Estatuto Social

Carta Mensal Janeiro/2010

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Carta MCC Jan/2010 – (125ª)

“De pé! Deixa-te iluminar! Chegou a tua luz! A glória do Senhor te ilumina. Sim, a escuridão cobre a terra, as trevas cobrem os povos, mas sobre ti brilha o Senhor, sobre ti aparece sua glória. As nações caminharão à tua luz, os reis, ao brilho do teu esplendor” (Is 60, 1-3). Amados leitores, irmãos e irmãs iluminados pela luz de Cristo! Com a graça de Deus Pai, impulsionados pelo amor do Filho e fortalecidos pelo Espírito Santo, estamos chegando, neste início de 2010, à nossa centésima vigésima quinta carta mensal[1]. Todos os que acompanhamos a vida da Igreja, de suas celebrações, de sua liturgia, em fim, de suas festas com conteúdos profundamente carregados de mistério, certamente continuamos ainda envolvidos pelas luzes e pelos sons do Natal. Mas, de maneira especial, pela presença do enviado do Pai, o divino Menino, que veio anunciar a salvação aos povos e implantar o Reino de Deus na terra. Quase como uma continuação necessária do Natal, logo no início de janeiro, somos chamados a celebrar a grande festa da Epifania, isto é, a festa de uma nova manifestação de Jesus ao mundo. Deixando a cada um dos queridos leitores e leitoras uma reflexão também necessária sobre a Maternidade de Maria, celebrada no primeiro dia do ano, proponho algumas considerações sobre essa manifestação do Deus Salvador a todos os povos da terra na pessoa dos pastores e dos Reis Magos. Àqueles, como gente simples do povo eleito; a estes como sábios e grandes do povo pagão.  1. Jesus, o Messias, manifesta-se à humanidade.  Epifania quer dizer “manifestação”. Imediatamente depois do seu nascimento naquela noite solitária e naquela estrebaria – ninguém quis recebê-lo em sua casa! – Jesus se manifesta aos humildes pastores que já por ali se encontravam. Logo depois – não se sabe quanto tempo se passou - manifesta-se, também, aos três sábios que vieram do Oriente para adorá-lo e oferecer-lhe seus presentes. Sábios que a tradição identifica como sendo os Reis Magos. Desse modo, já no momento do seu nascimento, Deus, Javé, vem dizer à humanidade, na pessoa do seu Filho único,  que a salvação é para todas as nações e que a Palavra deve ser anunciada a todos os povos, raças e línguas. Todo o Primeiro Testamento foi um tempo de preparação para esse momento. Durante séculos Deus não abandonou o seu povo, ora tratando-o com dureza – pois duros como de pedra eram seus corações (Ezequiel 36,26) - ora buscando-o com tanta saudade como um pai que, ansioso, sempre de braços abertos, espera um filho desgarrado – como tão bem nos conta a parábola do filho perdido e reencontrado – Lc 15, 11-32). Pois foi a todo seu povo que Deus se manifestou na pessoa do seu Filho, prometido desde séculos.  E, apesar de ser “esta a luz verdadeira, que vindo ao mundo a todos ilumina...” E apesar de que “ela estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dela”, o “mundo não a reconheceu. Ela veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram” (Jo 1,9-12). E hoje? Como será que Jesus continua a sua Epifania? Será que Jesus continua a manifestar-se na história da humanidade, de homens e mulheres que, apesar de toda a claridade da primeira Epifania, ainda tateiam em busca do Caminho, da Verdade e da Vida?    

2. Jesus continua a sua Epifania através de seus discípulos missionários. A Epifania celebrada hoje é mais um sinal do desejo de Jesus de manifestar-se a todos os povos do mundo. E nós somos os privilegiados, chamados por Ele para essa missão. É responsabilidade de cada um de nós, de nossas comunidades e de toda a Igreja renovar a nossa consciência missionária e, de novo apresentar o Salvador ao mundo como nos pede o Documento de Aparecida: (DAp): “Necessitamos sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de “sentido”, de verdade e de amor, de alegria e de esperança! (548).  Através de seus discípulos missionários Jesus quer manifestar-se também nos nossos tempos de uma cultura “epocal”, isto é, uma cultura,uma mentalidade, um modo de ver, de avaliar e de fazer as coisas que mudam e se reconfiguram todos os dias.  Uma cultura onde despareceram as emblemáticas “Beléns” da pequenez e da humildade para dar lugar à imensidão das grandes cidades do anonimato e da exclusão; aos novos edifícios que, com sua altura, como outras tantas novas torres de Babel, parecem querer desafiar até a lei da gravidade chegando até o céu! Pois é ali, nas grandes, médias ou pequenas cidades ou nos campos – que já são poucos! - que se encontram outros “humildes pastores” na pessoa dos empobrecidos, dos excluídos e dos abandonados; é ali, também, que se encontram os novos “reis magos”, isto é, os poderosos e sábios deste mundo, nas universidades, nas escolas de todo mundo, mestres nas ciências e nas tecnologias avançadas. Pela nossa presença de seguidores de Jesus, pelo nosso modo de vida e pela nossa maneira de pensar e de agir é que o mesmo Jesus quer manifestar-se hoje como há dois mil anos.

 3. Homens e mulheres, adultos e jovens, idosos e crianças anseiam por ser iluminados pela luz de Cristo. Devido às circunstâncias nas quais vivemos hoje, pode até parecer que não, mas todos estamos à espera de uma nova Epifania, de uma nova manifestação de Jesus que nos leve à felicidade completa. O Documento de Aparecida diz que “nossos povos não querem andar pelas sombras da morte. Têm sede de vida e felicidade em Cristo. Buscam-no com fonte de vida” (DAp 350).  Ouça, outra vez, o que Jesus diz de nós: “Vós sois a luz do mundo... Não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma caixa, mas sim no candelabro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. Assim também brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 13.14-16). Resta-nos, então, uma inquietante, mas, ao mesmo tempo, estimulante interrogação: conscientes de ter sido enviados, de ser discípulos missionários, como estamos vivendo e o que estamos fazendo para mostrar Jesus a esses homens e mulheres, adultos e jovens, idosos e crianças, à humanidade, a começar pela nossa família, pelos companheiros de trabalho, em fim, pelo nosso próximo mais próximo?Termino desejando a todos um fecundo e abençoado 2010, com a sugestão de iniciarmos este novo ano e, depois, de vez em quando repeti-la, como um itinerário, para mostrar Jesus aos que nos rodeiam, com a famosa e tão conhecida oração supostamente atribuída a São Francisco de Assis: "Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor; Onde houver ofensa, que eu leve o perdão; Onde houver discórdia, que eu leve a união; Onde houver dúvida, que eu leve a fé; Onde houver erro, que eu leve a verdade; Onde houver desespero, que eu leve a esperança; Onde houver tristeza, que eu leve a alegria; Onde houver trevas, que eu leve a luz. Ó Mestre, Fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois, é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna”.Que Maria, a Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, dê-nos força e coragem para, como ela o fez, sermos instrumentos luminosos com a Luz que é Jesus para continuar a Epifania dEle ao mundo de hoje!Abraça-os com carinho, o irmão e servo na luz de Cristo,  Pe. José Gilberto BeraldoAssessor Eclesiástico Nacional  E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


[1] Por falha de digitação, a anterior – dezembro/2009 – foi numerada equivocadamente. Esta, deste mês  deve ser considerada como sendo a centésima vigésima quarta.