Estatuto Social

Carta Mensal - Maio 2008

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“Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar... Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava... todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos  falar em sua própria língua...” (At 2,1.3.6)  Muito amados irmãos e irmãs:  Já envolvido pelo clima de uma nova manifestação do Divino Espírito Santo, no dia de Pentecostes, desejo saudá-los com muito carinho! A festa de Pentecostes, isto é, a festa do envio do Espírito Santo aos Apóstolos acontece cinqüenta dias depois da Páscoa da Ressurreição de Jesus. Neste ano, celebramos esta grande festa no segundo domingo deste mês de maio. Todos os anos, desde que tomei consciência de meu ser cristão, ao ler o episódio descrito por São Lucas nos Atos dos Apóstolos, sinto que se renova em mim - e, penso, em cada seguidor de Jesus a quem Ele havia prometido o ”Espírito que viria para ensinar toda a verdade” (Cf. Jo 14,25) -, a mesma certeza de plenitude, de uma nova “invasão” do Espírito Santo através dos seus dons. Essa sensação fortalece a minha certeza de que a manifestação e a ação do Espírito de Deus continuam vivas e dinâmicas na história e na pessoa de todos os discípulos missionários de Jesus. Mas, você poderá perguntar, como e onde acontecem essa manifestação e ação? por que a gente não vê “línguas de fogo pousando em nossas cabeças”? Ou então: por que, normalmente, não saímos “falando em outras línguas” sem tê-las estudado durante alguns anos? Para a essas duas perguntas tão naturais, tentarei responder em dois pontos e com uma oração.1. Um primeiro ponto da resposta diz respeito à própria pessoa do cristão que, em virtude do sacramento do batismo e, sobretudo, da crisma ou confirmação, recebe os sete dons do Espírito Santo, isto é, os dons da Sabedoria que nos leva ao verdadeiro conhecimento de Deus e a buscar os reais valores da vida; da Inteligência que faz com que entendamos e compreendamos as verdades da salvação, reveladas na Sagrada Escritura e nos ensinamentos da Igreja; da Ciência que nos dá a capacidade de descobrir, inventar, recriar formas, maneiras para ajudar a salvar o ser humano e a natureza; do Conselho que é o dom de orientar e ajudar a quem precisa; da Fortaleza que nos torna fortes e corajosos para enfrentar as dificuldades da fé e da vida; da Piedade, precioso dom da intimidade e da experiência de Deus, que nos coloca numa atitude de filhos buscando um dialogo profundo e íntimo com Deus, acendendo em nós o fogo do amor a Deus e aos irmãos; e, finalmente, do Temor de Deus que nos dá a consciência de quanto Deus nos ama: "Ele nos amou antes de tudo" (Cf. 1Jo 4,10). Por isso, precisamos corresponder a este amor. Meu irmão, minha irmã: reflita demoradamente sobre esses sete dons e procure fazer deles uma experiência diária. Minha experiência pessoal me diz que você estará vivenciando um novo Pentecostes. Deixe arder o seu coração com o fogo do Espírito Santo! 2. O segundo ponto da resposta está na Igreja, Povo de Deus, herdeira daquele primeiro Pentecostes, continuadora da missão do próprio Jesus e veiculo legitimo da ação e manifestação do Espírito Santo. Mais concretamente, através da Palavra de Deus e dos seus legítimos Pastores, o Divino Espírito indica-nos, com clareza, os caminhos a seguir. Mais próximo de nós, temos o Documento conclusivo da V Conferência dos Bispos da América Latina e do Caribe, chamado de Documento de Aparecida (DA). Ele é considerado como um “novo Pentecostes” para a Igreja do nosso Continente, portanto é, para nós, é a fonte inspiradora de nossa ação evangelizadora. Cito apenas quatro parágrafos que, com certeza, vão iluminar nossos caminhos para uma ação missionária eficaz, sobretudo através dos nossos Movimentos e Comunidades eclesiais.  a) Coragem para a missão - “O Espírito na Igreja forja missionários decididos e valentes como Pedro (cf. At 4,13) e Paulo (cf. At 13,9), indica os lugares que devem ser evangelizados e escolhe aqueles que devem fazê-lo (cf. At 13,2)” (DA 150). Você se reconhece como esse discípulo missionário? Qual o lugar de sua missão?b) Comunidades todas elas missionárias - “O Espírito Santo que atua em Jesus Cristo é também enviado a todos enquanto membros da comunidade, porque sua ação não se limita ao âmbito individual. A tarefa missionária se abre sempre às comunidades, assim como ocorreu no Pentecostes” (cf. At 2,1-13). (DA 171). Seu movimento ou associação estão abertos a essa “tarefa missionária”, dispostos a renunciar mentalidades ultrapassadas e a assumir o novo?c) Esperança de um novo Pentecostes - “Necessitamos desenvolver a dimensão missionária da vida de Cristo. A Igreja necessita de uma forte comoção que a impeça de se instalar na comodidade, no estancamento e na indiferença, à margem do sofrimento dos pobres do Continente. Necessitamos que cada comunidade cristã se transforme num poderoso centro de irradiação da vida em Cristo. Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusão, da acomodação ao ambiente; esperamos uma vinda do Espírito que renove nossa alegria e nossa esperança (Jo 17,21)”. (DA 362). Você e seu Movimento estão dispostos a superar esses obstáculos? d) Finalmente, o grande  apelo para todos nós e para todos os Movimentos eclesiais -“...Não podemos deixar de aproveitar esta hora de graça. Necessitamos de um novo Pentecostes!  Necessitamos sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de “sentido”, de verdade e de amor, de alegria e de esperança!  Não podemos ficar tranqüilos em espera passiva em nossos templos, mas é imperativo ir em todas as direções para proclamar que o mal e a morte não tem a última palavra, que o amor é mais forte, que fomos libertos e salvos pela vitória pascal do Senhor da história, que Ele nos convoca na Igreja, e quer multiplicar o número de seus discípulos na construção de seu Reino em nosso Continente! Somos testemunhas e missionários: nas grandes cidades e nos campos, nas montanhas e florestas de nossa América, em todos os ambientes da convivência social, nos mais diversos “lugares” da vida pública das nações, nas  situações extremas da existência, assumindo ad gentes nossa solicitude pela missão universal da Igreja” (DA 548). Como haveremos de responder, cada um e os nossos Movimentos, a esse urgente apelo da nossa Igreja? À luz dessa nossa reflexão, quero terminar rezando junto com vocês, a oração da missa do dia de Pentecostes, logo após as duas primeiras leituras, chamada “Seqüência”,: “Espírito de Deus, enviai dos céus um raio de luz! Vinde, Pai dos pobres, dai aos corações vossos sete dons. Consolo que acalma, hospede da alma, doce alívio, vinde! No labor descanso, na aflição remanso, no calor aragem. Enchei, luz bendita, chama que crepita, o íntimo de nós! Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele. Ao sujo lavai, ao seco regai, curai o doente. Dobrai o que é duro, guiai no escuro, o frio aquecei. Dai à vossa Igreja, que espera e deseja, os vossos sete dons. Dai em prêmio ao forte uma santa morte, alegria eterna. Amém.” 

A todos desejo um feliz Pentecostes, repleto do Espírito Santo, com meu abraço de irmão e amigo de todos

Pe.José Gilberto Beraldo

Assessor Nacional MCC do Brasil