Estatuto Social

Carta Mensal - Agosto 2008

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Carta Ago/2008 – (108ª.)

“Senhor, que queres que faça?” (At 22,10). “Eis porque não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos do seu chamado (vocação) e, por seu poder, vos leve a realizar todo o bem que desejais fazer e a obra da vossa fé” (2 Ts 1,11).  Amados irmãos e irmãs, chamados à santidade pela bondade e misericórdia do nosso Deus! No Mês de agosto a Igreja no Brasil celebra o Mês das Vocações. Vocações sacerdotais, vocações para religiosos e religiosas, consagrados e consagradas e vocações laicais. Por feliz coincidência, nesse ano também, estamos celebrando o Ano Santo Paulino, aberto solenemente no dia 28 de junho pelo Papa Bento XVI, lembrando os dois mil anos do nascimento de São Paulo, o grande vocacionado, discípulo e missionário. Não é aqui o lugar de tratarmos de peregrinações em honra de São Paulo ou das indulgências concedidas aos fieis em determinadas circunstâncias. Sob a ótica da “vocação”, proponho que reflitamos brevemente sobre dois pontos fundamentais: a vocação de São Paulo, sua conversão para o discipulado e seu zelo missionário pelo Reino de Deus, e a vocação de cada cristão e cristã e suas conseqüências para os Movimentos e Comunidades eclesiais. 1. Paulo, chamado para ser discípulo e missionário – Os textos tanto dos Atos como o de Paulo aos Tessalonicenses acima citados são a própria fotografia de Paulo: não só foi digno da vocação a que foi tão inesperadamente chamado pelo Senhor, a quem ele teimava em perseguir na pessoa dos seguidores de Jesus, como, depois de indagar “Senhor, que queres que eu faça?”, realizou “todo o bem que desejou e fez a obra de sua fé” dando uma resposta, não só generosa, mas incondicional e radical ao apelo de Deus. Para seguir Jesus e ser seu discípulo, muito mais que barcos velhos e redes remendadas, Paulo renunciou a posições privilegiadas na sociedade de então, pessoa que era da confiança dos grandes da coorte e do Templo de Jerusalém.  A partir dessa conversão definitiva, todos sabemos quem foi Paulo e conhecemos a obra que, com a graça de Deus, ele realizou. Nele, que abandonou os “caminhos de Damasco” deixando para trás o nome de Saulo, isto é, abandonou os caminhos do ódio, da violência, da vingança e da perseguição, encontramos fielmente reproduzidos os caminhos que o nosso Documento de Aparecida nos pede: um encontro pessoal com Jesus; ardor apaixonado experimentando a alegria indescritível em levar os demais para esse mesmo encontro[1]; conversão para o discipulado e para uma doação missionária sem fronteiras. A você, meu irmão, minha irmã, cabe a decisão: ou continuar no “caminho de Damasco” ou buscar os caminhos que o levarão ao encontro com o próprio Jesus Cristo, nosso verdadeiro Caminho, nossa única Verdade, nossa autêntica Vida! São Paulo Apostolo, autêntico discípulo e generoso missionário, rogai por nós!      2. A vocação do cristão, seguidor e missionário de Jesus – Talvez nenhum de nós tenha experimentado da mesma maneira que São Paulo o tremendo impacto da conversão vivido por ele no caminho de Damasco. Mas, através do olhar e do sentido comum da fé, sabemos que Deus nos chamou no momento do batismo e continua a nos chamar nas diferentes circunstancias da nossa vida e nos diversos acontecimentos da história. Se, então, ainda, não tínhamos consciência desse chamado, agora sim, como Paulo, podemos responder generosamente: “Eis-me aqui, Senhor, que queres que eu faça”? São nossos Pastores, em Aparecida, que nos advertem: “Como discípulos e missionários, somos chamados a intensificar nossa resposta de fé e anunciar que Cristo redimiu todos os pecados e males da humanidade, “no aspecto mais paradoxal de seu mistério, a hora da cruz. O grito de Jesus: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Mc 15,34) não revela a angústia de um desesperado, mas a oração do Filho que oferece a sua vida ao Pai no amor para a salvação de todos[2]. É mais do que hora de ouvirmos a voz do Espírito de Deus que nos chama à santidade, que clama pela urgência de sairmos dos braços cruzados da acomodação, de abandonarmos os laços traiçoeiros da preguiça, de libertar-nos das terríveis cadeias da indiferença: “A Igreja necessita de forte comoção que a impeça de se instalar na comodidade, no estancamento e na indiferença, à margem dos pobres do nosso Continente. Necessitamos que cada comunidade cristã se transforme num poderoso centro de irradiação da vida em Cristo. Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusão, da acomodação ao ambiente; esperamos uma vinda do Espírito que renove nossa alegria e nossa esperança. Por isso, é imperioso assegurar calorosos espaços de oração comunitária que alimentem o fogo de um ardor incontido e tornem possível um atrativo testemunho de unidade “para que o mundo creia” (Jo 17,21)[3]. É mais do que hora de nos lançarmos no caudaloso rio da história contemporânea no qual estamos imersos para ali fazer presente a mensagem libertadora de Jesus. Que não digam de nós os que vierem depois de nós que, por nossa omissão, esse tempo da história passou sem Cristo! São Paulo Apóstolo é o nosso exemplo e mestre na ousadia da paixão missionária. 3. A vocação dos Movimentos eclesiais na América Latina – A conversão de São Paulo e sua vocação, bem como a conversão de cada cristão devem levar-nos a refletir sobre a conversão dos nossos Movimentos e Comunidades eclesiais pelo simples fato de serem formados por aqueles mesmos cristãos e cristãs vocacionados para o seguimento de Jesus e para a anúncio de sua mensagem. Permitam-me citar, aqui, especificamente, o Movimento de Cursilhos, do qual São Paulo Apóstolo foi declarado Patrono pelo Papa Paulo VI, na Ultréia Mundial de 1966. E o foi precisamente pelos aspectos sugestivos de sua conversão e de sua resposta imediata e generosa ao chamado de Deus. E em que pontos deveriam os mesmos Movimentos e Comunidades eclesiais – todos, sem exceção - converter-se? Voltemos mais uma vez ao Documento de Aparecida que, hoje, constitui-se no documento pastoral mais importante para toda a Igreja na América Latina e no Caribe. Lá está, com todas as letras: “Esta firme decisão missionária deve impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais de dioceses, paróquias, comunidades religiosas, movimentos e de qualquer instituição da Igreja. Nenhuma comunidade deve se isentar de entrar decididamente, com todas suas forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé”[4].  Nenhum Movimento, portanto, ou Comunidade eclesial, ainda que sempre respeitosos ao seu carisma e objetivos, estão isentos dessa convocação. Todos encontrarão, com certeza, os melhores caminhos para responder a este apelo crucial de nossa Igreja que ousa afirmar: “Necessitamos de um novo Pentecostes![5]. Não é só um desafio para uma simples adaptação e, sim, para uma verdadeira conversão e renovação pastoral de Movimentos e Comunidades se quiserem ser fiéis à voz do espírito Santo; ser fiéis à vocação para a qual foram chamados. Que a valiosa intercessão de São Paulo, Apóstolo e Missionário, sobretudo neste Ano Paulino, alcance do Senhor Jesus para todos nós, a graça da conversão pessoal e pastoral!Deixo a todos meu abraço fraterno sob o manto de Maria, a primeira discípula  evangelizadora! 
Pe. José Gilberto BeraldoAssessor Eclesiástico Nacional MCC do Brasil

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