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Carta mensal Novembro/2011

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O mês de novembro apresenta-nos temas importantíssimos que merecem ser aprofundados em nossas reflexões: Festa de Todos os Santos; Comemoração dos Fiéis defuntos; Domingo de Cristo Rei - que, também, é o Dia dos leigos e das leigas - e o Primeiro Domingo do Advento.

Carta MCC Brasil – Novembro 2011 (147ª.)

“Sede, pois, santos, porque Eu sou santo” (Lv 11, 45).

“Antes, como é santo aquele que vos chamou,

tornai-vos santos, também, vós, em todo o vosso proceder.

Pois está na Escritura:

“Sereis santos porque eu sou santo” (I Pd 1,15-16).

O mês de novembro apresenta-nos temas importantíssimos que merecem ser aprofundados em nossas reflexões: Festa de Todos os Santos; Comemoração dos Fiéis defuntos; Domingo de Cristo Rei - que, também, é o Dia dos leigos e das leigas - e o Primeiro Domingo do Advento. Entretanto, devido à limitação do nosso espaço, precisamos escolher apenas cum desses temas. Esperando que seja o mais abrangente deles, escolho o tema da santidade inspirado na primeira grande celebração do mês – Todos os Santos e Santas – e que pode alimentar nossa reflexão iluminando, assim, todos os demais.

1. A santidade nasce no coração de Deus. Numerosíssimos são os textos bíblicos, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, que proclamam a santidade do nosso Deus. Ao afirmar que Deus é santo, a Escritura quer dizer-nos que é da essência de Deus ser santo. Então cabe a pergunta: o que é santidade em Deus? Santidade em Deus é AMOR, é JUSTIÇA, é MISERICÓRDIA, é PERDÃO. Por ser infinito, acima de todas as limitações que constituem um ser criado, acima de tudo o que podemos imaginar, em Deus não existem adjetivos. Por isto mesmo, nenhum ser humano, por mais sábio, culto, ou inspirado que seja, pode ter a última palavra sobre Deus. São João, na sua Primeira Carta, afirma que 'Deus é amor' (1 Jo 4,8). Não usa a expressão adjetiva: “Deus é amoroso” porque limitaria infinitamente o AMOR em Deus que para nós, humanos, está mais na linha do “sentir” do que na essência do ser. Exatamente por não podermos “aprisionar” Deus em nosso modo de ver as realidades, uma importante autora diz que “Não é fácil falar do que chamamos de Deus”[1]. Por isso, quando Deus falou a Moisés pela primeira vez, na sarça ardente, ao ser perguntado por este, revelou seu nome de maneira estranha, não revelando quem, na verdade, Ele é: “Eu sou aquele que sou” (Exôdo 3,14). Deus, portanto, é a Santidade. Assim sendo, e desejando aproximar-se cada vez mais de suas criaturas, Ele quer partilhar conosco a sua própria santidade. Certa vez, o grande Santo Agostinho afirmou que “Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus”, no sentido de que Deus quer plena comunhão com seus filhos e filhas.

2. Santidade, um “produto” ao alcance de todos: “Você pode”! Os apelos de uma publicidade quase indecente em nossa sociedade altamente consumista chega a invadir as emoções e os sentimentos dos possíveis consumidores. Entre seus slogans mais agressivos está o “Você pode”: ‘você pode sonhar, você pode ter, você pode comprar... vamos, não fique aí parado, você pode...”, tudo dirigido, precisamente, aos que menos podem, àqueles de cujo alcance estão longe a léguas de distância tais produtos! E porque empregar o termo “produto” para a santidade? Exatamente para abrir o nosso “apetite” para a santidade. Em toda a história da nossa salvação somos motivados para o caminho da santidade. Já num dos primeiros textos sagrados, desde a Antiga Aliança, Deus chama o povo à santidade: “Pois eu sou o Senhor que vos fez subir do Egito para ser o vosso Deus. Sede, pois santos, porque eu sou Santo” (Lv 11,45). Ainda no mesmo livro do Levítico, volta a insistência: “Fala a toda a comunidade dos israelitas e dize-lhe: Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2). No Novo Testamento, a começar pelas palavras e pelo testemunho do próprio Jesus, são bastante numerosos os textos que nos mostram a necessidade de, como filhos e filhas de Deus, sermos santos ou perfeitos, como é santo e perfeito é o nosso Pai que está nos céus (cf.Mt 5,48) . Como nenhum outro, São Paulo nos motiva para a santidade, chegando a chamar alguns dos destinatários de suas Cartas de “santos”. Exemplo de um destes textos: “A vontade de Deus é que sejais santos...“ (1 Ts 4,3). Ainda: “Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade...” (1 Ts 4,7). São tão abundantes os apelos de Deus a que caminhemos para a santidade que sugiro aos meus queridos leitores, até como prática da “lectio divina”, buscar nos Evangelhos estes recados de Deus para nós.

E os Documentos do magistério eclesial, o que dizem a respeito? O Concílio Vaticano II afirma: “Todos os fiéis cristãos são, pois, convidados e obrigados a procurar a santidade e a perfeição do próprio estado” (Lumen Gentium, 41). Por ai, somos advertidos de que a santidade não é, como se pensava antes e como muitos ainda pensam, um caminho para os santos que já estão nos altares ou para alguns poucos privilegiados, “eleitos” de Deus, mas um caminho para “todos” os cristãos. Esse chamado é uma “vocação universal”. Todos os batizados, portanto, sem exceção, são chamados à santidade. “Eles são justificados no Senhor Jesus – diz o Concílio – ,porquanto pelo batismo da fé se tornaram verdadeiramente filhos de Deus e participantes da natureza divina e portanto realmente santos” ( Lumen Gentium, 40). Santos e santas, portanto, são os que assumem decididamente, o caminho da prática do amor, da justiça, da solidariedade, da fraternidade, do acolhimento, de perdão, seguindo uma Pessoa, um Mestre, Jesus Cristo e não apenas praticando uma religião, seja ela qual for, e seus respectivos rituais.

3. Santidade do discípulo missionário. Para a Igreja da América Latina e do Caribe, portanto, para as Dioceses, paróquias, comunidades, instituições, movimentos eclesiais, enfim para todos nós que queremos se discípulos missionários de Jesus nestes inicios do século vinte e um, o Documento de Aparecida (DAp) traça um itinerário para a santidade, indicando caminhos e sugerindo pistas práticas. Entre outras, aqui vão seis delas: a) primeira: “...participar da missão de tornar visível o amor misericordioso do Pai, é caminhar para a santidade...(DAp 148); b) segunda: responder à convocação para a santidade pois “Todos os membros do povo de Deus , segundo suas vocações específicas, somos convocados à santidade na comunhão e na missão” (DAp 163); c) terceira: assumir a condição de discípulo na comunidade eclesial, pois “desse modo, realiza-se na Igreja a forma própria e específica de viver a santidade batismal a serviço do Reino de Deus (DAp 184); d) quarta: aceitar os desafios do testemunho de vida: “Dos que vivem em Cristo se espera um testemunho muito crível de santidade e compromisso. Desejando e procurando essa santidade não vivemos menos, e sim melhor, porque quando Deus pede mais, é porque está oferendo muito mais: “Não tenham medo de Cristo! Ele não tira nada e dá tudo” (DAp 352); e) quinta: esforçando-se para concretizar a comunhão pastoral; “Hoje, mais do que nunca, o testemunho de comunhão eclesial e de santidade são uma urgência pastoral” (DAp 368); f) sexta: atuando como fermento na massa: São os leigos de nosso continente, conscientes de sua chamada à santidade em virtude de sua vocação batismal, os que têm de atuar à maneira de um fermento na massa para construir uma cidade temporal que esteja de acordo com o projeto de Deus” (DAp 505).

Meu querido irmão, minha querida irmã: ao celebrar as festas deste mês de novembro, lembre-se que a santidade não é nenhum privilégio; é, antes de tudo, um chamado a todos os seguidores de Jesus. Seja nossa oração diária um versículo do Cântico de Zacarias: “Ele (Deus) foi misericordioso com nossos pais: recordou-se de sua santa aliança, e do juramento que fez a nosso pai Abraão, de nos conceder que, sem medo e livres dos inimigos, nós o sirvamos, com santidade e justiça, em sua presença, todos os dias de nossa vida (Lc 1, 72-74).

Meu carinhoso abraço fraterno,

Pe.José Gilberto Beraldo

Grupo Sacerdotal do GE

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[1] ARMSTRONG, Karen, “Em defesa de Deus”. ‘O que a religo ião realmente significa’, Companhia das Letras, SP, p.18