Estatuto Social

Carta Mensal - Junho 2008

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Carta Jun/08 (106ª.)

“Porque a minha carne é verdadeira comida

e o meu sangue, verdadeira bebida.

Quem come a min há carne e bebe o meu sangue

permanece em mim e eu nele” (Jo 6, 55-56).

Amados irmãos e irmãs, comensais do mesmo banquete do Corpo e Sangue de Jesus!

Começo a escrever esta carta no dia de Corpus Christi (maio) já tendo diante dos olhos e na mente

que neste mês de junho acontecerá em Quebec (Canadá), mais um Congresso Eucarístico

Internacional. Ainda que celebrado em uma determinada nação, e ainda que um número

relativamente limitado de fiéis católicos possa dele participar, constitui-se num importante

acontecimento de toda a Igreja. Ademais, é um momento precioso e providencial para uma reflexão

mais aprofundada sobre a sagrada Eucaristia, “coração da Igreja e a fonte da evangelização”.

Proponho, portanto, aos meus caros leitores e leitoras que, mais uma vez - e nunca o fazemos

suficientemente -, reflitamos juntos sobre alguns pontos deste que é o profundo “mistério da nossa

fé”. E que o façamos auxiliados pelas oportunas considerações sobre a Eucaristia contidas no

Documento de Aparecida (DA) que está encaminhando toda a atividade missionária da Igreja na

América Latina e do Caribe, começando pelas próprias palavras do Papa Bento XVI no seu

Discurso Inaugural da V Conferência:
“Só da Eucaristia brotará a civilização do amor que

transformará a América Latina e o Caribe para que, além de ser o Continente da Esperança, seja

também o Continente do Amor”.
Leia com atenção, saboreie com gosto e procure refletir

demoradamente – um ponto por dia – os cinco que enumero a seguir.

1. A Eucaristia é um “lugar” preparado pelo Pai para um encontro com Cristo - O DA dedica

o capítulo VI à “formação dos discípulos” de Jesus. A primeira condição para que alguém se forme

é encontrar-se com alguém. O aluno deve encontrar-se com o professor. Caso contrário, com é que

ele vai poder formar-se? Assim também o discípulo de Jesus: deve encontrar-se com Ele. No DA

são citados vários “lugares de encontro”. O primeiro é a Palavra de Deus. Em seguida, a Eucaristia:

“A Eucaristia é o lugar privilegiado do encontro do discípulo com Jesus Cristo. Com este

Sacramento, Jesus nos atrai para si e nos faz entrar em seu dinamismo em relação a Deus e ao

próximo. Há um estreito vínculo entre as três dimensões da vocação cristã: crer, celebrar e viver o

mistério de Jesus Cristo, de tal modo, que a existência cristã adquira verdadeiramente uma forma

eucarística. Em cada Eucaristia, os cristãos celebram e assumem o mistério pascal, participando

n’Ele. Portanto, os fiéis devem viver sua fé na centralidade do mistério pascal de Cristo através da

Eucaristia, de maneira que toda sua vida seja cada vez mais vida eucarística. A Eucaristia, fonte

inesgotável da vocação cristã é, ao mesmo tempo, fonte inextinguível do impulso missionário. Ali, o

Espírito Santo fortalece a identidade do discípulo e desperta nele a decidida vontade de anunciar

com audácia aos demais o que tem escutado e vivido” (DA 251).

2. Os discípulos missionários são membros do mesmo Corpo, irmãos e irmãs de uma mesma

família e se alimentam do mesmo “Pão” e do mesmo “Vinho”
“Igual às primeiras

comunidades de cristãos, hoje nos reunimos assiduamente para “escutar o ensinamento dos

apóstolos, viver unidos e participar do partir do pão e nas orações” (At 2,42). A comunhão da

Igreja se nutre com o Pão da Palavra de Deus e com o Pão do Corpo de Cristo. A Eucaristia,

participação de todos no mesmo Pão de Vida e no mesmo Cálice de Salvação, faz-nos membros do

mesmo Corpo (cf. 1 Cor 10,17). Ela é a fonte e o ponto mais alto da vida cristã, sua expressão mais

perfeita e o alimento da vida em comunhão. Na Eucaristia, nutrem-se as novas relações

evangélicas que surgem do fato de sermos filhos e filhas do Pai e irmãos e irmãs em Cristo. A

Igreja que a celebra é “casa e escola de comunhão” onde os discípulos compartilham a mesma fé,

esperança e amor a serviço da missão evangelizadora” (DA158).

3. Movimentos e Comunidades eclesiais não duram muito tempo se a Eucaristia não for o

centro de sua vida e, portanto, de suas atividades
“Como resposta às exigências da

evangelização, junto com as comunidades eclesiais de base, existem outras formas válidas de

pequenas comunidades, e inclusive redes de comunidades, de movimentos, grupos de vida, de

oração e de reflexão da palavra de Deus. Todas as comunidades e grupos eclesiais darão fruto na

medida em que a Eucaristia seja o centro de sua vida e a Palavra de Deus seja o farol de seu

caminho e sua atuação na única Igreja de Cristo” (DA 180).

4. Segredos para ser reconhecido como discípulo de Jesus - ”Como características do discípulo

que indica a iniciação cristã destacamos; que ele tenha como centro a pessoa de Jesus Cristo,

nosso Salvador e plenitude de nossa humanidade, fonte de toda maturidade humana e cristã; que

tenha o espírito de oração, seja amante da Palavra, pratique a confissão freqüente e participe da

Eucaristia; que se insira cordialmente na comunidade eclesial e social, seja solidário no amor e

um fervoroso missionário” (DA 292).

5. Não é possível ser discípulo sem ser, ao mesmo tempo, missionário. A força para assumir e

cumprir a missão que nos foi confiada pelo Mestre está numa fonte inesgotável: a Eucaristia –

“A força deste anúncio de vida será fecundo se o fazemos da forma adequada, com as atitudes do

Mestre, tendo sempre a Eucaristia como fonte e alvo de toda atividade missionária. Invocamos o

Espírito Santo para poder dar um testemunho de proximidade que entranha proximidade afetuosa,

escuta, humildade, solidariedade, compaixão, diálogo, reconciliação, compromisso com a justiça

social e capacidade de compartilhar, como Jesus fez. Ele continua convocando, continua

oferecendo incessantemente uma vida digna e plena para todos. Nós somos agora, na América

Latina e no Caribe, seus discípulos e discípulas, chamados a navegar mar adentro para uma pesca

abundante. Trata-se de sair de nossa consciência isolada e de nos lançarmos com ousadia e

confiança à missão de toda a Igreja”
(DA 292).

Desejando que essas reflexões, inspiradas na rica fonte do Documento de Aparecida, sirvam de

alimento para a vida de cada um de vocês, queridos irmãos e irmãs, discípulos missionários que são,

despeço-me com um carinhoso abraço

Pe.José Gilberto Beraldo

Assessor Eclesiástico Nacional MCC

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