Estatuto Social

CARTA MENSAL - SETEMBRO DE 2007

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“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus...Nela estava a vida e a vida era a luz dos homens...Esta era a luz verdadeira que, vindo ao mundo, a todos ilumina...A quantos a acolheram, deu-lhes poder de se tornarem filhos de Deus...E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1, 1.4.9.12.14). 

No mês de setembro toda a Igreja no Brasil volta-se para um tema basilar da fé cristã – a Bíblia, depositária da Palavra de Deus – e propõe a todo o Povo de Deus não apenas um estudo teórico sobre ela, mas uma reflexão que leve a conclusões práticas para a nossa vida de seguidores da Palavra, ou seja, de discípulos de Jesus. Nada mais natural, portanto, do que nesta minha carta mensal, propor a você, caro irmão e querida irmã alguns pontos que possam ajudá-lo na aplicação da Palavra de Deus no seu dia-a-dia. Como modelo e exemplo, tomemos Maria na anunciação do anjo: acolheu, deixou-se encontrar, assimilou e comunicou ao mundo o Verbo encarnado.

 1. Acolher  – Acolher a Palavra  não é deixar que ela entre por um ouvido e saia pelo outro.  Ou receber como que prestando um favor a quem se recebe. Pelo contrário, acolher é abrir inteiramente o coração a quem se recebe, é abraçá-lo com carinho, é abrir espaço na mente, é mostrar-se ansioso por tudo aquilo que o acolhido vai trazer de boas noticias, é assimilar sua mensagem. Mas para isso é necessária uma adequada preparação tanto da mente como do coração. Tanto mais que, ao acolher a Palavra de Deus, sabemos que estamos acolhendo o seu próprio Filho, Jesus Cristo: “... a Palavra estava junto de Deus e a Palavra era Deus”. Assim fez Maria que, ao anúncio do mensageiro de Javé, abriu inteiramente seu coração e o seu próprio corpo para receber o Verbo de Deus, a Palavra encarnada: “E a palavra se fez carne e veio morar entre nós”. Maria não trancou a porta de sua casa, embora até pudesse desconfiar daquela aparição fora do comum. Mas não. Deixou que entrasse o mensageiro do anúncio mais maravilhoso da história. E aconteceu o início da nossa salvação. Aqui cabe uma pergunta: como é que você está recebendo a Palavra de Deus? Com total abertura do coração? Com atitude de incondicional receptividade e acatamento?  

2. Encontrar e deixar-se encontrar – Quando não queremos encontrar alguém ou nos deixar encontrar por esse alguém, arranjamos mil desculpas e buscamos mil álibis para dificultar o encontro. Dessa forma, as palavras da Bíblia são vazias; lê-las é pura perda de tempo; a própria Bíblia, quando muito, é mero enfeite de estante de livros ou de mesinha na sala. Veja o exemplo de Maria: com certeza, ao receber a visita do anjo, ela estava mergulhada na palavra de Deus. Senão na sua leitura – naquele tempo somente possível aos doutores da Lei que a liam no templo, no “clima”, no ambiente da Palavra. Foi ali que o anjo a encontrou e foi ali que ela se encontrou com Javé. Foi nesse “encontrar” e nesse “deixar-se encontrar” pela “luz verdadeira” que o Verbo encarnou-se no seio de Maria. É dessa mesma forma que, ao querer encontrar e ao deixar-se encontrar, que Ele, o Verbo, se faz presente nos assíduos freqüentadores da Palavra de Deus. Quem dela se mantém distante, quem nunca a lê ou quem nela raramente reflete ou com ela medita e reza, dificilmente vai encontrar o Verbo de Deus ou deixar-se encontrar por Jesus.

3. Assimilar, identificando-se – A palavra humana é concebida primeiramente na cabeça, no intelecto; em seguida, é acalentada no coração e torna-se “carne” em nossa carne e nasce em nossa boca. Assim, pode-se dizer que, de certa forma, qualquer palavra que pronunciamos é uma “filha” nossa, pois passa por um processo de concepção, de assimilação e de encarnação. Assim sucedeu com Maria. Ela ouviu a voz do anjo que lhe falava em nome de Deus. Deixou que a palavra tomasse conta do seu ser. Concebeu, então, o Verbo de Deus, a Palavra eterna do Pai, Jesus. E, finalmente, pronunciou o seu “sim”: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Daí por diante Maria seria uma só com seu filho. Uma só na sua carne com a carne do Verbo de Deus. Da mesma forma deveria acontecer com todos os que ouvem a Palavra: “... recebei a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar-vos” (Tg 1,21b).  Ouvi-la, deixar que ela penetre no coração, isto é na sua carne, tornando-a concreta em todos os momentos da vida, identificando totalmente com a Palavra, com o Verbo do Pai, isto é, com o próprio Jesus: “Eu vivo, mas não eu:  é Cristo que vive em mim. Minha vida atual na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). 

4. Comunicar – Toda palavra concebida por nós pode ter dois destinos: ou a retemos no íntimo de nós mesmos ou a damos à luz, a fazemos nascer. Caso a retenhamos, ela morrerá conosco. Dando-a à luz, esperamos que ela produza resultados, isto é, que modifique alguém pelo impacto do seu conteúdo, de sua densidade. Caso isso não aconteça, duas também são as causas: ou é uma palavra vã, sem sentido para quem a ouve, ou é uma palavra carregada de sentido trazendo uma mensagem transformadora ao ouvinte que não a recebe. Tendo concebido a Palavra em sua carne, Maria foi, bem depressa, comunicá-La à sua prima Isabel.  À semelhança de Maria, aquele que acolhe a Palavra; que a encontra e por ela se deixa encontrar; que a assimila e com ela se identifica, sente-se impelido a anunciá-la pelo testemunho de vida e por sua própria palavra. Torna-se um missionário, isto é, um multiplicador da Palavra encarnada em sua vida.

Meu irmão, minha irmã: aqui fica minha proposta para quando setembro chegar e para todos os dias de sua vida: acolha no seu coração para a Palavra de Deus; esforce-se por encontrá-la e deixe-se encontrar por ela; busque identificar-se com a Palavra e, finalmente, anuncie a Palavra com ardor, com entusiasmo e com toda a dedicação. E não esqueça: “Todavia, sede praticantes da Palavra, e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1,22). 

Um carinhoso abraço do amigo e irmão no Senhor Jesus,

Pe. José Gilberto Beraldo

Assessor Eclesiástico Nacional MCC  do Brasil

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