Estatuto Social

CARTA MENSAL- JANEIRO DE 2008

Avaliação do Usuário

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

Carta MCC Brasil – Jan/2008 – (101ª )

 “Que o Deus da esperança vos encha de toda alegria e paz em vossa vida de fé. Assim, vossa esperança transbordará, pelo poder do Espírito Santo” (Rm 15,13). 

 Amados irmãos e irmãs, “chamados a uma só esperança” (Ef 4,4) na nossa fé:

Com esta minha primeira carta do ano quero propor-lhes à reflexão um tema, componente essencial das aspirações mais profundas de todo ser humano: a esperança. Que razões motivam minha proposta? 

A primeira porque, como disse, a esperança nasce com a criatura humana e com ela vai ao túmulo, sempre buscando sua plena realização como pessoa. Aliás, um ditado popular diz que “a esperança é a última que morre”! No foco dessa constante procura estão seus desejos e suas ambições; suas conquistas e frustrações; suas perdas e seus ganhos; seus amores e seus ódios; suas ilusões e suas decepções; seus sonhos e suas realidades, assim como seus novos projetos de vida: “amanhã será melhor”; “amanhã começarei de novo”; “amanhã mudo os rumos da minha vida” e por ai vão as promessas, depois nem sempre cumpridas! 

 A segunda por estar a esperança sempre presente no início de um novo ano: todos alimentamos a esperança de que este será melhor que aquele que passou. Para usar um lugar comum: nestes momentos tudo fala de esperança. E fala quase sempre no singular: todos os meus sonhos irão tornar-se realidade; terei mais dinheiro no bolso; farei mais amigos; terei mais poder; hei de zelar melhor por minha saúde; conquistarei meu lugar ao sol, etc., enfim, será um ano de plena realização em todos os setores de minha vida. Aliás, não é dessa maneira que, ao entrar o novo ano, expressamos nossos votos com muitos abraços, ao som de muita música e ao estourar de muitos fogos de artifício e de muito champanhe, importado e caríssimo – não tem importância o preço! - para os ricos e poderosos e de faz-de-conta, falsificado, meio adocicado e artificialmente gaseificado, para os pobres?  

A terceira - que para nós, cristãos, é a fundamental - é que o início de um novo ano é ocasião providencial para aprofundarmos nossa reflexão sobre a esperança cristã, aquela que nasce no coração de Deus e, por isso, está entre as três virtudes teologais (teologal vem da língua grega theós que quer dizer Deus): a fé, a esperança e a caridade. É essa esperança à qual se refere São Paulo no texto acima e que em nós “transbordará pelo poder do Espírito Santo”. É neste contexto que, ao se iniciar este novo ano, podemos revisitar e encarnar a virtude da esperança tanto à luz da Palavra de Deus – acima citada – como à luz da nova Encíclica do Papa Bento XVI, “Spe Salvi”, sobre a esperança cristã.  

Não podendo comentar todo o texto dessa linda Encíclica de caráter emintemente teológico, comentemos alguns pontos mais oportunos para, neste início de um novo ano marcado por tantas mudanças na cultura e na sociedade, na mentalidade e no comportamento de todos nós, ajudar nossa meditação e aplicação em nossa vida pessoal, na das nossas comunidades e na teoria e prática dos nossos Movimentos eclesiais.  

Fica evidente, pelo seu próprio título – “É na esperança que fomos salvos” (Rm 8,24) -, que todo o seu conteúdo gira em torno da esperança. Leia e reflita você mesmo sobre algumas afirmações do Papa aplicáveis às circunstâncias e aos homens e mulheres desse novo tempo.  

Logo topamos com uma afirmação surpreendente: “...devemos escutar com um pouco mais de atenção o testemunho da Bíblia sobre a esperança. Esta é, de fato, uma palavra central da fé bíblica, aponto de, em várias passagens, ser possível intercambiar os termos ‘fé’ e ‘esperança” (n.2) . Porque surpreendente? Confesso minha alegre surpresa lendo essa afirmação. Durante toda minha vida sacerdotal, fiz questão de deixar clara tanto para mim mesmo como para meus ouvintes, a diferença entre fé e esperança, enquanto esta seria uma conseqüência daquela, sem se confundir uma com a outra. Agora, este que é, além de Pastor supremo da Igreja, um dos maiores teólogos contemporâneos, vem dizer-me que “Assim, a Carta aos Hebreus liga estreitamente a ‘plenitude da fé’ (10,22) com a ‘imutável profissão da esperança (10.23)”. E, mais ainda: “De igual modo, quando a Primeira Carta de Pedro exorta pos cristãos a estarem sempre prontos a responder a propósito do logo – o sentido e a razão – de sua esperança (1Pd3,15), ‘esperança’ equivale à ‘fé” (n.2).  Que conseqüência prática para nossa vida nasce dessa conclusão? Parece óbvia essa conseqüência desde que, pela fé, encontramos o Cristo Jesus e, pela fé, o reconhecemos com Filho de Deus: “Paulo lembra aos Efésios – diz o Papa – que, antes do seu encontro com Cristo, estavam ‘sem esperança e sem Deus no mundo” (Ef 2,12). Agora, iniciando um novo ano, posso ficar muito mais feliz e gratificado ao Senhor, pois, ao mesmo tempo em que digo “Eu creio”, estou, também, afirmando “Eu espero”! De agora por diante, ao rezar o Credo, estarei também reafirmando a minha esperança em Deus Pai, Filho e Espírito Santo! Eu creio!”“Eu espero”!  

Um outro ponto fundamental para nossa reflexão neste início de ano é verificar que quanto mais a humanidade vai avançando no progresso da ciência, da tecnologia e numa mal interpretada e vivida  liberdade, mais vai-se esquecendo de Deus, colocando-o de lado. Isso quer dizer que o ateísmo e a indiferença vão avançando e arrancando do coração do homem a autêntica esperança. Sobre esse fenômeno assim se expressa o Papa: “Nesse sentido, é verdade que quem não conhece a Deus, mesmo podendo ter muitas esperanças, no fundo está sem esperança, sem a grande esperança que sustenta toda a vida (cf.Ef 2,12). A verdadeira grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amor, e ama ainda agora “até o fim, “até a plena consumação” (cf.Jo 13,1 e 19,30) (n.27). Ao considerar as aspirações humanas nos diferentes estágios da vida terrena, e a insatisfação e o vazio resultantes do esforço para chegar à sua perfeição, o Papa conclui: “Torna-se evidente que o homem necessita de uma esperança que vá mais além. Vê-se que só algo de infinito pode bastar, algo que será sempre mais do que aquilo que ele alguma vez possa alcançar” (n.30). Em seguida, vem a resposta: “Mas, sem a grande esperança que deve superar todo o resto, aquelas não bastam. Esta grande esperança só pode ser Deus, que abraça o universo e nos pode propor e dar aquilo que, sozinhos, não podemos conseguir. Precisamente o ser gratificado com um dom faz parte da esperança. Deus é o fundamento da esperança... (n.31). Não podendo citar todos os pontos mais significativos dessa linda Carta do nosso Pastor, sugiro que meus queridos leitores façam dela uma leitura atenta aplicando-a a este novo tempo que estamos iniciando e à sua própria vida e de sua comunidade ou movimento eclesial. Leia-se, sobretudo, o texto sobre “Lugares de aprendizagem e de exercício da esperança” (n.31-42). 

Meus queridos e sempre lembrados leitores e leitoras: ao deixar-lhes estes dois breves pontos da Encíclica “É na esperança que fomos salvos”, desejo-lhes, ao mesmo tempo, um ano repleto das graças de Deus e de  todas as suas bênçãos  manifestando, ainda, aquilo que a Igreja espera de todos nós, católicos  latino-americanos, de nossas comunidades e de nossos movimentos: que sejamos discípulos missionários de Jesus Cristo para que nEle nossos povos tenham vida”! E que esse nosso grande Continente, continue sendo o “Continente da Esperança” e, ao mesmo tempo, um “Continente do amor”! E como o Papa, no final de sua Carta, invocamos Maria, nossa Mãe: “Assim, vós permaneceis no meio dos discípulos como a sua Mãe, como Mãe da esperança, Santa Maria, Mãe de Deus, Mãe nossa, ensinais-nos a crer, esperar e amar convosco. Indicai-nos o caminho para o seu Reino! Estrela do mar brilhai sobre nós e guiai-nos no nosso caminho!”   

Abraço fraterno do irmão, servo e amigo  

Pe.José Gilberto Beraldo

Assessor Nacional MCC

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.