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CARTA MENSAL- MAIO DE 2007

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Carta MCC Brasil Maio 0/07 

“O Senhor escolheu outros setenta e dois e enviou-os, dois a dois, à sua frente,  a toda cidade e lugar para onde ele mesmo devia ir.  E dizia-lhes: ‘A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos.  Pedi, pois, ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para sua colheita’” (Lc 10, 1-2). 

Muito amados irmãos e irmãs, leitores e leitoras: Com todos os que me estão honrando com a leitura desta carta, estejam a paz e o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor! 

Permitam-me, amáveis leitores, propor-lhes alguns pontos para esclarecimentos e reflexão acerca do assunto deste mês, já que é impossível não dedicar esta carta à V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, a realizar-se na cidade de Aparecida, de 13 a 29 de maio próximo.

Sua repercussão na Igreja latino-americana já teve início efetivo há mais de um ano, tempo suficiente para que os católicos pudessem conhecer amplamente os objetivos dessa importante reunião dos seus Pastores.

Um Documento de Participação – por alguns considerado limitado em suas propostas – foi objeto de estudo e de reflexão. A partir dele ou por ele motivados, as Dioceses, as comunidades, movimentos e associações apresentaram ao Conselho Episcopal Latino americano (CELAM), suas críticas e sugestões tanto no campo pastoral como teológico.

O próprio lema da V Conferência atraiu a atenção de todos. Submetido à aprovação do Papa Bento XVI, foi por ele revisado e acrescido: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nEle, nossos povos tenham vida”. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). 

1. O que é uma “Conferência do Episcopado”? Periodicamente, os bispos de um continente, convocados pelo próprio Papa, reúnem-se para fazer uma avaliação da ação da Igreja naquela região e planejar sua presença evangelizadora e sua ação missionária. Na América Latina já houve outras quatro Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano: a primeira, em 1954, no Rio de Janeiro, foi mais uma reunião de bispos latino-americanos sugerida por nosso saudoso D. Hélder Câmara do que propriamente uma Conferencia; a segunda, em 1968, foi em Medellín, Colômbia; a terceira, em 1979, realizou-se em Puebla, México; a quarta, em 1992, teve lugar em Santo Domingo, República Dominicana; a quinta, uma vez mais no Brasil, será como todos sabem, na cidade de Aparecida. 

2. Quem participa? Em primeiro lugar o próprio Papa que, tendo aprovado o lema, em geral, faz o discurso de abertura, propondo os rumos da Assembléia. Por ele, também, são nomeados todos os demais participantes (Presidentes, Secretários e demais membros da direção) da Conferência. Também participam os Bispos delegados por todas as Igrejas Latino-Americanas e do Caribe. Além disso, o Papa designa “observadores” – teólogos, pastoralistas, Superiores de Congregações Religiosas, bem como leigos e leigas apresentados pelas Conferências Episcopais do Continente – os quais não têm voz ou voto, estando isso reservado apenas aos Bispos delegados à Conferência.

3. Porque é tão importante essa V Conferência? Porque os desafios apresentados à Igreja Católica da América Latina para a evangelização dos nossos povos têm-se multiplicado nestes últimos tempos. Muitas são suas causas e seus efeitos: a globalização, o empobrecimento, a exclusão deixando “ricos cada vez mais ricos às custas de pobres cada vez mais pobres”; a violência, o ódio, as guerras entre os povos, etc.. Num pequeno livro, mas com texto muito oportuno, intitulado “Aparecida, a hora da América Latina”, o teólogo jesuíta brasileiro, Mário de França Miranda, analisa as circunstâncias nas quais se realiza a presente Conferência do Episcopado e oferece preciosas sugestões. 

4. Porque o lema? “Somos discípulos e missionários de Jesus Cristo quando nosso testemunho e nossa missão evangelizadora se realizam verdadeiramente por meio dele, com ele e nele, que é o nosso Caminho, nossa Verdade e nossa Vida” (Cardeal Francisco Ossa, Presidente do CELAM, Introdução ao Documento de Participação). Se assim se evidencia o lema, é porque nós, seguidores de Jesus Cristo na Igreja Católica da América Latina, estamos falhando em nosso testemunho de discípulos e em nossa ação missionária. 

5. O que é ser “discípulo”? A resposta a essa pergunta já está na carta mensal de outubro do ano passado. O discípulo como, lembra o próprio Documento de Participação, a) é alguém que, repleto de assombro, recebeu o Senhor; b) faz a experiência do chamado que Jesus lhe faz e dá sua resposta de amor a esse chamado de amor, resposta que o leva a assemelhar-se a Ele; c) está consciente que Jesus Cristo é aquele que escolhe e chama; d) tem ouvidos de discípulo, isto é, atentos para escutar e prontos para obedecer; e) entra em comunhão de vida e missão com Jesus Cristo; f) procura formar-se tendo como meta a identificação com Jesus.

 6. O que é ser “missionário”? Também essa definição se encontra na carta já mencionada: a) Jesus envia seus discípulos, “dois a dois” para uma ação missionária; b) o missionário semeia as Palavras do Mestre no coração das pessoas, nas instituições, na sociedade; c) ele testemunha com a vida sua experiência de discípulo do Senhor, sua intimidade com o Cristo e seu conhecimento do Mestre; d) o missionário sente forte desejo de comunicar a Pessoa, projeto e alegrias do Reino; e) seu modelo de missionário é o próprio Jesus, que “percorria todas as cidades e aldeias... as casas e sinagogas, para proclamar a Palavra e anunciar a misericórdia de Deus” (Lc 8,40-42.49-55). 

7. Nossa responsabilidade. Responder aos apelos de Deus nessa “hora da América Latina”, é a grande responsabilidade dos movimentos, das comunidades eclesiais, de todas as instituições da Igreja deste Continente.

E, de maneira especial, a nós, católicos brasileiros, caberá ouvir e pôr em prática as orientações e diretrizes de Aparecida. Meus queridos leitores e leitoras: entreguemos nas mãos de Nossa Senhora Aparecida todas as intenções desse tão grande acontecimento que se realiza na sua cidade, no seu Santuário Maior. Que ela esteja presente entre os Pastores do Povo de Deus que está na América Latina.  

Pe. José Gilberto Beraldo

Assessor Eclesiástico Nacional MCC do Brasil

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