Estatuto Social

Carta Mensal Setembro 2009

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CARTA MCC SETEMBRO 2009 – (121ª.)   “E como a chuva e a neve que caem do céu para lá não voltam sem antes molhar a terra e fazê-la germinar e brotar, a fim de produzir semente para quem planta e alimento para quem come, assim também acontece com a minha palavra: Ela sai da minha boca e para mim não volta sem produzir seu resultado, sem fazer aquilo que planejei, sem cumprir com sucesso a sua missão” (Is 55, 10-11).   Antes de entrar no assunto desta carta, quero cumprir o prometido na anterior, de julho e transcrever o testemunho de um seminarista sobre a motivação de sua vocação sacerdotal. “Sou seminarista. Meu nome é José Edson Santana Barreto. Senti o chamado de Deus para a vida sacerdotal através do testemunho de uma irmã religiosa. Fato curioso que aconteceu com um gesto simples de amor fraterno. Quanto tinha ainda oito anos, toda manhã ou tarde eu encontrava essa irmã que sempre me acolhia com um belo sorriso e me cumprimentava com um bom dia ou uma boa tarde. Passados alguns meses, descobri o quanto ela se dedicava ao serviço do próximo e isso me deixava inquieto por dois motivos: tanto pelo seu serviço pelo amor ao próximo como pela alegria que dela dimanava. Esta pequena história está ainda  muita “viva” na minha memória. Diria que foi uma semente lançada no meu coração, porque com o decorrer dos anos comecei a compreender, a acolher a semente e a cuidar dela. O seu primeiro fruto foi a resposta ao chamado, tendo como conseqüência a minha entrada no seminário da Arquidiocese de São Paulo, onde me encontro atualmente. Esse fruto tem sido regado com a Palavra: “há mais felicidade em dar do que em receber” (At 20, 35). O meu ideal no desígnio de Deus é preservar, zelar pela família cristã e conduzir os jovens à adesão a Cristo, cuidar das pessoas que sofrem pela desigualdade social ou opressão; vendo neles a presença de Jesus Cristo”. Até aqui o testemunho de José Edson que agradecemos fraternalmente rezando por ele, desejando-lhe perseverante e fiel caminhada na resposta ao chamado do Pai. A nossa Igreja Católica no Brasil dedica o mês de setembro à reflexão sobre algum texto ou tema bíblico. Por isso é chamado o “Mês de Bíblia”. Neste ano o aprofundamento será sobre a Carta de São Paulo aos Filipenses. Com a intenção de ser aqui mais abrangente, inspirado no texto acima citado, proponho determo-nos sobre alguns “momentos”, levando em conta, também, algumas propostas do Documento de Aparecida. Inseridas em vários parágrafos do DA, elas se concentram, especialmente nos nros. 247 e 248 como sendo um dos lugares de encontro com Jesus Cristo.   1.Primeiro momento: a Palavra de Deus é como “chuva e neve que caem do céu” -  Caindo do céu, a água da chuva e a neve, ao derreter-se, encontrando  um terreno permeável, nele penetram  até o mais profundo, o encharcam  e, no seu devido tempo – um tempo natural de espera, surgem raízes e plantas que produzem flores e frutos. E, quando a irrigação é continuada, surgem novos brotos, novas folhas e novos frutos: “para lá não voltam sem antes molhar a terra e fazê-la germinar e brotar”. É com esse fenômeno da natureza que o profeta compara a Palavra de Deus que cai do céu. E, ao cair do céu, Deus espera que sua Palavra encontre um solo permeável, que se deixe embeber por ela e que a absorva até as suas profundezas. Conscientes de sermos nós mesmos esse terreno, perguntemo-nos se, de fato, estamos preparados para receber essa água e essa neve; se nosso solo é permeável, deixando-se encharcar pela Palavra de Deus, isto é, pelos critérios e pelos valores do Reino anunciado por Jesus ou se é impermeabilizado de tal forma que se torna impenetrável?  Melhor dizendo, a nossa vida toda, na sua integralidade, vinte e quatro horas por dia, está umedecida, fertilizada pela Palavra? O solo de nossa mentalidade, de nossa consciência que se diz cristã, ainda é tão impermeável que não deixa nele penetrar a Palavra? Ou está continuamente umedecido pela Palavra, deixando-nos sempre renovar com novas raízes, novas flores e produzindo renovados frutos de conversão e evangelização? Aliás, toda a comunidade eclesial, toda a Igreja deveriam propiciar a plena absorção da Palavra. O DA afirma: “A Palavra de Deus escrita por inspiração do Espírito Santo”, é, com a Tradição, fonte de vida para a Igreja e alma de sua ação evangelizadora” (DA 247). 2. Segundo momento: “Ela sai da minha boca e para mim não volta sem produzir seu resultado” – Sem dúvida, duas dimensões se apresentam aqui à nossa reflexão: uma que diz respeito à nossa própria perseverança, entrega e generosidade; a outra que se refere ao “tempo de Deus”, ao “kairós” de que nos fala São Paulo. Consideremos a primeira dimensão: ao acolher a abundância da Palavra, há que perseverar em assimilá-la, deixar-se embeber por ela, ser um terreno propício à sua penetração até as profundezas do ser.  O seguidor de Jesus, seu discípulo, ao ouvir a Palavra, com certeza logo haverá de dar-se conta de que ela é refrigério quando se arde pelas paixões desordenadas, mas aquece quando a frieza toma conta do coração; lava o pecado, purifica as imperfeições, regenera os tecidos da vida cristã e, vigorosa outra vez, fortalece suas raízes que, por sua vez, geram uma planta renovada da qual brotam novas flores e novos frutos de amor, de fraternidade, de misericórdia, de perdão, de justiça, etc. É tudo isto que volta para Deus; são estes alguns dos “resultados” da realização dos planos de Deus a nosso respeito e a respeito da comunidade eclesial, da grande e querida família de Deus, da sua Igreja santa e pecadora. Quanto à segunda dimensão, o “tempo de Deus”, convém que nos lembremos da paciência  de um pai que espera que seus conselhos produzam frutos na vida do filho. As Sagradas Escrituras dizem e repetem, tanto no primeiro como no novo Testamento, que o nosso Deus é paciente, benigno e misericordioso. A parábola do Pai que espera o filho pródigo, esbanjador, é a manifestação evidente da espera paciente, da misericórdia excessiva de um Pai ansioso e esperançoso.  De fato, “Ela (a Palavra) sai da minha boca e para mim não volta sem produzir seu resultado, sem fazer aquilo que planejei, sem cumprir com sucesso a sua missão”. Por outro lado, ou como decorrência de tido o que temos refletido até aqui e no contexto da palavra de Isaias, podemos citar o DA: Faz-se, pois, necessário propor aos fiéis a Palavra de Deus como dom do Pai para o encontro com Jesus Cristo vivo, caminho de “autêntica conversão e de renovada comunhão e solidariedade”142. Esta proposta será mediação de encontro com o Senhor se for apresentada a Palavra revelada, contida na Escritura, como fonte de evangelização. Os discípulos de Jesus desejam se alimentar com o Pão da Palavra: querem chegar à interpretação adequada dos textos bíblicos, empregá-los como mediação de diálogo com Jesus Cristo e a que sejam alma da própria evangelização e do anúncio de Jesus a todos. Por isto, a importância de uma “pastoral bíblica”, entendida como animação bíblica da pastoral, que seja escola de interpretação ou conhecimento da Palavra, de comunhão com Jesus ou oração com a Palavra, e de evangelização inculturada ou de proclamação da Palavra. Isto exige por parte dos bispos, presbíteros, diáconos e ministros leigos da Palavra uma aproximação à Sagrada Escritura que não seja só intelectual e instrumental, mas com um coração “faminto de ouvir a Palavra do Senhor” (Am 8,11) (DA 248)  Meu querido irmão, minha irmã: aproveitemos a riqueza da proposta desse “Mês da Bíblia” para abrir-nos totalmente à chuva da Palavra de Deus, deixando que ela penetre, umedeça e encharque o terreno de nossa vida de discípulos para que ele produza os frutos que o nosso paciente e misericordioso Pai espera de seus filhos missionários. Ou será que vamos permitir que a sua Palavra volte para ele “sem produzir seu resultado, sem fazer aquilo que planejei, sem cumprir com sucesso a sua missão?” (Is 55, 10-11).   A todos os meus amados leitores e leitoras deixo meu abraço fraterno envolvido pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

   
Pe. José Gilberto BeraldoAssessor Nacional MCC

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