabalhar da maneira certa. Isto - comentou ele - é o ponto de intersecção entre religião e política. A religião e os valores religiosos tem um papel profético no sentido de incentivar a política e os políticos sempre com bom aspecto. Portanto, precisamos distinguir a política ruim da boa política. Neste contexto - disse ele – os valores éticos das nossas tradições cristãs e hindus são necessárias e essenciais para fazer esta distinção.

Por fim, o Secretário destacou que no mundo globalizado o principal instrumento de construção da paz é a diplomacia. Mas – ainda advertiu – uma boa diplomacia requer uma boa política, pois a diplomacia, quando exercida sem escrúpulos para obter vantagens indevidas e concessões, pode ser simplesmente uma forma alternativa de guerra ou até mesmo ser usada para fomentar a guerra. Em resumo, de acordo com o prelado, o modelo de referência deve ser “St. Tommaso Moro” e não “O Príncipe de Maquiavel”. (LV)

Fonte: Rádio Vaticano