Estatuto Social

CARTA MENSAL- FEVEREIRO DE 2008

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Carta MCC Brasil – Fev/2008 (102ª.)

 

 “Depois que João foi preso, Jesus veio para a Galiléia,  proclamando a Boa Nova de Deus:  ‘Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa-Nova’” (Mc 1, 14-15)  

Muito amados irmãos e irmãs, fiéis parceiros em nossa reflexão mensal:

  

Ainda vivendo os acordes da alegria do Natal, eis que, neste ano, já estamos para iniciar, agora mesmo no começo de fevereiro, o período quaresmal que nos levará à memória da Ressurreição do Senhor Jesus, celebração da vitória da Vida sobre a morte; do homem novo sobre o homem velho. É São Paulo que nos convida: “Assim, celebremos a festa, não com o velho fermento nem com o fermento da maldade ou da iniqüidade, mas com os pães ázimos da sinceridade e da verdade” (1Cor 5,8).

  

Outra vez, pela palavra de Jesus, somos chamados à conversão e a crer na Boa Nova, pois o “Reino de Deus está próximo”. Aliás, o próprio Jesus é o único portador Reino de Deus. Logo na abertura do tempo quaresmal, na quarta-feira de cinzas, ao impor-nos as cinzas sobre a cabeça, o celebrante vai convidar-nos à conversão com palavras fortes: “Converte-te e crê no Evangelho”. Proponho, pois, alguns pontos que poderão ajudar-nos a refletir sobre a conversão.

  

1. Converter-se é mais do que fazer bons propósitos, receber os sacramentos ou praticar outros atos de piedade. Esses atos deverão servir de auxílio indispensável para que você tenha forças para perseverar na conversão. Converter-se é mudar radicalmente de vida. A mudança de vida, porém, não acontece num repente. Mudar de vida é traçar um novo projeto, assumir um novo processo – que pode durar a vida toda – de olhar o mundo, as pessoas, a história e os acontecimentos com o olhar de Deus. Em resumo: converter-se é tornar concreto, no dia-a-dia de sua vida, o próprio projeto de Jesus que se proclama “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14,6). De um projeto você cuida com carinho até que ele seja executado com perfeição. Assim deve ser tratado um novo projeto de vida.

  

2. Para que isso aconteça, é necessária uma mudança de mentalidade. Normalmente nossa mentalidade, ou seja, a nossa maneira de pensar, de ver e de julgar pessoas e acontecimentos, é uma mentalidade que está de acordo com os valores que o mundo, a cultura, os costumes ou a nossa educação nos apresentam. Geralmente, visto a partir dos critérios do mundo moderno, tudo isso está longe daquilo que Jesus nos propõe e que são os valores do Reino de Deus. Converter-se, portanto, é trabalhar para que essa mentalidade mude radicalmente no sentido de que, desde o primeiro propósito de conversão, comecemos a assumir os caminhos de seguimento de Jesus. Para simplificar, eu diria que converter-se e crer na Boa Nova exigem duas atitudes: a primeira é conhecer a Boa Nova, isto é, conhecer os valores do Evangelho (amor, justiça, perdão, solidariedade, humildade, etc.); a segunda consiste em perguntar-se a si mesmo – diante de determinadas circunstâncias de vida ou de alguma decisão a tomar: o que Jesus faria aqui e agora se estivesse no meu lugar?

 

 

3. Ao mesmo tempo, a conversão leva a alimentar uma mentalidade de mudança. Ou seja, diante da vertiginosa mudança de valores, de critérios, de paradigmas de vida e de ação que estamos assistindo e na qual, queiramos ou não, estamos envolvidos, devemos estar sempre dispostos e abertos à voz de Deus que nos fala através dos acontecimentos, dos “sinais dos tempos”, da palavra dos nossos Pastores e Mestres na fé. Uma coisa era converter-se nos anos passados, outra coisa é converter-se nos dias de hoje. Inspirações, métodos ou caminhos do passado, geralmente já não servem para os nossos dias. Nem para as pessoas, nem para as culturas, nem sequer para instituições ou movimentos eclesiais de hoje. Portanto, converter-se é, também, alimentar uma sábia, prudente e madura mentalidade de mudança.

  

4. Providencialmente, estou escrevendo esta carta no dia da Conversão de São Paulo que, atingido pela força da graça de Deus, mudou radicalmente não só sua mentalidade, mas toda a sua vida: de perseguidor dos seguidores de Jesus, passou a ser discípulo missionário do Reino de Deus. Seu ódio converteu-se em amor, e o serviço aos poderes do mal se transformou em serviço ao Evangelho pela doação total e irrevogável de sua vida. Por isso, São Paulo Apóstolo foi declarado Patrono do Movimento de Cursilhos de Cristandade. Supõe-se, pois, que aqueles e aquelas que participam deste Movimento eclesial saibam orientar a sua vida numa linha de autêntica conversão que os leve a uma mudança de mentalidade e a uma mentalidade de mudança. Para isso, temos não somente toda a quaresma, mas toda a vida também. Para que, convertidos como São Paulo, nos tornemos como ele, discípulos-missionários e apóstolos da Boa Nova!

  

E um lembrete final sem necessidade de qualquer consideração, pois todas as forças vivas da Igreja estarão voltadas para o assunto. A Igreja no Brasil promove todos os anos, na Quaresma, a Campanha da Fraternidade, “cuja finalidade principal é vivenciar e assumir a dimensão comunitária e social da Quaresma”. Neste ano, ela gira em torno de VIDA, tendo por lema “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19) e por Tema “Fraternidade e defesa da vida”.

  

Meus queridos irmãos: para trabalhar nossa autêntica e integral conversão, aproveitemos este tempo quaresmal para intensificar a nossa oração e praticar o verdadeiro jejum indicado pelo próprio Jesus mas, especialmente, abrindo o coração para o amor e o perdão e as mãos para as obras de misericórdia!

  

Concluo desejando que todos, acompanhados por Maria, Mãe da Igreja e nossa Mãe, possamos celebrar uma santa Quaresma de conversão, prelúdio das santas festas pascais, centro da nossa fé cristã, com tudo o que ela traz de Vida e Ressurreição à luz da Ressurreição do Senhor Jesus!

Do irmão, amigo e servidor,

  Pe.José Gilberto Beraldo

Assessor Eclesiástico MCC

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