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Carta Mensal Agosto 2009

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Carta Agosto 2009 – (120ª.) “Aos presbíteros que estão entre vós, eu, presbítero como eles, testemunha dos sofrimentos de Cristo e participante da glória que será revelada: sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós; cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente; não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas, como modelos do rebanho. Assim, quando aparecer o pastor supremo, recebereis a coroa permanente da glória” (1Pd 5,1-4).  Ao iniciar esta centésima vigésima carta mensal experimento grande alegria ao notar sua providencial coincidência com o início do Ano Sacerdotal recém-proclamado pelo Papa Bento XVI.  De fato, com as cartas mensais, sempre busquei valorizar esta nova forma de anunciar a Palavra, uma das missões específicas do sacerdote. Foi fácil convencer-me desta modalidade de anúncio através deste novo “areópago”[1] que é a Internet, sobretudo depois das primeiras, quando notei o grande interesse dos leitores, ou melhor, a sede de quase todos pela Palavra de Deus. Quem sabe algumas vezes não a interpretei corretamente; muitas vezes o fiz ao sabor do cotidiano, dos acontecimentos e das celebrações litúrgicas. Mas elas sempre nasceram sob a inspiração da Palavra de Deus. Pois é assim que têm seu início todas elas: com uma citação bíblica, fonte inesgotável da qual brotam nossas reflexões. Assim, a citação que encabeça esta carta e que para ela serve como pano de fundo ou motivação principal, não poderia ser outra senão a que se refere aos conselhos que o Apóstolo São Pedro dá aos presbíteros para que sejam eles “modelos do rebanho”. Aproveitemos, pois, a oportunidade para uma breve reflexão sobre o Ano Sacerdotal, sobre o “Mês Vocacional” e o “Dia do Padre” e para um testemunho pessoal.  

1. Ano Sacerdotal – proclamado por Bento XVI por ocasião do 150º aniversário do nascimento do Santo Cura D’Ars (assim se chama a São João Maria Vianney, que foi “cura” ou pároco de um pequeno povoado na França, chamado Ars[2]), no dia 19 de junho, o Ano Sacerdotal prolonga-se até a mesma data de 2010. No dizer do Papa, seu objetivo é o “de contribuir, para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo...”.  Assim motivado, Bento XVI dirige aos sacerdotes do mundo inteiro uma carta na qual lhes oferece abundantes pontos de reflexão, sempre tendo como referência o pensamento, a vida e o admirável testemunho sacerdotal do Santo Cura D’Ars. Eis alguns pontos, entre outros igualmente importantes, lembrados aos sacerdotes pelo Papa e que poderão servir para reflexão de todos os leigos e leigas, especialmente dos que participam de Movimentos eclesiais como, por exemplo, do Movimento de Cursilhos:

a) conhecimento e fidelidade à Palavra de Deus a ponto de deixá-la permear a vida sacerdotal “como um alimento de que vivemos, mais do que sejam o pão e as coisas deste mundo”;

b) o “chamado de Jesus aos Doze para estarem com Ele (cf. Mc 3, 14) e só depois é que os enviou a pregar, assim também nos nossos dias os sacerdotes são chamados a assimilar aquele “novo estilo de vida”  que foi inaugurado pelo Senhor Jesus e assumido pelos Apóstolos”;

c) a oração contemplativa diante do sacrário: “Para rezar bem – explicava-lhes o Cura –, não há necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus está ali, no sacrário: abramos-Lhe o nosso coração, alegremo-nos pela sua presença sagrada. Esta é a melhor oração”;

d) a importância da Santa Missa na vida do sacerdote: “Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do sacrifício da Missa, porque aquelas são obra de homens, enquanto a santa missa é obra de Deus”. Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da Missa: “A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à missa! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra (a missa) como se fizesse uma coisa ordinária!”;

e) finalmente, o Papa encerra essa sua magnífica Carta aos sacerdotes com uma oferta: “À Virgem Santíssima entrego este Ano Sacerdotal, pedindo-Lhe para suscitar no ânimo de cada presbítero um generoso reavivamento  daqueles ideais de total doação a Cristo e à Igreja que inspiraram o pensamento e a ação do Santo Cura d’Ars. Com a sua fervorosa vida de oração e o seu amor apaixonado a Jesus crucificado, João Maria Vianney alimentou a sua quotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja...Não obstante o mal que existe no mundo, ressoa sempre atual a palavra de Cristo aos seus apóstolos, no Cenáculo: “No mundo sofrereis tribulações. Mas tende coragem!  Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). A fé no divino Mestre dá-nos a força para olhar confiantemente o futuro. Amados sacerdotes, Cristo conta convosco. A exemplo do Santo Cura d’Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis também vós, no mundo atual, mensageiros de esperança, de reconciliação, de paz”.

2.  O “Mês Vocacional” e o “Dia do Padre” – Depois de todas essas palavras do Papa a respeito do sacerdote, penso não haver necessidade de justificar a razão pela qual, na Igreja do Brasil, se celebra no dia 04 de agosto, festa do Santo Cura d’Ars , o Dia do Padre, bem como dedica todo o mês de agosto ao “Mês Vocacional” abrangendo todas as vocações para a missão evangelizadora. Sempre, mas, sobretudo nesse dia e mês, os fieis católicos são convidados a orar pelos nossos padres para que possam responder plenamente à vocação para a qual foram chamados. Conforme palavras do Papa em sua tradicional catequese de quarta-feira, ao aprofundar o significado do recém inaugurado Ano Sacerdotal: “Trata-se de ajudar os sacerdotes e, com eles, todo o Povo de Deus, a redescobrir e revigorar a consciência do extraordinário e indispensável dom da Graça que o ministério ordinário representa para quem o recebeu, para toda a Igreja e para o mundo que, sem a presença real de Cristo, estaria perdido”.  Por isso, meu irmão, minha irmã, permita-me deixar-lhe um conselho de amigo sacerdote: empregue pelo menos dez por cento do tempo que, eventualmente, você usa para criticar os seus padres, para rezar por eles!

3. Testemunho pessoal – Posso dizer que devo um grande estímulo à minha vocação sacerdotal ao Santo Cura d’Ars que exerceu sobre mim um verdadeiro fascínio.  Ainda seminarista menor (sou do tempo em que ainda existiam seminários menores que, queira-se ou não, eram propícios à formação de uma mentalidade radicalmente sacerdotal...), deliciava-me com a leitura da vida do Santo Cura e nutria meu ideal com seus exemplos de austeridade de vida (que, dedicando-se o dia todo ao seu povo, embora ainda não existisse geladeira, ele cozinhava batatas uma vez por semana e delas se alimentava durante a semana inteira, ainda que já mofadas...); de dedicação ao confessionário onde passava pelo menos 16 horas por dia; da enlevada celebração da Eucaristia: “quem ao mesmo assistia afirmava que «não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. (...) Contemplava a Hóstia amorosamente”. Pois era dessa maneira que eu desejava cada vez mais ardentemente ser sacerdote!”.  Na próxima carta trarei o testemunho vocacional de um seminarista, o José Edson Santana Barreto. Com muito carinho, deixo a todos o meu abraço fraterno e amigo, no amor do Senhor Jesus,   


Pe.José Gilberto Beraldo

Assessor Nacional MCC

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[1] “Tribunal de justiça ou conselho, célebre pela honestidade e retidão no juízo que funcionava a céu aberto no outeiro de Marte, antiga Atenas, na Grécia, desempenhando papel importante na política e assuntos religiosos” (Dicionário Houaiss). Hoje, na linguagem eclesiástica, o termo é aplicado para os meios modernos utilizados para anunciar o Evangelho: rádio, TV, Internet, etc.

[2] O Santo Cura d’Ars, em 1929, pelo Papa Pio XI foi proclamado o santo patrono de todos os párocos do mundo.