Estatuto Social

Carta Mensal Outubro 2009

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CARTA MCC OUT/09 – (122ª.) 

“De fato, “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Ora, como invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele que não ouviram? E como o ouvirão, se ninguém o proclamar? E como o proclamarão se não houver enviados? Assim é que está escrito: “Quão bem-vindos os pés dos que anunciam boas novas” (Rm 10, 13-15).  

Meus muito amados irmãos e irmãs, e perseverantes leitores: Que possamos todos responder à vocação missionária para a qual nos suscita o mandato de Jesus! No passado mês de setembro, o mês da Bíblia, a Palavra de Deus foi celebrada pela Igreja católica no Brasil. Neste mês de outubro somos convidados a conscientizar-nos sobre a missão que nos cabe de anunciar essa mesma Palavra em todas as situações e circunstâncias de nossa vida. Estamos no mês das Missões.  Por conta de uma tradição secular, muitos ainda julgam que as missões dizem respeito somente àqueles e àquelas que deixam suas famílias e, até, sua pátria para catequizar povos pagãos e, assim trazê-los para a Igreja católica. Entretanto, nos dias de hoje, quase todos os católicos já possuem consciência mais clara de que a responsabilidade missionária é inerente ao próprio batismo e que não é necessário abandonar a vida normal para responder à vocação para o anúncio da Palavra de Deus. 1. A intenção missionária. - De fato, assim se expressa a intenção missionária para este mês: “Para que o povo de Deus que recebeu de Cristo o mandamento de ir pregar o evangelho a todas as criaturas, assuma com empenho a responsabilidade missionária e a considere como o maior serviço que pode prestar à humanidade”.  São Paulo, na Carta aos Romanos, acima citada, afirma a necessidade da proclamação da mensagem da salvação através de enviados que, por sua palavra, suscitem a fé no Senhor. Imediatamente abaixo, no mesmo capítulo, lê-se: “Logo, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo”. Enviados, pois, não são apenas os apóstolos escolhidos pelo próprio Jesus, mas todos os seus seguidores e discípulos. E, hoje, na América Latina, temos não só reconhecida como, sobretudo, aumentada a responsabilidade de todos os católicos, o povo de Deus, no sentido de “saírem” e “irem” anunciar a Palavra de Deus, tanto pela palavra como pelo testemunho de vida. Para isso nos estimula o providencial Documento de Aparecida pelo Espírito Santo inspirado aos nossos Pastores.    2. A “missão” e “o missionário” no Documento de Aparecida - O DA aspira, respira e transpira “missão”, pois a intenção central de todo o DA é a de enfatizar a missão do discípulo. Já o lema da V Conferência do Episcopado Latino americano e Caribenho (maio de 2007, em Aparecida, Brasil), expressa claramente essa intenção: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nEle nossos povos tenham vida”. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Os números testemunham a importância dada no corpo do DA às expressões “missão” e “missionário”: enquanto, em diferentes contextos, “missão” aparece 95 vezes, “missionário” ou “missionária” são citados 150 vezes. Essas expressões se encontram especialmente nos Capítulos VI da Segunda parte - “Caminho de formação dos discípulos missionários”- e em toda a Terceira parte - ‘A Vida de Jesus Cristo para nossos povos”.  Em todas essas referências notamos a ampliação das dimensões da missão e do missionário abrangendo um leque muito maior do que aquela noção que deles alimentávamos, até há algum tempo. O DA abre horizontes missionários para o mundo do momento presente e lança os missionários para o momento futuro. Um futuro que nos parece distante, mas que, quase que sem que nos demos conta, efetivamente já começou pois, dada a celeridade dos acontecimentos, parece-nos viver num mundo virtual. Para nosso conhecimento, reflexão e compromisso, quer como cristãos, quer, sobretudo, como participantes de algum movimento ou comunidade eclesiais, apresento apenas duas daquelas referências que penso serem suficientes. a)               Acenando à vocação missionária do leigo desde o seu batismo, assim se expressa o DA: “Sua missão própria e específica se realiza no mundo, de tal modo que, com seu testemunho e sua atividade, contribuam para a transformação das realidades e para a criação de estruturas justas segundo os critérios do Evangelho” (DA 210). Essa orientação do DA repete, quase que literalmente, a mesma da Exortação Apostólica “Vocação e missão do leigo na Igreja e no mundo” do Papa João Paulo II em seu número 31. Encontram-se aqui duas dimensões da mesma missão: a pessoal, facilmente compreensível e a comunitária, nem sempre posta em prática porque nem sempre bem entendida e, muito menos, sadiamente interpretada. Para nos ajudar nisso, ninguém melhor do que o nosso Pastor Bento XVI, que, ainda muito recentemente (26 de maio de 2009), solicitou às centenas de fiéis presentes à abertura do Congresso Diocesano de Roma, na Basílica de São João de Latrão, que “criem grupos missionários nos seus locais de trabalho já que é nestes ambientes que passam a maior parte do dia”. Do mesmo modo, exortou-os também a “assumir um renovado espírito missionário com a finalidade de manifestar o amor de Deus aos homens e mulheres”. Pergunta-se: ainda precisamos de mais explicações sobre o que sejam “pequenas comunidades de fé nos ambientes”? Aliás, ainda que evidenciando-se algumas nem sempre corretas interpretações, a dimensão missionária é um dos constitutivos do carisma original de alguns movimentos e comunidades eclesiais como, por exemplo, do Movimento de Cursilhos que, na sua definição, promete “fermentar de evangelho os ambientes” através de “núcleos de cristãos” neles inseridos. b) Ao referir-se expressamente aos “movimentos eclesiais e novas comunidades”, afirma o DA: “Os novos movimentos e comunidades são um dom do Espírito Santo para a Igreja. Neles, os fiéis encontram a possibilidade de se formar cristãmente, crescer e comprometer-se apostolicamente até ser verdadeiros discípulos missionários” (DA 311). Que responsabilidade tão enorme pesa sobre os nossos movimentos e comunidades qual seja a de ajudar a formação de seus participantes até “serem verdadeiros discípulos missionários”! Diante dessa proposta do DA é preciso insistir veementemente que não basta aliciar discípulos de Jesus. É obrigatório levá-los à consciência do seu ser missionário.     Meus queridos irmãos e irmãs: aproveitemos a oportunidade que o Senhor nos oferece neste mês de outubro, o Mês das Missões para renovar nosso espírito missionário e, de novo, deixar que nosso coração se inflame pela causa do Reino de Deus! Deixo a todos um forte e carinhoso abraço para todos implorando as bênçãos de Deus.    

Padre José Gilberto Beraldo

Assessor Nacional MCC 

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