Estatuto Social

Carta Mensal Maio 2009

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CARTA MAI/2009 – (117ª.) 

“Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim – conforme diz a Escritura: “Do seu interior correrão rios de água viva”. Jesus falava do Espírito que haviam de receber os que acreditassem nele...

(Jo 7, 37b-39a). 

Meus amados irmãos e irmãs, discípulos e discípulas de Jesus Ressuscitado: Iluminados e alimentados pela fé em Jesus Cristo vivo e ressuscitado, ainda estamos vivendo no clima das grandes e misteriosas alegrias pascais. Entretanto, nesse mesmo clima de esperança nas promessas de Jesus, já desponta para toda a Igreja outra maravilhosa presença. A presença do divino Espírito Santo que vem para confirmar a nossa fé e fazer arder o nosso coração, assim como aconteceu naquele primeiro Pentecostes. Parecia, até que “Estavam bêbados de vinho doce” (cf. At 2,13). Do mesmo modo como durante os quarenta dias da quaresma nos preparamos para a Páscoa e, agora, estamos alegres pela Ressurreição de Jesus, o nosso coração se enche de esperança durante todo este mês preparando-nos para a celebração de Pentecostes, isto é, para uma nova vinda do Espírito Santo sobre nós no próximo dia 31, domingo, assim como aconteceu com Maria e os Apóstolos naquele maravilhoso dia (At 2,1-13). Daí a palavra grega “Pentecostes”, isto é, cinqüenta dias após a Páscoa. Isso explica, também, porque os nossos Bispos da América Latina, nas mais importantes orientações para a evangelização da América Latina contidas no já bem conhecido Documento de Aparecida (DA), falam, em seis de seus parágrafos, de um “novo Pentecostes”. Aproveitemos, então, a oportunidade desta preparação que o Senhor nos oferece para refletirmos juntos sobre alguns deles. 1. “Como ocorreu no Pentecostes”, todas as comunidades são enviadas para evangelizar. Acredito que todos nós – pertençamos ou não a movimentos ou pastorais eclesiais – já estamos bem conscientes de nossa presença na Igreja e no mundo como discípulos missionários. Entretanto, é urgente que nos convençamos de que ninguém é missionário somente sozinho. Nossos ambientes e nossas realidades são extremamente complexos. Por mais que se esforce, um discípulo isolado dificilmente cumprirá, com a eficácia que Jesus espera de sua missão evangelizadora. Somente em comunidade nossa missão de evangelizadores poderá ser totalmente eficaz. Aliás, o próprio Jesus, ao enviar seus discípulos para a missão, os envia dois a dois (cf. Mc 6,7). Por isso, o DA nos lembra o primeiro Pentecostes afirmando: “Todos os membros da comunidade paroquial são responsáveis pela evangelização dos homens e mulheres em cada ambiente. O Espírito Santo que atua em Jesus Cristo é também enviado a todos enquanto membros da comunidade, porque sua ação não se limita ao âmbito individual. A tarefa missionária se abre sempre às comunidades, assim como ocorreu no Pentecostes (cf. At 2,1-13) (DA 171). Aliás, nós que fazemos o Movimento de Cursilhos aqui no Brasil, estamos trabalhando, à luz do Documento de Aparecida, para vivenciar cada dia mais comprometidamente o carisma expresso na definição oficial de nosso Movimento, que é ser um Movimento eclesial que “fermente de Evangelho os ambientes”, não somente através de indivíduos, mas de “núcleos” ou “pequenas comunidades de fé” nos ambientes.2. “Esperamos um novo Pentecostes”, pois é urgente superarmos o cansaço, a desilusão, a acomodação, a indiferença. Talvez sejam esses os maiores desafios para os evangelizadores missionários de hoje. Que somos nós. Alguns de nós estão cansados por ter assumido tantas tarefas pastorais durante tanto tempo; outros estão desiludidos porque seus esforços parecem ter sido infrutíferos; muitos não conseguem acreditar em novos métodos e novas posturas e ficam naquela de que “no meu tempo é que era bom e eficaz” ou de que “não é necessário mudar nada”; finalmente, um grande número tornou-se indiferente à sua própria vocação de discípulo missionário e deixou que seu coração esfriasse “deixando ficar como está, para ver como é que fica!”. Diante disso, nossos Pastores clamam por um “novo Pentecostes” para que a comunidade cristã – nós, portanto –, volte a deixar aquecer seu coração e a recuperar seu entusiasmo para a missão. Chegam até ao “exagero” de afirmar que: “A Igreja necessita de uma forte comoção que a impeça de se instalar na comodidade, no estancamento e na indiferença, à margem do sofrimento dos pobres do Continente. Necessitamos que cada comunidade cristã se transforme num poderoso centro de irradiação da vida em Cristo. Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusão, da acomodação ao ambiente; esperamos uma vinda do Espírito que renove nossa alegria e nossa esperança” (DA362). 3. “Necessitamos de um novo Pentecostes” para “sairmos...”. Nenhum de nós, meus queridos irmãos e irmãs, leitores e leitoras, sobretudo os que fazemos parte de algum movimento de Igreja, bem como os próprios Movimentos, podemos continuar instalados e acomodados. Todos somos convocados para um “despertar missionário, na forma de uma Grande Missão Continental” (cf. DA 551). Para dar essa resposta a Cristo e à Igreja, precisamos “sair” animados e entusiasmados por uma nova irrupção do Espírito Santo, por um “novo Pentecostes”: Necessitamos de um novo Pentecostes! Necessitamos sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de “sentido”, de verdade e de amor, de alegria e de esperança! Não podemos ficar tranqüilos em espera passiva em nossos templos, mas é imperativo ir em todas as direções para proclamar que o mal e a morte não têm a última palavra, que o amor é mais forte, que fomos libertos e salvos pela vitória pascal do Senhor da história, que Ele nos convoca na Igreja, e quer multiplicar o número de seus discípulos na construção de seu Reino em nosso Continente”! (DA 548). 4. Maria é a grande missionária e discípula no meio de nós. Santa é a coincidência de podermos entrar no clima de um “novo Pentecostes” na companhia de Nossa Senhora, pois este é o mês tradicionalmente a ela dedicado. Assim como ela esteve com os apóstolos partilhando a expectativa da primeira vinda do Espírito Santo, sem dúvida ela estará conosco também, alimentando a esperança no coração de todos nós. Mais uma vez o Documento de Aparecida refere-se ao Pentecostes quando lembra a presença de Maria – a Maria de Guadalupe - junto a João Diego:Maria é a grande missionária, continuadora da missão de seu Filho e formadora de missionários. Ela, da mesma forma como deu à luz ao Salvador do mundo, trouxe o Evangelho a nossa América. No acontecimento em Guadalupe, presidiu junto com o humilde João Diego, o Pentecostes que nos abriu aos dons do Espírito” (DA 269). Meus queridos irmãos próximos ou distantes, terminando estas linhas permitam-me fazer um veemente apelo a todos vocês, repetindo o grito do DA: “Não podemos deixar de aproveitar esta hora de graça” (DA 548). Será um “novo Pentecostes” na nossa vida de discípulos missionários de Jesus Cristo! E, conforme a promessa de próprio Jesus “do nosso interior correrão rios de água viva”!

Um abraço carinhoso, carregado de esperança, do irmão e servidor, 

Pe. José Gilberto Beraldo

Assessor Eclesiástico Nacional MCC

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