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Carta Mensal - Janeiro 2009

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Carta Jan/09 – (113ª.) 01/01/2009

“Vi então um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram e o mar já não existe”....Ele enxugará toda lágrima de seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram” (Ap 21, 1.4).

Meus amados irmãos e irmãs, leitores e leitoras, sempre lembrados na oração e na Eucaristia:

 

No momento do nascer de um novo ano, de tantas luzes, cores e sons, quando todo mundo vibra com votos sinceros - ou fingidos - de felicidades, de bem estar, de prosperidade ou de desmedidas ambições desta nossa cultura consumista de “muito dinheiro no bolso e saúde prá dar e vender”; no momento que a humanidade quer esquecer o ano que passou com suas agruras, suas desgraças, suas tragédias e seus sofrimentos, é natural que eu os saúde também, mas iluminando meus votos com a luz da mais densa e esperançosa alegria, a partir da palavra de Deus e desejando-lhes toda a graça e todas as bênçãos da Trindade Santíssima para início e para todo o decorrer deste jovem 2009! 

 

A citação acima tirada do Apocalipse, já diz tudo o que desejo refletir com vocês nesta primeira carta do ano. Naturalmente não é minha intenção interpretar exaustivamente o texto e, sim, dele tirar a mensagem central, procurando aplicá-la nas circunstâncias e na realidade do nosso dia-a-dia. Essa mensagem chama-se “esperança”. Que ela possa servir como uma luz que, efetivamente, ajude a concretizar a “esperança” e que possa ajudar a criar um “clima de esperança”. Um clima para vivermos e respirarmos durante todo o ano que se inicia. Como de costume, proponho alguns pontos para nossa reflexão.

 

1. O que é a virtude da esperança – A esperança é um dom do Espírito Santo e tem seu fundamento nas promessas de Deus Pai e na ressurreição de seu Filho e nosso irmão, Jesus Cristo. Portanto, a esperança para nós, já nasce no momento do nosso batismo. É maravilhoso já entrarmos alimentados pela esperança num mundo marcado pelo desespero, pela descrença e pela desilusão, assim como o somos pela fé. São Paulo sintetiza a essência da esperança cristã quando diz aos Romanos: “Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que há de ser revelada em nós. De fato, toda a criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus(Rm 8,18-19). E, mais adiante, Paulo é ainda mais enfático quando diz “que toda criação, até o presente está gemendo como que em dores de parto, e não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nosso íntimo, esperando a condição filial, a redenção do nosso corpo” (Rm 8, 21-23). Portanto a nossa esperança, a esperança do discípulo missionário é uma esperança bíblica, isto é, brota do coração do Pai.

 

2. A esperança bíblica alimenta a vida do cristão -  É por isso mesmo, a nossa esperança, alimento da nossa vida de batizados, é diferente da dos que não têm fé. É porque os critérios e valores que alimentam nossa esperança não são os critérios do mundo ao nosso redor. E quais são esses valores? A resposta está na Palavra de Deus: “Porque julgará os fracos com justiça, com retidão dará sentença em favor dos humilhados da terra” (Is 11,4) e porque haverá reconciliação entre o homem e a natureza (cf Is. 11,6). Porque, afirma Jesus quando proclama as Bem-aventuranças: “Felizes são os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3); “Felizes os que choram, porque serão consolados”; “Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”; “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”; enfim, “Felizes os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3-11). Meus amados em Cristo: é hora de nos questionarmos se, efetivamente, é esta a esperança que nos alimenta, ou se adotamos na prática cotidiana de nossa vida outras fontes de esperança não só alheias, mas, até, contrárias aos ensinamentos de Jesus que acabam resultando em decepções, frustrações, revolta e num imenso vazio interior. 

 

3. E quando haverá de realizar-se a nossa esperança? - As palavras do Apocalipse são um resposta definitiva às nossas indagações e aos nossos anseios. Porque Deus será um “Deus conosco e enxugará toda lágrima de nossos olhos; a morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram”. É claro que se a palavra de Deus vem confirmar essas suas promessas, por outro lado depende de cada um de nós trabalharmos para que - a começar por nós mesmos e por nossas famílias, instituições, movimentos eclesiais e ambientes - desapareçam da face da terra a injustiça, o ódio, a exclusão, a inimizade, as reservas pessoais, etc.. Então, sim, haverá “...um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram e o mar já não existe”. “Primeiro céu”, “primeira terra” e “mar” que são os sofrimentos, as decepções e as provações da vida presente.

 

Não poderia encerrar nossa reflexão acerca da virtude da esperança sem fazer, pelo menos, uma referência a São Paulo Apóstolo, celebrado no dia 25 de janeiro e cujo Ano Jubilar (2000 anos do seu nascimento) estamos celebrando. Ao dizer “apenas uma referência” é porque meus caros leitores certamente terão facilidade em encontrar inúmeras publicações e reflexões sobre São Paulo, bem como participar de todas as iniciativas diocesanas e paroquiais que o estão celebrando. Entretanto, quis lembrá-lo aqui, de maneira especial, pois São Paulo é o Patrono do Movimento de Cursilhos de Cristandade desde 1966, assim declarado pelo Papa Paulo VI. Trata-se de uma excelente oportunidade para suplicarmos a São Paulo que ajude a fortalecer no MCC e a suscitar nos seus participantes – onde, porventura, ainda não exista - um autêntico espírito de discípulos missionários.

 

Ao desejar a todos os meus queridos leitores e leitoras um fecundo ano de 2009, todos engajados na Grande Missão Continental de evangelização, pródigo em obras pelo Reino, e sugerindo que se leia toda a perícope paulina do capítulo 12 aos Romanos, faço minhas algumas daquelas palavras do Apóstolo, autêntico projeto de vida nova porque carregadas de esperança: “O amor seja sincero. Detestai o mal, apegai-vos ao bem. Que o amor fraterno vos uma uns aos outros, com terna afeição, rivalizando-vos em atenções recíprocas. Sede zelosos e diligentes, fervorosos de espírito, servindo sempre ao Senhor, alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração” (Rm 12, 9-12).   

 

Ao concluir esta primeira carta de um novo ano, não poderia deixar de agradecer muito fraternalmente a todos os que, lembrando-se de minhas Bodas de Ouro Sacerdotais celebradas no dia 20 de dezembro passado, suplicaram por mim ao Senhor da messe e não deixaram de enviar-me seus cumprimentos e seu abraço que retribuo fraternalmente no amor de Cristo e pelas mãos de Maria, Mãe de todos os sacerdotes.

Pe. José Gilberto Beraldo

Assessor Nacional MCC

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