Estatuto Social

CARTA MENSAL- ABRIL DE 2007

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Carta MCC Brasil – Abr/2007  

Ó Deus, por vosso Filho unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova” (Oração da Missa da Páscoa). 

Queridos irmãos e queridas irmãs na fé do Senhor Ressuscitado: “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!”  Sim, outra não poderia ser a minha saudação para todos vocês neste clima de alegria pascal.  Tendo percorrido santamente – assim o suponho – o itinerário quaresmal, balizado pelo trinômio Oração-Esmola-Jejum, chega o grande momento, motivador único da nossa fé, chega a celebração do núcleo fundante do cristianismo, chega a festa da Páscoa, com suas alegrias e suas esperanças, chega a festa da vida.  

Todavia, cabe perguntar-nos: que sentido tem celebrar tão grande festa depois de mais de 2000 anos de acontecida? Que sentido tem celebrar a Páscoa da Vida no contexto de uma cultura que, impregnando toda uma sociedade leva-a, sempre mais aceleradamente, a excluir o Deus da vida?  E que, por isso mesmo, pelo Papa João Paulo II foi chamada de “cultura de morte”? Que sentido tem refletir sobre uma “vida nova”, uma “vida de ressurreição” quando tudo ou quase tudo o que nos cerca, fala de morte, de desvalorização de vida, de desprezo por ela, de abusos e desrespeito por este maravilhoso dom de Deus, que é a vida? Um exemplo que clama aos céus: atualmente muitos paises, neles incluído o Brasil, estão legalizando o aborto. Ou destruindo a natureza, fonte da vida e sua sustentação. 

1. Páscoa, um presente de Deus à humanidade - A nós, seguidores e discípulos de Jesus, cabe encarar essa realidade com os olhos da fé, isto é, na ótica do Deus da vida. Jesus, Deus feito homem, “revela ao homem o próprio homem”, no dizer do Concílio Vaticano II. Ora, isso significa que Jesus, sendo Deus e homem, revela ao homem a vida: a humana e a divina. No Jesus da história – o mesmo  do presépio, que morou conosco, em nossa carne - encontramos a fraqueza da morte, ou seja, o Jesus da cruz nEle, ao mesmo tempo, a certeza da vida, ou seja, da Ressurreição que suplanta a morte. Portanto, não temos o direito de atentar contra a vida, seja de que forma for. Afinal, somos filhos e filhas do Pai da vida! E, por Cristo, passamos da morte do pecado para a vida da Graça! 

2. Páscoa, celebração da vida - A celebração da Ressurreição de Jesus, após o sofrimento do Calvário, deverá infundir em nós que queremos olhar nossas realidades com os olhos de Deus, a certeza da vida. Da vida eterna que já tem seu início aqui na terra e que será plena na contemplação eterna do rosto de Deus. E essa certeza deverá fortalecer nossas convicções e nossa vontade de lutar, por todos os meios, pela preservação da vida. Tanto a vida da natureza em todos as suas dimensões, como, sobretudo, a vida humana, presente de Deus para seus filhos. 

3. Páscoa, revisão da maneira de pensar e viver a vida – Diante de tudo isso que o Senhor nos dá pela Ressurreição de Jesus, é urgente que cada um de nós e a comunidade dos discípulos de Jesus, façamos uma revisão daquilo que pensamos sobre a vida e sobre o seu valor e a sua dignidade. Por exemplo, com que freqüência e com quantos irmãos e irmãs nos encontramos, os quais, mesmo confessando-se cristãos e católicos, diante de fatos violentos como os que estamos presenciando, propõem a pena de morte ou com ela  compactuam? Não é verdade que, muitas vezes, justificamos o crime do aborto com argumentos tais como “a mulher é dona do seu corpo e pode fazer o que quiser com ele”? Ou que se pode assassinar ainda no ventre de sua mãe, uma criança não desejada? Ou quantas vezes nós mesmos abusamos dos bens que Deus nos concede, do supérfluo e do consumismo, aumentando, assim, a nossa insensibilidade diante de milhões de seres humanos que, todos os dias, morrem de fome, às vezes ao nosso lado?  Pois, meus irmãos e minhas irmãs, as celebrações pascais iluminam nossa mente com a luz do Ressuscitado e nos dão a oportunidade de uma revisão sobre como entendemos a vida e como a tratamos. Mais uma vez, lembramos: só Deus é o doador e senhor da vida: Ele no-la deu; somente Ele poderá tirá-la.   

4. Páscoa, renovação da esperança“Concedei que, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova”. Ao considerarmos a vida nos seus aspectos negativos – como vimos acima – e, sobretudo, vivendo imersos nessa realidade e nesse clima de violência, pode acontecer que o desespero assalte o nosso coração e se dilua a nossa esperança numa humanidade mais consciente de sua própria dignidade e que saiba valorizar a vida. Não, nós discípulos de Jesus, não temos o direito de desanimar. De outra forma, Cristo teria morrido em vão. Mas não! Vejamos o que São Paulo nos lembra no dia da Páscoa: “quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória” (Cl 3,4). E no livro da esperança, lá no Apocalipse, São João antecipa um novo tempo “Vi então um novo céu e uma nova terra...Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram” (Ap 21, 1.4).   Meus amados, desejando a todos uma santa Páscoa vivida à luz do Cristo Ressuscitado, não posso deixar de lembrar o Salmo cantado na Missa da Páscoa: “A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou. Não morrerei, mas, ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor! (Sl 118/117,2).

A todos vocês, ressuscitados em Cristo, meu abraço fraterno.

Pe. José Gilberto Beraldo

Assessor Eclesiástico Nacional MCC do Brasil

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