Estatuto Social

CARTA MENSAL- JUNHO DE 2007

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Carta MCC Brasil – Jun/2007 (no 95)

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de traça da parte do Senhor” (Lc 4,18).

Meus amados leitores e leitoras, perseverantes companheiros de jornada:Na carta do mês passado procurei dar alguns esclarecimentos sobre a V Conferência do Episcopado Latino americano e Caribenho, realizada no Santuário Nacional de Aparecida (SP), de 13 a 31 de maio pp., em cuja abertura estava o Papa Bento XVI.

Ele ali esteve não para fazer com que essa tão importante reunião ‘parecesse’ mais importante! Ele deu-lhe início, sobretudo, para deixar aos participantes diretrizes e orientações, as quais foram, aliás, muito claras e giraram em torno do lema da Conferência: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nEle nossos povos tenham vida.” “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).

Era minha intenção comentar, neste mês, o documento final da Conferência, ajudando, de algum modo, na sua aplicação concreta. Entretanto, devendo, ainda ser submetidas à análise e aprovação do Papa, ainda não estão disponíveis as conclusões e decisões da Assembléias. Assim, não desejando adiantar interpretações que poderiam estar fora de foco, é de todo conveniente que esperemos mais algum tempo para entrar no mérito das orientações dessa importante Conferência promovida pelo Conselho Episcopal Latino americano (CELAM).Os sete temas principais. Já foi anunciado, entretanto, que “o texto trará sete temas principais, articulados em torno dos eixos apontados pelo Papa na temática da Conferência, ou seja, “discipulado”, “missionariedade” e “vida”.

São estes os temas, cada um ocupando um capítulo do documento:

1) “O hoje da América Latina e do Caribe”;

2) “Alegria de ser discípulos missionários de Jesus Cristo”;

3) “Nossa vocação de discípulos missionários”;

4) “Comunidade dos discípulos missionários de Jesus Cristo”;

5) “O itinerário dos discípulos missionários”;

6) “Missão dos discípulos missionários” e,

7) “Conversão pastoral e diversas áreas de tarefa pastoral”.

“A Grande Missão Continental”. Consta ser esse o objetivo traçado e o foco apontado pela V Conferência. “A grande maioria dos católicos do nosso continente não participa mais ou nunca participou da vida de nossas comunidades eclesiais”, disse o Cardeal D.Cláudio Hummes (até há pouco Arcebispo de São Paulo, agora, Prefeito da Congregação para o Clero) durante a Conferência de Aparecida, ao falar sobre a Grande Missão Continental – uma missão que começa no próximo dia 31 e não terá prazo para terminar.

É óbvio que a responsabilidade de tal missão cabe não só aos bispos, padres, religiosos e religiosas, mas a todos os católicos, leigos e leigas, da América Latina e do Caribe.

Todas as comunidades e as instituições, os movimentos e associações se quiserem ser, efetivamente, eclesiais, deverão assumir com determinação este objetivo.Logo após o término do Concílio Vaticano II e, até hoje, muitas Ordens e Congregações religiosas começaram a repensar seu carisma, chegando a projetar uma “refundação”, isto é, uma revisão radical de seu carisma – evidentemente, sem renunciá-lo - para torná-lo, isso sim, mais eficaz e eficiente para responder aos apelos de uma Igreja que buscava revitalizar-se, para melhor enfrentar os desafios de uma nova sociedade.

Penso que deveria ser essa a atitude de todas as instituições e movimentos eclesiais católicos da América Latina. Será urgente sair de seus encastelamentos, de seus grupos fechados, de suas “celebrações” mais ou menos secretas, de suas reuniões destinadas apenas a alguns, e lançar-se à missão; lançar-se, corajosamente, em “águas mais profundas” que é a busca daqueles que estão fora da Igreja, dos que dela se afastaram, quem sabe, por culpa dos que nela ainda permanecemos.

Digo isso, em primeiro lugar, do próprio Movimento do qual sou assessor nacional há tantos anos – o Movimento de Cursilhos de Cristandade. Se seus integrantes quiserem ser membros vivos da Igreja Católica – estou falando, sobretudo, da Igreja na América Latina -, devem sentir-se impelidos a sair, a começar a considerar a “pessoa” não isoladamente, mas em relação aos demais.

Como conseqüência, buscar transformar seus “grupos de amizade” em grupos missionários, inserindo-se cada um dos seus participantes, nos seus próprios ambientes, ali fazendo nascer “pequenas comunidades de fé” ou “núcleos de cristãos” para neles fazer aflorar os critérios e valores do Evangelho.

De fato, esse é o seu carisma. Essa atitude poderá, até, custar renúncias a tradições e posturas de ontem, mas que já nada dizem, ou dizem muito pouco aos homens e mulheres da nova cultura e da nova sociedade em que vivemos.

Eventualmente, poderão exigir, também, sacrifícios pessoais de idéias e modos de pensar que não se coadunem com as atuais e irreversíveis tendências da globalização. Se assim acontecer, estaremos, então, participando ativamente da “Grande Missão Continental”. Acima de tudo, o que importa é o Reino de Deus que deveria tornar-se concreto pela ação missionária de todos nós, os católicos.

Se estivermos convencidos de que a concretização deste ou daquele carisma não está adequada ao presente, não seria esta a hora providencial – sem esquecer o passado e dele aproveitando todas as conquistas – de uma “refundação” (sempre fiéis ao seu próprio carisma), pelo menos aqui na América Latina? É oportuno lembrar que o carisma é um dom concedido pelo Espírito Santo que espera uma resposta de quem o recebe. O dom é permanente. A resposta se concretiza no chão das realidades de tempo e lugar.E já que acabamos de celebrar a Festa de Pentecostes, peçamos ao Espírito seus sete dons para que, fiéis ao carisma do Movimento de Cursilhos e de todos os demais movimentos eclesiais, mas atentos à voz da Igreja onde eles estão inseridos, estejamos abertos ao clamor dos que ‘querem ver Jesus’ e, por causa do nosso testemunho, abraçar sua causa, isto é, tornar-se construtores do seu Reino ao qual se chega pelo Caminho que mostra a Verdade e conduz à Vida. Em fim, tornar-se “discípulo e missionário de Jesus Cristo, para que nEle nossos povos tenham vida”.

Com muito carinho e afeto, deixo para todos meu abraço de irmão e amigo, sempre às ordens, 

Pe.José Gilberto Beraldo

Assessor Eclesiástico Nacional MCC

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