Estatuto Social

Carta Mensal - Novembro 2008

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Carta para o MCC - Nov/08 (111ª.)

“Portanto, já não sois estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e moradores da casa de Deus; casa que tem como alicerce os apóstolos e os profetas e como pedra angular, o próprio Cristo Jesus” (Ef 2, 19-20).

Meus amados irmãos e irmãs, homens e mulheres vivificados pela esperança no Reino de Deus!

Para este mês de novembro que nos apresenta especial densidade de motivos, proponho aos meus queridos amigos e leitores um breve itinerário para aprofundar nossa reflexão à luz da fé. A celebração da memória de Todos os Santos (01/11) prepara a lembrança dos falecidos na paz do Senhor (02/11) e lança raios de luz até o último domingo do Ano Litúrgico (23/11), quando emerge a fulgurante pessoa do “bem-aventurado e único Soberano, o Rei dos Reis, do Senhor dos senhores” (Cf 1Tm 6,15), Jesus Cristo, Rei do Universo e desponta para o início do novo Ano litúrgico, o primeiro Domingo do Advento (30/11). Um fio condutor vai perpassando a tessitura dessas celebrações. É o fio da virtude da esperança própria dos redimidos pelo sangue do Cordeiro.

1. Da esperança na busca da santidade e da glória dos santos de ontem e de hoje – Para compreender essa celebração em toda a sua profundidade, sugiro que, antes de continuar, leia-se atenta e pausadamente a proclamação das Bem-aventuranças (Mt 5, 1-12a). Ali está fotografada, de corpo inteiro, a pessoa do próprio Jesus. Juntamente com o Pai-Nosso, é a grande síntese da Boa Notícia, do Evangelho anunciado pelo Enviado do Pai, Jesus, vivido e testemunhado durante estes mais de dois mil anos, por milhares e milhares de seguidores dEle, nossos irmãos e irmãs, santos e santas. É a síntese perfeita da santidade. De fato, a santidade deles, sua glória e sua plena realização como filhos e filhas de Deus, consistiu para os que nos precederam, e consiste para nós, ainda peregrinos nesta terra, em concretizar em suas vidas a contraditória felicidade de palmilhar caminhos que se opõem aos critérios e valores deste mundo. Assim acontece, também, com todos aqueles, leigos leigas, sacerdotes e religiosos, consagrados e consagradas que decidem optar definitivamente pelo seguimento de Jesus, para serem discípulos missionários do Reino de Deus. São Paulo dirige-se à comunidade de Corinto como “aos que foram santificados no Cristo Jesus, chamados a serem santos, junto com todos os que, em qualquer lugar, invocam o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1Cor 1,2). E você, meu irmão, minha irmã, como aqueles e aquelas que nos precederam, está em busca da santidade pautando sua vida toda e toda a sua vida pelas bem-aventuranças? Você poderia incluir-se entre os que, como aos coríntios, Paulo chama de santos? 

2. Do mistério da morte e da esperança na ressurreição - O mistério consiste em que, criados à imagem e semelhança do Deus da vida, nós mesmos nos condenamos à morte pela ingratidão da desobediência e pelo orgulho de desafiarmos a Deus. Se neste dia, a memória dos falecidos traz à nossa reflexão o mistério da morte, por outro lado, lembra-nos fortemente a promessa da vida, da ressurreição a partir do próprio Jesus quando a Marta, abatida pela morte de seu irmão Lázaro, Ele afirma: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11, 25). Desse modo, se para os que não têm fé, a morte física é definitiva e sem remédio, para os que crêem é uma passagem para vida eterna. Aliás, é a continuidade da vida eterna recebida no batismo quando se recebe a graça de Deus, isto é, o dom da filiação divina. A esta vida divina, os teólogos chamam-na de “vida eterna já iniciada”. Vivenciado-a agora pela prática das bem-aventuranças, temos a certeza, pela fé, da ressurreição nossa e daqueles que nos precederam. É a ressurreição que desejamos para eles quando dizemos: “Que descansem em paz”!  Ainda, no contexto desta nossa reflexão, lembramos uma esperançadora afirmação do Apóstolo: “E, como todos morrem em Adão, todos em Cristo terão a vida” (1Cor 15,22).

3. Do Rei dos séculos e da eternidade na esperança do Reino de Deus – A missão de Jesus, o Enviado do Pai, foi a de anunciar o Reino que está para chegar (Cf  Mt 3,2; 4,17; 10,7), que, entretanto, já está presente no mundo (Cf Mt 12,28; Lc 11,20; 17,21). Ora, o grande anunciador do Reino é Ele mesmo, o próprio Rei do Universo. Assim Ele próprio se declarou: “Pilatos o interrogou: ‘Tu és o Rei dos judeus?’ Jesus respondeu: ‘Tu o dizes!’” (Lc 23,3). Mas, que reino é este que Jesus proclama? No belíssimo prefácio da missa de Cristo Rei cantaremos triunfalmente: “Com óleo de exultação, consagrastes sacerdote eterno e rei do universo vosso Filho único, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele, oferecendo-se na cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao seu poder toda criatura, entregará à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz”. Se o Reino de Deus ainda parece uma utopia, a nós, seus seguidores neste início do século vinte e um, cabe  tornar a utopia uma realidade através da nossa palavra e do nosso testemunho de vida, alimentando constantemente a esperança. Para isso fomos chamados e constituídos discípulos missionários: para concretizarmos, com a graça de Deus, a esperança de um mundo ainda tão distante do seu Reino. Aí reside a nossa própria esperança e a esperança ainda que não explicitada, de todos os povos e nações. Por outro lado, aí reside, também, a nossa imensa responsabilidade. Deixo-lhes uma pergunta: que contribuição seu Movimento e você mesmo estão dando para a construção do Reino de Deus neste mundo?

4. De um olhar de esperança para o futuro no início de um novo Advento – Eis que estamos para chegar, outra vez, ao inicio de um novo Ano litúrgico e, portanto, às portas de uma renovada esperança na encarnação dAquele que “armou sua tenda no meio de nós”: “E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14). E João continua dizendo que, apesar da grandeza de um Deus que se faz carne e que se humilha para resgatar os que se haviam perdido, o “mundo não a reconheceu (a Palavra). Ela veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram” (Jo 1,9;11). Por acaso, mudou a disposição do mundo contemporâneo para receber a Palavra?  Parece que não. Pelo contrário, observa-se um distanciamento sempre maior da mensagem de Jesus por parte da atual cultura. Tanto é assim que o grande apelo do Documento de Aparecida para todos os católicos da América Latina e Caribe é o de levar as pessoas ao encontro com Jesus Cristo vivo. Convido a todos os meus queridos leitores, irmãos e irmãs, que meditemos demoradamente neste próximo tempo do Advento alimentando nossa esperança, sobre o que nos diz o mesmo Documento: Desejamos que a alegria que recebemos no encontro com Jesus Cristo, a quem reconhecemos como o Filho de Deus encarnado e redentor, chegue a todos os homens e mulheres feridos pelas adversidades; desejamos que a alegria da boa nova do Reino de Deus, de Jesus Cristo vencedor do pecado e da morte, chegue a todos quantos jazem à beira do caminho, pedindo esmola e compaixão (cf. Lc 10,29-37; 18,25-43)... Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo  encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DA 29).

Neste clima de viva esperança e, ao mesmo tempo, de absoluta certeza, deixo a todos o meu abraço fraterno.

 

Pe. José Gilberto Beraldo

Assessor Nacional MCC

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