Estatuto Social

CARTA MENSAL - MARÇO 2008

Avaliação do Usuário

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 
“ Vós morrestes e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós apareceis também com ele, revestidos de glória” (Cl 3,3-4). 

Meus queridos irmão e irmãs, amáveis leitores:

 

Desejo a todos vocês que, depois de uma quaresma intensamente vivida, celebrem uma Páscoa santamente esperada para que possa ser sempre alegremente vivida na esperança de um novo tempo! 

 

Ao terminar o tempo da quaresma, a alegria da ressurreição de Jesus, a Páscoa do Cordeiro imolado por amor, vão inundar e iluminar o discípulo fazendo nele renascer a alegria e a esperança de uma nova vida. Mas – poderíamos perguntar-nos - que vida nova será essa que tanta alegria nos traz e que esperança vai alimentá-la? Proponho, pois, que nesta carta escrita num tempo tão especial, reflitamos sobre estes três pontos: a vida de ressuscitados com Cristo; a alegria de ser discípulos do Ressuscitado e a “Esperança na qual fomos salvos” (Rm 8,24).

 

1. A vida – trata-se da vida em plenitude, isto é, de um sopro que anima todo ser humano. Mas, sobretudo, da própria vida dEle que nos anima e nos salva depois que, pela ingratidão e pela fraqueza humana, demos as costas para a salvação e nos tornamos escravos de pecado e do “fermento dos fariseus que  é a hipocrisia”. Sobre esse fermento, Jesus já nos advertia ao afirmar que tomar cuidado com ele (Lc 12,2). A vida de Jesus em nós é a graça divina que não só nos anima, mas que, em nós, restaura a dignidade de filhos de Deus e nos introduz no mistério de sua divindade. De fato, assim pedimos na hora das oferendas durante a celebração eucarística: “Pelo mistério desta água e deste vinho possamos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade”. Que dignidade a nossa e, ao mesmo tempo, que responsabilidade temos em viver esse tesouro inestimável! A ressurreição de Jesus, a Páscoa da vida, vem introduzir-nos, de novo, no mistério de sua divindade; vem alimentar-nos e fortalecer-nos na peregrinação terrestre rumo ao Reino definitivo ao mesmo tempo que nos renova a cada dia. Não nos esqueçamos que “nossa vida está escondida, com Cristo, em Deus” como afirma São Paulo. E, até que, “com Ele, apareçamos revestidos de glória”, somos alimentados e fortalecidos pela Palavra de Deus e pelo seu Corpo e Sangue na Eucaristia.   

2. A alegria – nossa alegria de ressuscitados com Cristo esta maravilhosamente expressada no numero 29 do Documento de Aparecida: “Desejamos que a alegria que recebemos no encontro com Jesus Cristo, a quem reconhecemos como o Filho de Deus encarnado e redentor, chegue a todos os homens e mulheres feridos pelas adversidades; desejamos que a alegria da boa nova do Reino de Deus, de Jesus Cristo vencedor do pecado e da morte, chegue a todos quantos jazem à beira do caminho, pedindo esmola e compaixão (cf. Lc 10,29-37;18,25-43)”. Somos chamados, então, a sermos missionários da alegria, ou seja, missionários da alegre Notícia que é o próprio Jesus. Portanto, missionários da VIDA entendida na sua plenitude: tanto uma vida humana perfeita e respeitada desde a sua concepção no seio materno até seu fim, pela morte, como uma vida divina concretizada na graça de Deus.  Minha já longa pratica pastoral de cinqüenta anos de sacerdócio ministerial ensina-me que muitos católicos vivem muito mais preocupados com o peso e as obrigações da Lei e por isso, escravizados a preceitos e normas, do que ocupados em viver a alegria de ter encontrado Jesus, fonte da verdadeira liberdade. Vamos ler, mais uma vez, as palavras com que o Documento de Aparecida encerra o parágrafo já citado: “Conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa grande alegria”. A Páscoa, consciente e santamente celebrada, provoca no discípulo a indizível alegria de viver com, por e em Cristo ressuscitado, levando-o a ser um alegre missionário que partilha com os demais sua própria vida ressuscitada em Cristo, como “Maria Madalena a outra Maria”, que, ao ouvir a voz do anjo anunciando que “Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito”, “saíram às pressas do túmulo, com sentimentos de temor e de grande alegria, correndo para dar a notícia aos discípulos” (cf. Mt 28, 5-8).   

3. A esperança – tanto quanto a fé,é fundamental para nossa vida de discípulos missionários ressuscitados com Jesus, a “esperança na qual fomos salvos” (Rm 8,24). Nosso Papa Bento XVI escreveu sua segunda Encíclica sobre a esperança e logo no parágrafo 2 começa dizendo que “esta é, de fato, uma palavra central de fé bíblica, a ponto de, em várias passagens, ser possível intercambiar os termos “fé” e “esperança”. Continua o Papa: “Assim, a Carta aos Hebreus liga estreitamente a ‘plenitude da fé’ (10,22) com a ‘imutável profissão da esperança’ (10,23)”. E o Papa termina com palavras que ressoam o acontecimento da ressurreição: “Isto significa que o Evangelho não é apenas uma comunicação de realidades que se podem saber, mas uma comunicação que gera fatos e muda a vida”. A porta tenebrosa do tempo, do futuro, foi aberta de par em par. Quem tem esperança vive diversamente. Foi-lhe dada uma vida nova”. Lidas essas palavras à luz da Páscoa de Ressurreição, significam para os discípulos missionários mais do que a comunicação da ressurreição de Jesus, e, sim, que esta é uma verdadeira passagem para uma vida nova. Apesar de uma cultura de morte na qual estamos imersos e que todos os dias respiramos e transpiramos, a Ressurreição de Jesus renova em nós e no mundo a esperança da vida e da alegria, a esperança de que “Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós apareceis também com ele, revestidos de glória” (Cl 3,3-4); a esperança de “um novo céu e uma nova terra”, pois “Ele enxugará toda lagrima dos seus olhos. A morte já não existirá mais e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram” (Ap 21, 1.4).

 

Queridos irmãos e queridas irmãs: termino desejando a todos um santo final de quaresma e uma Páscoa de ressuscitados em Cristo para uma vida nova, para uma indizível alegria e para uma esperança sem fim!

 

Um carinhoso abraço pascal do irmão e amigo em Cristo Ressuscitado

 

 

Pe.José Gilberto BERALDO

Assessor Nacional MCC do Brasil

E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.