Estatuto Social

Carta Mensal-Fevereiro 2009

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Carta MCC Brasil – Fevereiro/09 – (114ª.)

 “Sabeis em que momento estamos: já é hora de despertardes do sono. Agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite está quase passando, o dia vem chegando: abandonemos as obras das trevas e vistamos as armas da luz” (Rm 13,11-12). 

Amados leitores e leitoras, sejam bem-vindos a esta nossa reflexão mensal! 

 

Minha proposta para este mês, é a de refletirmos, logo no início deste novo ano, sobre alguns pontos significativos para a nossa vida de discípulos missionários de Jesus Cristo.

 

1. A rotina é obstáculo à plena vivencia cristã - Celebradas as festas e comemorações do Natal, de fim e início de ano e de férias (para alguns), estamos diante de duas opções: ou voltarmos à rotina do dia-a-dia ou nos lançarmos com novo entusiasmo e coragem renovada à tarefa e à missão que nos espera e para a qual o Senhor, desde o momento do nosso batismo, nos escolheu, nos chamou e a todos, sem exceção, nos enviou para o trabalho na sua messe.

Na primeira opção, contentamo-nos em deixar a vida acontecer sem nenhuma participação nossa. É a rotina. Melhor dizendo, é alimentar uma mentalidade rotineira segundo a qual nada deve nem pode mudar. Há que ser tudo igual como antes, pois “no meu tempo é que era bom”! Nada de novas experiências, nenhuma ousadia evangélica, como se fôssemos surdos à voz do Mestre: “Fogo eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!” (Lc 12,49).  Àqueles que batizava com as águas do Jordão, João Batista anunciava: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3,11d). Além disso, o rotineiro tende a justificar a preguiça e o desalento que dele tomam conta, bem como a falta de iniciativa e de criatividade, insistindo em “tradição”, em “voltar às origens” (que, evidentemente, não significa voltar às mesmas antigas posturas e, sim, voltar à originalidade do mesmo carisma inspirado, um dia, pelo Espírito Santo, aplicando-o ao hoje da história), ou alimentando um saudosismo estéril de pessoas que viveram em outros tempos e culturas ou de métodos ultrapassados.  Não à toa o Documento de Aparecida chama veementemente nossa atenção: “Nenhuma comunidade deve se isentar de entrar decididamente, com todas suas forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé” (n.365).

A rotina é inimiga mortal da vida de qualquer pessoa, mas, sobretudo, do cristão. O cristão rotineiro perdeu o encantamento por Jesus; perdeu o ardor de sua fé; acomodou-se à mera obrigação para não pecar. É como aquele que faz da missa dominical um tradicional e até penoso dever, mas não um gesto de amor. Cumpre por cumprir e não pela paixão por Jesus e pela doação ao Reino de Deus. Mostra, pois, que não descobriu a dinâmica da vida divina, da graça que o impulsiona para participar ativamente da construção de um mundo mais de acordo como projeto do Pai. Lamentavelmente, o rotineiro não descobriu o amor para dimensionar em toda sua grandeza a graça, vida divina nele e, muito menos, para vivê-la.  

 2. Um novo tempo exige novas posturas  a) Na vida litúrgica, nas celebrações, voltamos ao “tempo comum”, o que poderia insinuar que voltamos a um tempo sem muita importância para a Igreja ou a uma “santa rotina litúrgica”, repetindo sempre os mesmos cantos nas celebrações ou, como papagaios, sempre as mesmas orações. Não é assim. Não havendo nenhuma celebração que marque profundamente a história de nossa salvação, como, por exemplo, de Jesus Cristo ou de Maria, somos convidados a valorizar cada domingo como uma pequena Páscoa - e são eles em número de 32 a 34 até o final do ano – , a celebrar cada festa dos nossos santos como um estímulo para nossa caminhada, e cada dia da semana como um novo momento eucarístico. Sempre no horizonte da novidade e renovação do Espírito Santo: “Enviai, Senhor, o vosso Espírito. E tudo será criado. E renovareis a face da terra”! 

b) na missão evangelizadora a Igreja pede a todos nós, aos movimentos eclesiais e comunidades, que renovemos nosso entusiasmo e reacendamos o ardor missionário, chegando até a falar, num “novo Pentecostes”. Ouçamos nossos Pastores no Documento de Aparecida. Ao chamar nossa atenção sobre a necessidade para toda a Igreja “de uma forte comoção que a impeça de se instalar na comodidade, no estancamento e na indiferença”, como que lançam um grito de convocação missionária: “Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusão, da acomodação ao ambiente; esperamos uma vinda do Espírito que renove nossa alegria e nossa esperança. Por isso, é imperioso assegurar calorosos espaços de oração comunitária que alimentem o fogo de um ardor incontido e tornem possível um atrativo testemunho de unidade “para que o mundo creia” (Jo 17,21). (DA 362).

3. Novos desafios, novas realidades, uma cultura “epocal”  Ou seja, não uma cultura de mudanças, mas uma verdadeira mudança de cultura (por isso “epocal”), isto é, que desafia a nossa coragem e a nossa ousadia missionária: “Todos os batizados são chamados a “recomeçar a partir de Cristo”... Só graças a esse encontro e seguimento (de Cristo), que se converte em familiaridade e comunhão, transbordante de gratidão e alegria, somos resgatados de nossa consciência isolada e saímos para comunicar a todos a vida verdadeira, a felicidade e a esperança que nos tem sido dada a experimentar e nos alegrar” (DA 549). Nosso grande evangelizador e incansável missionário, São Paulo, cujo ano jubilar estamos celebrando, repete em várias de suas cartas que está louco por Cristo e pela cruz de Cristo. Aos Coríntios é explícito: “Oxalá pudésseis suportar um pouco de loucura de minha parte. Sim, vós me suportais” (2Cor 11,1). Mais ainda: “...o mundo não foi capaz de reconhecer a Deus por meio da sabedoria, mas, pela loucura da pregação, Deus quis salvar os que crêem” (1Cor 1,21). E agora, nós, depois desta “louca” declaração de Paulo, o que mais estamos esperando para superar a rotina e abraçar a “pregação da cruz” que é “loucura para os que se perdem, mas para os que são salvos, para nós, ela é a força de Deus”? (1Cor 1,18). Pois, Sabeis em que momento estamos: já é hora de despertardes do sono”!

Fazendo minhas todas estas palavras de ânimo, incentivo e entusiasmo, rogo a Maria, primeira discípula missionária e a São Paulo Apóstolo, que intercedam junto ao Senhor da messe para que as faça frutificar no coração e na vida de todos, sobretudo durante este ano de 2009.

 

Forte abraço fraterno do irmão e amigo,

 

 

Pe. Jose Gilberto Beraldo

Assessor Eclesiástico Nacional 

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