Estatuto Social

CARTA MENSAL- AGOSTO DE 2007

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“Vendo o Senhor que Moisés se aproximava para observar, Deus o chamou do meio da sarça: ‘Moisés! Moisés!’ Ele respondeu: ‘Aqui estou!’ Deus lhe disse: “Não te aproximes daqui! Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é chão sagrado... E agora, vai! Eu te envio ao faraó para que faças sair o meu povo, os israelitas, do Egito... Moisés disse a Deus: “Quem sou eu para ir ao faraó... Deus lhe disse: Eu estarei contigo...” (Ex 3, 4-5.10-11.12) 

Amados irmãos e irmãs, queridos leitores e leitoras: 

Em minhas cartas do mês de agosto quase que invariavelmente tenho proposto refletir com vocês sobre a Transfiguração de Jesus no Monte Tabor cuja festa ocorre no dia seis. Pois essa não será diferente. É tal a riqueza desse acontecimento – como, aliás, todos os da vida de Jesus – que não podemos deixar de voltar á mensagem que dele emana.   Nossa reflexão vai partir do episódio do Antigo Testamento (ou Nova Aliança) onde Deus se manifesta a Moisés no alto de um monte que, como tantos outros profetas daquele tempo, prefigurou a pessoa de Jesus. Vamos salientar, brevemente, alguns pontos que julgo importantes e que, a meu ver, têm estreita relação com a festa da Transfiguração de Jesus e, logo, tratar de aplicá-los à nossa vida de seus seguidores, testemunhas, apóstolos e missionários.     

1. Montanha, monte, lugar alto, lugar elevado. Esses são os lugares clássicos nos quais Deus, na Primeira Aliança, se manifestava aos profetas, àqueles aos quais queria revelar sua grandeza, seu poder e sua glória. Eram esses “lugares sagrados” os escolhidos por Deus para fazer ouvir a sua voz. Foi no alto de um monte que Deus falou a Moisés que por ali pastoreava o rebanho de seu sogro Jetro e o enviou para libertar o seu povo oprimido pela escravidão dos egípcios representados pelo todo-poderoso faraó. Moisés foi, assim, a prefiguração de “Jesus que levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para orar. Enquanto orava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou branca e brilhante” (Lc 9,28-29). E, da mesma forma com que se revelou a Moisés, Deus revela aos apóstolos a identidade do seu Filho: “Este é o meu Filho amado, nele está meu pleno agrado:escutai-o” (Mt,17,5b; Mc 9,7b; Lc 9,35). Essa é a mensagem do Pai para nós que queremos ser, também, apóstolos e missionários de Jesus: sair do nosso comodismo, “subir ao monte” da intimidade com Deus criando espaços e tempo para a oração e meditação, afinando os ouvidos para ouvir suas palavras de vida e de envio: “E agora, vai! Eu te envio ao faraó..,” 

2. “Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás em chão sagrado...”  Também a nós, Deus ordena que “tiremos as sandálias dos nossos pés”, isto é que nos despojemos de tudo, fazendo calar outras vozes que nos impedem de ouvir a sua voz; que nos apartemos de nossas vaidades, sacudindo toda a poeira, purificando-nos  inteiramente e esvaziando-nos de tudo o que trazemos de supérfluo e inútil. Somente assim, completamente livres, poderemos ouvir a voz de Deus e sair para evangelizar, transfigurados como Moisés e como Jesus. São Paulo compreendeu bem o que significa a transfiguração radical do seguidor de Jesus: nem mais nem menos do que poder dizer, ao fim de um longo processo que nos tornará identificados com Ele:“Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). 

3. A Transfiguração de Jesus e de seus discípulos.  Assim como a Moisés, a quem Javé, o Senhor, se identifica como “Eu sou Aquele que sou” (Ex 3,14), Deus fala, de novo, no alto do monte da Transfiguração para identificar seu Filho amado, confirmando-lhe a divindade. E, como falou de maneira fascinante e num cenário absolutamente indescritível, a um Moisés deslumbrado e atônito, assim o mesmo Deus fala aos apóstolos “cheios de temor” (Lc 9, 34b). Eles ficam fascinados, como que fora de si. “Na verdade não sabiam o que devia falar, pois eles estavam tomados de medo” (Mc 9,6), diríamos positivamente “transtornados”: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias” (Lc 9,33). E a voz de Deus se faz ouvir: “Este é o meu Filho amado. Escutai-o” (Mc 9,7). Jesus, prefigurado por Moisés na Primeira Aliança, ouve a voz do Pai. E seus discípulos são confirmados na credibilidade na sua pessoa como o Filho amado de Deus. E, assim como Moisés foi enviado para libertar seu povo da escravidão do faraó, Jesus foi enviado pelo Pai para anunciar o seu Reino de liberdade, de justiça, de perdão, de fraternidade. E envia aqueles apóstolos para a missão de libertar o povo da escravidão do pecado e dos laços da “cultura de morte” que o cerca e amarra. Também nós, transfigurados como Moisés e como Jesus pela graça e pela identidade com Ele, pela fé continuamos a ouvir aquela voz que nos chama e nos envia.     

4. Transfigurados como Jesus, “Ir ao faraó”: a resposta ao chamado e o envio. “Aqui estou”! Como de Moisés, o Pai espera de nós uma resposta positiva. Daremos todas as desculpas possíveis e imagináveis para fugir da responsabilidade. Inventaremos mil pretextos para não assumir a missão. Possivelmente, no gozo das alegrias da possessão da graça divina, como fez Pedro, proporemos a Jesus “Fazer duas tendas” para nossa própria acomodação: uma para Jesus, outra para mim mesmo! Mas, confiados na promessa dAquele que envia: ”Eu estarei contigo” (Ex 3,12), é preciso sair. É preciso “ir ao faraó”, isto é, ir a um mundo e a uma sociedade escravizante, cada vez mais distantes do Reino, do projeto de Deus para suas criaturas e para seus filhos e filhas. Nessa sociedade cabe a nós, os Moisés de hoje, transfigurados como Jesus, levar ao povo a mensagem libertadora de todas as escravidões; libertadora de todos os modernos “faraós”, testemunhando com a vida a mensagem de Jesus: justiça, amor, solidariedade, perdão.... É para essa missão que Jesus nos envia. E hoje, aqui na América Latina, Ele nos envia para a Grande Missão Continental, conforme as orientações e os compromissos da V Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe, recém terminada em Aparecida.    Meus amigos e amados irmãos e irmãs: com Jesus e os apóstolos, descalçando nossas sandálias do comodismo e do individualismo, subamos, com Jesus, a montanha da nossa própria transfiguração e ouçamos a voz de Deus que, como a Moisés, nos envia a evangelizar, a anunciar: “... sabei que o Reino de Deus está próximo!” (Lc 9,11b). 

Meu carinhoso abraço no amor de Cristo Jesus! 

Pe.José Gilberto Beraldo

Assessor Nacional MCC do Brasil

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