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Dia dos Fiéis Defuntos: “Velas são símbolos de uma oração contínua diante de Deus”

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No Dia de Finados, 2 de novembro, dezenas de famílias lotam os cemitérios para visitar os jazigos de seus entes queridos e acender velas em sua homenagem.

O costume faz com que as fábricas de velas tripliquem suas produções, sendo que as vendas atingem seu pico no mês de outubro, época em que a procura pelo artefato começa a aumentar.

De acordo com Gabriele da Silva Azevedo Gurgel, secretária da “Fábrica de Velas Pedras Vivas”, localizada em Brazlândia (DF), no período normal, o estabelecimento vende cerca de 50 caixas de velas por dia; com o Dia de Finados, o número salta para 200 caixas. Segundo ela, nesse período os funcionários também aumentam suas horas de trabalho para dar conta da demanda. Ela explica ainda que as velas mais procuradas para a ocasião são as comuns, chamadas de “palito” e as “duplex”. “Costumamos falar que o Dia de Finados é como o Natal para a gente, em questão de vendas”, afirma Gabriele.

O costume de acender velas para os fiéis defuntos, segundo a Igreja Católica faz parte do culto da humanidade e revela um ato de homenagem aos entes queridos. Para o assessor da Comissão para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), frei Faustino Paludo, a iniciativa representa a relação com a fé em Cristo e, o gesto, quando feito por um familiar significa que o ente “está na luz de Deus, plenamente iluminado ou participa da luz plena que é Jesus Cristo ressuscitado”.

As velas, no culto cristão católico, simbolizam o próprio Cristo, Luz do mundo. Elas são símbolos de uma oração contínua diante de Deus “para que queimem continuamente diante do Senhor” (Lev 24,4). A importância de acendê-las na intenção dos falecidos, segundo o frei, se dá no fato de que a oração, simbolizada na vela, seja contínua diante do Senhor. Isso porque depois de rezar e acender a vela, deixa-se na presença do Senhor um símbolo material do pedido, que o perpetuará “continuamente diante do Senhor” (Lev 24,4).

Para quem acha que as velas substituem as orações, frei Faustino alerta para o fato de que os falecidos não precisam do artefato e sim das orações, no entanto as orações e intenções podem ser simbolizadas pela vela. “No gesto de iluminarmos nossas liturgias com velas, estamos querendo dizer que queremos ser luzes e que queremos iluminar, assim como diz Jesus quando afirma que nós somos a Luz do mundo e que nossa luz deve brilhar”, finaliza.

“O uso de velas é antiquíssimo na Igreja, de longa tradição. Acompanham a oração pelo seu simbolismo: no Evangelho Jesus nos aconselha a esperarmos por ele com as vestes cingidas (com cordão, significando preparação para a viagem) e nas mãos lâmpadas acesas (simbolizando a fé e a caridade). É um dos símbolos do sacrifício. Claro que não substituem a oração, mas a acompanham. Em uso desde o tempo das catacumbas”, afirma o bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, dom Fernando Âreas Rifan.

Velas virtuais – Em tempos de tecnologia e com a utilização da internet, muitos estão acendendo velas virtuais. Questionado se o hábito tem legitimidade, o arcebispo de Palmas, dom Pedro Brito Guimarães afirma que o ato depende muito: “Se a pessoa reduz a sua religião e a sua fé a algo virtual e se isola da comunidade, alguma coisa está errada. Caiu no isolamento, no individualismo, no deserto espiritual. A fé nos leva a pertencer. Aliás, é simbolo de pertença. E a igreja vive da pertença e da presença dos seus fieis. Não se é e nem se vive plenamente o ser igreja, deitado, sentado, diante da tela de um computador, acendendo vela para defuntos”, argumenta.

Fonte: CNBB