Estatuto Social

Carta mensal Junho 2011

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Muito amados irmãos e irmãs que, juntos, queremos estar vigilantes à espera daquele fogo descido do céu, desejo-lhes toda a paz e um coração aberto à ação do Espírito Santo:

Carta MCC Junho 2011 – (142ª.)

“Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor a não ser no Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas num mesmo é o Senhor. Há diversidade de atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum... De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito” (1Cor 12, 3b-7.13)

Muito amados irmãos e irmãs que, juntos, queremos estar vigilantes à espera daquele fogo descido do céu, desejo-lhes toda a paz e um coração aberto à ação do Espírito Santo:

Vivenciando, ainda, o esperançoso clima das alegrias da Páscoa, passando pela Ascensão de Jesus aos céus[1], nos estamos preparando para celebrar a luminosa descida do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos e, hoje, sobre a Igreja e, portanto, sobre cada um de nós, discípulos missionários de Jesus[2]. Dizemos ser “esperançoso” este clima de Páscoa, pois alimentamos a firme e, ao mesmo tempo, misteriosa esperança de nossa própria ressurreição, prometida por Cristo para os que nele crêem: “Pois este é a vontade do meu Pai: que toda a pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 40). Escrevendo aos Romanos, lembrando a fé profunda que movia o patriarca Abraão, assim se expressa São Paulo,: “Esperando contra toda esperança, ele firmou-se na fé e, assim, tornou-se pai de muitos povos, conforme lhe fora dito: ‘Assim será a tua posteridade’” (Rm 4,18). A nós, que deveríamos ser os novos “Abraões” do século 21, levando em conta todos os desafios de uma cultura cada vez mais distante da mais pura e autêntica esperança, somente a ressurreição de Jesus pode nos fortalecer para “esperarmos contra toda a esperança”, fundamentados na única Verdade absoluta.

É para isso e por isso que Jesus promete aos seus seguidores que lhes vai enviar o Espírito Santo Consolador, laço de amor entre Ele e Seu Pai (Jo 14,17.26;16,13). Proponho, pois, uma breve reflexão sobre Pentecostes, inspirando-nos, sobretudo, em alguns dos versos da “Seqüência”[3] da Missa do dia de Pentecostes e encerrando com a famosa oração do saudoso Papa Paulo VI ao Espírito Santo.

1. “Enchei, luz bendita, chama que crepita, no íntimo de nós!”. O Espírito Santo ilumina a nossa inteligência e fazer arder o coração. Não se trata da mera inteligência ou sabedoria humana e, sim, daquela sabedoria, daquela “luz bendita” que nasce no coração de Deus e que nos é comunicada pela Palavra, isto é, por seu Filho Jesus e pela ação do Espírito Santo. É esta sabedoria, é esta luz que nos tornam capazes de discernir tudo aquilo que, efetivamente, vem de Deus e que ilumina todos os nossos passos. Trata-se, ainda, daquela “chama que crepita”, da mesma chama que fez arder o coração dos discípulos de Emaús ao serem alcançados pelo Cristo Ressuscitado e ao serem tocados pela sua presença (Cf. Lc 24,32).

2. “Vinde, Pai dos pobres, daí aos corações vossos sete dons”. O Espírito Santo quer conceder-nos os seus sete dons. Somos todos pobres em relação à Palavra, à realização do Reino de Deus, à plenitude da vida divina, isto é, à graça, enquanto o Espírito não nos enriquecer com os seus dons. Por isso, pedimos insistentemente ao Espírito Santo que nos leve à plenitude da vida divina concedendo-nos os seus sete dons: o Entendimento, o Conselho, a Fortaleza, a Ciência, a Piedade, o Temor de Deus.

3. “Consolo quer acalma, hóspede da alma, doce alívio, vinde!” O Espírito Santo pode acalmar o coração. Vivemos numa cultura e numa sociedade que provocam a nossa ansiedade tanto em relação ao presente como, sobretudo, ao futuro; que tornam in quieto o coração provocando, muitas vezes inutilmente, emoções que enfraquecem nossas energias interiores e chegam, até, a prejudicar a saúde. Somente a presença deste “hóspede da alma” poderá trazer-nos o “doce alívio” que esperamos. O alívio que, no dizer de Santo Agostinho, é o repouso em Deus: “Inquieto, Senhor, anda o nosso coração enquanto não repousar em Ti!”.

4. “No labor descanso, na aflição remanso, no calor aragem”. O Espírito Santo é o nosso descanso no trabalho. Trabalho, aflição, calor é tudo o que, normalmente, nos aflige tornando-se um peso, frequentemente insuportável no nosso dia a dia. Acabamos por nos tornar desanimados, aflitos, cansados, confusos, impacientes, desiludidos, acomodados e, até, insuportáveis aos que nos rodeiam ou que conosco mantém alguma relação. A ação paciente e tranqüilizadora do Espírito Santo será para nós o descanso no trabalho, o alívio na aflição e o refresco no calor!

5. “Ao sujo lavai, ao seco regai, curai o doente”. O Espírito Santo é água que lava e purifica. O pecado, a indiferença, a insensibilidade, a rotina ou a negligência em relação ao projeto de Deus e à sua Palavra podem fazer-nos “sujos” e, portanto, necessitados daquela limpeza pela água que nos torna aceitáveis aos olhos de Deus e com a qual fomos purificados pelo batismo; o coração se enriquece na aridez do deserto do mundo que, tantas vezes, nos escraviza e acabamos por cair doentes dominados pelo mal da ausência do Espírito que lava, rega e cura!

6. Dai à vossa Igreja que espera e almeja vossos sete dons”. O Espírito Santo é a alma da Igreja. Se os dons do Espírito Santo são necessários para que cada um possa colocar-se a serviço da comunidade – “em vista do bem comum”, diz São Paulo, eles são absolutamente vitais e imprescindíveis para toda a Igreja neste momento de tantos desafios para a evangelização. Nossos bispos, no Documento de Aparecida, afirmam insistentemente, que “necessitamos de um novo Pentecostes”[4].

7. “Dai em premio ao forte uma santa morte, alegria eterna. Amém”. O Espírito Santo alimenta a nossa esperança de uma alegria eterna. Forte é quem vive o dom da fortaleza do Espírito Santo; quem se alimenta da oração, dos sacramentos e, sobretudo, da Eucaristia; quem se deixa encharcar pelo amor a Deus e aos irmãos, pondo-se, como Jesus, a serviço dos mais pobres, dos excluídos, do “resto” da humanidade... estes, sim, alimentados pela esperança, podem receber o premio de uma santa morte e, em fim, poder ouvir de Jesus: “Muito bem, servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor!”.

Com meu fraternal abraço, em nome do Grupo Executivo Nacional do MCC do Brasil, desejo a todos santas festas de Pentecostes, servidor, irmão e amigo,


Pe.José Gilberto Beraldo

Grupo Sacerdotal do GEN

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Oração de Paulo VI ao Divino Espírito Santo

Ó Espírito Santo, dai-me um coração grande, aberto à vossa Palavra silenciosa, mas forte e inspiradora, fechado a todas as ambições mesquinhas, alheio a qualquer desprezível competição humana, compenetrado do sentido da Santa Igreja!

Ó Espírito Santo, dai-me um coração grande, desejoso de se tornar semelhante ao coração do Senhor Jesus. Dai-me um coração grande e forte para amar a todos, para servir a todos, para sofrer por todos! Um coração grande e forte para superar todas as provações, todo o tédio, todo o cansaço, toda a desilusão, toda a ofensa! Um coração grande e forte, constante até ao sacrifício, quando este for necessário!

Ó Espírito Santo, dai-me um coração cuja felicidade seja palpitar com o coração de Cristo e cumprir humilde, fiel e firmemente a vontade do Pai. Amem!



[1] Neste ano, no domingo, dia 05 de junho.

[2] Domingo, dia 12 de junho.

[3] “Seqüência” é uma espécie de hino ou cântico que, em algumas missas solenes, é inserido após a segunda Leitura e antes da aclamação ao Evangelho: nos Domingos da Páscoa e de Pentecostes, nas Festas de Corpus Christi e de Nossa Senhora das Dores.

[4] Doc.Aparecida 91,150 mas, especialmente, nros.362: “Esperamos um novo Pentecostes...”! e 548: “Necessitamos de um novo Pentecostes!”