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Carta Mensal Julho 2009

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Carta Julho 2009 – (119ª.) 

 

“Portanto, se alguém está em Cristo, é criatura nova. O que era antigo já passou, agora tudo é novo” (2Co 5,17)   

Reza um velho provérbio latino atribuído ao poeta Ovídio que “Os tempos mudam e nós mudamos com eles”, cujo correspondente no Brasil poderia ser o nosso conhecido “Novos tempos, novos costumes”. Esta introdução é só para lembrar que lá se foi o primeiro semestre deste ano e já tem início o segundo. Por acaso teria este fenômeno temporal algo a ver com nossas reflexões mensais? Ou, quem sabe, poderíamos encontrar na Palavra de Deus uma fonte de inspiração para alimentar a nossa fé, “vítimas” que somos da transitoriedade do tempo? Ou, então, que mensagem estes novos tempos e seus desafios trazem aos discípulos missionários que, no tempo, iniciam um momento novo? Será ele para nós um novo “kairós”, isto é, um novo tempo de Deus? Busquemos, pois, colocar as luminárias da fé nas pistas de corrida do tempo. Primeiramente, façamo-lo numa dimensão pessoal e, em seguida, no horizonte de nossa vocação missionária em comunhão eclesial.       

 

1.   O passar do tempo no horizonte pessoal do discípulo missionário.  Para todos, sem exceção, o tempo é relativo. Lembra-nos o salmista: “Nossos anos de vida são setenta, oitenta para os mais robustos, mas pela maior parte são fadiga e aborrecimento, passam logo e nós voamos” (Salmo 90,10).  Entretanto, para o fiel seguidor de Jesus, o tempo, mesmo o passado, tem outra dimensão, outro alcance porque tem outra raiz. Esta raiz se chama Jesus Cristo: “Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre.” (Hb 13,8).  “Estando em Cristo”, o discípulo pode viver o ontem, como o hoje e, da mesma forma, o amanhã, pois o “estar” tem a profundeza do “permanecer” que é diferente de “ficar”, o que sugere transitoriedade. O “permanecer” vai, aos poucos, dando ao cristão uma nova face, novos sentimentos, novas posturas. Por isso, São Paulo fala em “criatura nova”. Ele mesmo volta a lembrar aos Efésios e a nós: “Precisais renovar-vos pela transformação espiritual de vossa mente, e vestir-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade” (Ef 4,23). Visto e, sobretudo, vivido nessa ótica, o tempo se relativiza, pois “Cristo é o mesmo, ontem...” e quem nEle “permanece” vai-se rejuvenescendo. Lembro-me como se fora hoje quando, ainda seminarista, ao ajudar venerandos sacerdotes já vergados sob o peso da idade, na celebração da Santa Missa, com eles rezava (em latim, é claro!), aos pés do altar, uma antiga tradução do Salmo 43,5: “Subirei ao altar de Deus; ao Deus que alegra a minha juventude”! Hoje, apesar de outras traduções do mesmo salmo e apesar da idade já avançada, ao subir cada dia ao altar, me emociono, pois tenho ainda muito presente na mente e no coração que aqueles santos sacerdotes nunca envelheceram e que, achando-me quase nas mesmas condições de idade, lembro que estar a serviço do povo de Deus, especialmente pela Eucaristia é continuar vivendo uma eterna juventude. Porque, para aquele que “permanece” em Cristo, “o que era antigo já passou, agora tudo é novo”!           

 

Portanto, meu irmão, minha irmã, lembre-se que o segredo de uma juventude eterna “permanecendo em Cristo” é seguir o conselho de São Paulo: “Precisais deixar vossa antiga maneira de viver e despojar-vos do homem velho, que vai se corrompendo ao sabor das paixões enganadoras” (Ef 4,22). 

 

2. O presente e o futuro do discípulo missionário inserido na comunhão eclesial. Sempre com os olhos fixados em Cristo - “Cristo é o mesmo, ontem,.. hoje...” - e de mãos dadas com a comunidade eclesial, nós, discipulos missionários, voltamo-nos para o passado a) reconhecendo as maravilhas que Deus operou por nosso intermédio, por nossa  disponibilidade e doação  por toda a Igreja quando conseguimos levar a boa notícia do Reino de Deus a tantas pessoas seja em nossa família ou em nossos ambientes; b) agradecendo ao Senhor que nos fortaleceu e à Igreja na missão de semear a Palavra, mas, ao mesmo tempo, c) aceitando (e pedindo a Deus perdão)  que todos, juntamente com a Igreja, deixamos  escapar tantas oportunidades de anunciar a pessoa de Jesus Cristo e de levar uma multidão de pessoas ao encontro dEle. E nos damos conta de que todos necessitamos de conversão profunda, isto é, de mudança de mentalidade, pois o passado quase sempre sugere cansaço, acomodação e conformismo com situações ou problemas considerados insolúveis para a nossa ação evangelizadora. Mas – não o esqueçamos – “o antigo já passou”! Agora, “Sabeis em que momento estamos: já é hora despertardes do sono. Agora, a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite está quase passando, o dia vem chegando...” (Rm 13, 11,12ª).    

 

O discípulo missionário está atento ao tempo presente. Em comunhão com toda a Igreja, especialmente para nós da América Latina, nossos Pastores nos ajudam a apalpar a realidade através do Documento de Aparecida. Verificamos que não basta mudar de mentalidade. É urgente cultivarmos uma mentalidade de mudança (conversão pessoal), pois estamos numa mudança de época e não somente numa época de mudanças. Resumindo, toda a Igreja necessita de conversão: as pessoas, as comunidades, os movimentos.   “Nenhuma comunidade deve isentar-se de entrar decididamente, com todas as forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé” (DA 365). Pois,“agora tudo é novo”!

 

E você, meu irmão, minha irmã, está aberto (a) á conversão no tempo presente para poder responder aos desafios apresentados à evangelização pelos novos tempos e por uma nova cultura? Está com medo do novo? E o seu Movimento? Ainda insiste em “estruturas ultrapassadas”?  

   

O discípulo missionário está atento ao tempo futuro: “Cristo é o mesmo ...sempre”. É o Cristo da esperança. Não encontramos expressão melhor para deixar uma mensagem de esperança para esse segundo semestre do que a do Documento de Aparecida no seu parágrafo 362, que, ao “lançar o compromisso de uma grande missão no Continente”, vem lembrar que “Necessitamos desenvolver a dimensão missionária da vida em Cristo” e, por isso, “Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusão, da acomodação ao ambiente; esperamos uma vinda do Espírito que renove nossa alegria e nossa esperança”.

 

Fixando o olhar em Maria e reconhecendo nela a imagem perfeita da discípula missionária (cf.  Doc.Aparecida 364), a todos unido pela oração, a todos igualmente abraço com  muito carinho. 

    

 

Pe. Jose Gilberto Beraldo

Assessor Eclesiástico Nacional 

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