Estatuto Social

Carta Mensal - Outubro 2008

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Carta Out/08 (110ª.)

  “E disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura! ...Então os discípulos foram anunciar Boa Nova por toda a parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra pelos sinais que a acompanhavam”  (Mc 16,15.20).  

 Meus amados irmãos e irmãs, perseverantes leitores e leitoras:

 

 

Que todos tenhamos a coragem e valentia de seguir a Cristo, vivendo plenamente a nossa missão de enviados! 

  

Acabamos de celebrar o Mês da Bíblia, isto é, o mês dedicado especialmente a ouvir, refletir e assimilar a Palavra de Deus. Como que uma decorrência necessária do nosso compromisso com a Palavra, entramos, agora, no lindo Mês das Missões. Proponho alguns pontos para nossa reflexão mensal. 

 

1. A emotiva lembrança das “Missões” - Não há muito tempo, ao falar em “missões”, imediatamente se evocava, com admiração, a aventura daqueles e daquelas que deixavam (e ainda continuam deixando...) família, pátria e, até, uma vida estabilizada para entregar-se ao anúncio da Boa Notícia em geografias distantes: “E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna” (Mt 19,29).  Lembro-me, como se fora ontem, da emoção e de uma santa inveja que invadia minha alma quando, ainda seminarista, tinha a oportunidade de ajudar a missa – em latim, é claro! - daqueles santos missionários dominicanos (alguns já quase alquebrados pela idade e pelos penosos trabalhos apostólicos) que, para umas horas de descanso no meio da viagem, passavam pelo seminário, ali celebravam a missa para, em seguida, partir para as missões na longínqua –naqueles tempos já distantes!- Conceição do Araguaia! Mantenho ainda acesa no coração a certeza de que o testemunho daqueles homens abnegados que assumiram radicalmente a causa do Reino de Deus em muito contribuiu para que eu pudesse, hoje, estar às vésperas de minhas Bodas de Ouro sacerdotais! E, por tocar neste assunto, ouso recomendar-me às orações de todos os meus queridos leitores e leitoras, sobretudo no dia 20 de dezembro próximo! Quero senti-los todos muito juntos de mim, aliás, muito dentro do meu coração naquele dia. 

  2. O discípulo missionário de hoje - Mas, ao falarmos, hoje, de “missões” estamos falando do anúncio da Boa Notícia do Reino de Deus àqueles e àquelas que estão ao nosso lado, na família, nos ambientes de trabalho e de lutas cotidianas. Para essa missão somos todos chamados uma vez que, batizados, nos tornamos, também, missionários. É bom que nos lembremos que, depois do Mês da Bíblia, vem o das Missões, isto é, não esqueçamos que da Palavra nasce a missão. Como aos doze, é a cada um de nós que Ele chama, hoje: “Ele chamou os Doze, começou a enviá-los dois a dois e deu-lhes poder sobre os espíritos impuros...Eles então saíram para proclamar que o povo se convertesse” (Mc 6,7.12). Nosso Documento de Aparecida está ai para, com seu lema, lembrar-nos  constantemente nossa missão: “Discípulos missionários de Jesus Cristo para que nossos povos nEle tenham vida”. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). E o Papa Paulo VI, na sua admirável Exortação Apostólica “Evangelização no Mundo Contemporâneo” tem palavras claras e contundentes sobre a missão do discípulo: “Finalmente, aquele que foi evangelizado, por sua vez, evangeliza. Está nisso o teste de verdade, a pedra-de-toque da evangelização: não se pode conceber uma pessoa que tenha acolhido a Palavra e se tenha entregado ao reino sem se tornar alguém que testemunha e, por seu turno, anuncia essa Palavra” (EN 24).  

3. A Igreja toda missionária – Desnecessário enfatizar que o adjetivo “toda” refere-se, efetivamente, não apenas a determinadas pessoas ou instituições da Igreja, tais como bispos, padres, ou às freiras, pessoas de vida consagrada. Igreja, aqui, refere-se à “Igreja-pessoas”; “Igreja-pastorais”; “Igreja-Movimentos”; enfim, à Igreja-Comunidade do Povo de Deus. Digo isso porque ouço de alguns movimentos ou associações que seu carisma não é evangelizar. Nada mais equivocado. Diferem os instrumentos ou os métodos de evangelização. Mas o dever de evangelizar ou, se se preferir, o de ser missionária, é de todas as instituições, associações ou movimentos eclesiais. Por exemplo: assisto, como sacerdote, ao Movimento de Cursilhos de Cristandade que tem, pelo seu carisma, a missão de conscientizar as pessoas, levando-as à convicção de que são amadas por Deus e, assim, levá-las ao encontro com Cristo e com a comunidade para, então, serem missionárias nos seus ambientes. A expressão missionária do Movimento é “fermentar de evangelho os ambientes”, isto é, a de introduzir ns vários ambientes – familiar, profissional, social, etc. - pelo testemunho e pela palavra, através de “pequenas comunidades de fé” (grupos de cristãos do mesmo ambiente), critérios e valores do Evangelho. Isso se constitui num autêntico trabalho missionário. De novo, lembro palavras inspiradas do Papa Paulo VI na mesma Exortação já citada “A Igreja sabe-o bem, ela tem consciência viva de que a palavra do Salvador, "Eu devo anunciar a Boa Nova do reino de Deus", se lhe aplica com toda a verdade... Nós queremos confirmar, uma vez mais ainda, que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja"; tarefa e missão, que as amplas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgentes. Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. “Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na santa missa, que é o memorial da sua morte e gloriosa ressurreição” (EN14). E, definindo a evangelização, Paulo VI mostra que somente o testemunho não basta: “Entretanto isto permanecerá sempre insuficiente, pois ainda o mais belo testemunho virá a demonstrar-se impotente com o andar do tempo, se ele não vier a ser esclarecido, justificado, aquilo que São Pedro chamava dar "a razão da própria esperança", explicitado por um anúncio claro e inelutável do Senhor Jesus. Por conseguinte, a Boa Nova proclamada pelo testemunho da vida deverá, mais tarde ou mais cedo, ser proclamada pela palavra da vida. Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados” (EN22)

  

3. São Paulo Apóstolo, modelo de discípulo missionário – É muito pouco o espaço para mostrar o grande Apóstolo neste Ano Paulino, em que se celebram os dois mil anos do seu nascimento. Talvez, uma só frase poderia mostrar todas as dimensões dessa gigantesca pessoa de evangelizador. Como um estímulo para todos nós, discípulos e missionários que queremos ser, deixo-a aqui desejando que ela possa dar continuidade à nossa reflexão neste Mês das Missões: "Pois, anunciar o Evangelho não é para mim motivo de glória. É antes, uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho" (1Cor 9,16).

 

 

Com carinho para com todos,  meu abraço fraterno

  

Pe. José Gilberto Beraldo

Assessor Nacional MCC

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