Estatuto Social

CARTA MENSAL - OUTUBRO DE 2007

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CARTA MCC OUT/07 – (nº. 98) 

“O Senhor escolheu outros setenta e dois e enviou-os, dois a dois, à sua frente, a toda cidade e lugar para onde ele mesmo devia ir.  E dizia-lhes: ‘A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para sua colheita. Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos’” (Lc 10, 1-3). 

Meus amados irmãos e irmãs, leitores fiéis e amigos:

Acabamos de celebrar o “Mês da Bíblia”, o mês da Palavra de Deus que desejo tenha sido fértil em reflexão e prática para todos, pois, “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor! Senhor!’ entrará no Reino dos Céus, mas só aquele que põe em prática a vontade de meu Pai que está no céu” (Mt 7,21).

E este mês de outubro praticamente continua a celebração da Palavra, agora como o seu alegre anúncio a “todas as nações” para nelas “fazer discípulos” (Cf Mt 19-20). É o Mês das Missões. E, neste ano como nos demais que se seguirão, o tema “Missões” adquire uma capital importância à luz da V Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe, realizada em maio deste ano, aqui em Aparecida, e concretizada no seu documento final, o Documento de Aparecida (DA).

Ao referir-me a esse Documento, não posso deixar de lembrar sua importância para toda a Igreja de toda a América Latina e do Caribe, com reflexos necessários para toda a Igreja Católica, seja lá de que país se trate, pois a V Conferência foi convocada pelo próprio Papa Bento XVI que lhe deu o tema. E não só, mas aqui esteve fazendo o discurso de abertura, isto é, traçando os rumos que deveriam ser seguidos pelos Pastores do nosso Continente.

Pois bem, o Papa Bento XVI, acompanhado por nossos Pastores, está convocando a Igreja que está na América Latina e no Caribe para uma Grande Missão Continental - nada mais do que o mês de outubro prolongado pelos próximos anos! “Neste sentido, diz o papa na sua Carta de aprovação do DA, para mim foi motivo de alegria conhecer o desejo de realizar uma ‘Missão Continental’ que as Conferências Episcopais e cada diocese são chamadas a estudar e a realizar, convocando para isso todas as forças vivas, de modo que, caminhando a partir de Cristo, busque sua face”. Ora, se toda a Igreja está convocada para essa Grande Missão, é evidente que devem estar empenhados nessa tarefa todos os católicos, todas as instituições, todos os movimentos e comunidades eclesiais. Deixo aqui alguns pontos para sua reflexão e tomada de atitude. 

1. Conscientize-se de que você é missionário. Quando criança, nos inícios de minha vocação sacerdotal, entusiasmado pelas “rifas para as missões”, eu sonhava “ir para o meio dos lobos”, isto é, partir para terras distantes para “catequizar os índios”. Seria uma “santa aventura” ou um forte apelo para evangelizar? Hoje, como todo cristão católico, dou-me conta de que os “lobos” para os quais Jesus nos envia como “ovelhas”, isto é, como mensageiros, estão dentro de mim mesmo, nos que me rodeiam, na minha cidade, no meu país, no mundo do qual faço parte, no meu Movimento de Cursilhos. E que catequizar é, antes de tudo, evangelizar. E que, para isso, todos os batizados somos chamados a ser missionários: “Por isso, nós, como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Anunciamos a nossos povos que Deus nos ama que sua existência não é ameaça para o homem, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino...” (DA 30).

2. Peça na oração. Peça continuamente ao “Senhor da colheita que mande trabalhadores para a colheita”. Pouco eficazes serão as iniciativas e orientações pastorais, mesmo a Grande Missão Continental; pouco efeito alcançarão documentos, seja lá qual for a sua grandeza e importância; de quase nada hão de adiantar palavras de exortação e de estímulo se, acompanhando tudo isso, não estiver presente a nossa oração. É na oração que vamos encontrar forças tanto para cada um de nós, discípulos missionários que queremos ser, como para todos os que se sentem “ser enviados para o meio dos lobos”. Jesus está no meio daqueles que, reunidos, pedem ao pai em seu nome (cf. Mt 18,20; Jo 14,13; 15,16).

3. Engaje-se decidida e alegremente nesta Grande Missão. Sua Diocese, sua paróquia, seu Movimento - seja ele qual for – com certeza indicarão os caminhos e as iniciativas para o que, como, quando e com quem fazer. Pois, qualquer uma dessas instituições que não assumir o projeto missionário traçado por nossos Pastores, com certeza estará fora de sintonia e de comunhão com sua própria Igreja. Quanto ao nosso querido Movimento de Cursilhos, o DA será o principal tema de estudos da próxima Assembléia Nacional – 15 a 18/11/2007 – com a presença e orientação do Senhor Arcebispo de São Paulo, D.Odilo Pedro Scherer, que foi um dos Secretários da própria V Conferência. Nessa mesma Assembléia deverão firmar-se os compromissos do MCC, naquilo que lhe cabe conforme seu carisma, com a Grande Missão Continental. Ademais, o DA deixa claro que ser discípulo e missionário, além de ser vocação e missão, é fonte de alegria. Parece-me que este é um dos aspectos muito positivos da nossa Grande Missão. De fato, por nossa própria natureza, tudo o que nos traz alegria aumenta o nosso interesse. E o interesse fortalece o compromisso. Veja uma das expressões do DA ao referir-se à alegria de ser discípulos missionários de Jesus Cristo: “A alegria do discípulo é antídoto frente a um mundo atemorizado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio. A alegria do discípulo não é um sentimento de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido (nota pessoal: pela Grande Missão) com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DA 29).

Permitam-me, irmãos e irmãs, concluir esta minha carta (quase em tom de confidência entre os amigos que se amam e quase às vésperas dos quarenta e nove anos de minha vida sacerdotal) dizendo-lhes que os sentimentos que me possuem hoje são os mesmos com que o Papa Bento XVI encerra sua exortação aos Bispos no início da V Conferência: “Ficai conosco, Senhor, acompanhai-nos, ainda que nem sempre tenhamos sabido reconhecer-vos. Ficai conosco, porque as sombras vão se tornando densas ao nosso redor, e vós sois a Luz; em nossos corações se insinua a desesperança, e vós nos fazeis arder com a certeza da Páscoa. Estamos cansados do caminho, mas vós nos confortais na fração do pão para anunciar aos nossos irmãos que na verdade vós nos ressuscitastes e nos destes a missão de ser testemunhas da vossa ressurreição”.

Um abraço carinhoso do irmão no Senhor Jesus, 

Pe.José Gilberto Beraldo

Assessor Nacional MCC do Brasil                                    

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