Estatuto Social

Carta Mensal Abril/2012

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“Acaso ignorais que todos nós, batizados no Cristo Jesus, na sua morte quer fomos batizados? Pelo batismo fomos sepultados com ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova" (Rm 6,3-4).

Carta MCC Brasil – Abr 2012 (152ª.)

“Acaso ignorais que todos nós, batizados no Cristo Jesus,

na sua morte quer fomos batizados?

Pelo batismo fomos sepultados com ele na morte,

para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai,

assim também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6,3-4).

Amados irmãos e irmãs, seguidores dos passos de Jesus na Cruz e na Ressurreição!

Logo no início deste mês, no dia 08, coroando a Santa Semana do Seu sofrimento e da Cruz, voltamos a exultar com as alegrias da Páscoa da Ressurreição de Jesus. Durante todo o tempo pascal, ou seja, por mais cinquenta dias, ressoará em nossos ouvidos, ou melhor, em nossa vida, o Aleluia da ressurreição. Pois, “sepultados com Ele pelo batismo, vivemos uma vida nova”. Por isso mesmo, nunca, em momento nenhum, a vida do cristão deveria deixar de ser uma celebração pascal e um contínuo “viver uma vida nova”. Por quê? São Paulo nos dá a resposta definitiva ao afirmar que a “nossa fé não tem nenhum valor” se Cristo não ressuscitou (cf.1Cor 15,17), mas “na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias do que morreram” (1Cor15, 20). Sabemos todos que pela ressurreição de Jesus estamos imersos no mais profundo do mistério da nossa fé, pois, contrariando a natureza humana, Deus movido pelo seu louco amor de Pai, através do seu Filho Jesus, faz-nos mergulhar na própria vida da Santíssima Trindade. Pois bem, sendo a Páscoa da Ressurreição, passagem da morte do pecado para vida, pois “pelo batismo fomos sepultados com ele na morte” para que “como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6,3), é uma celebração perene, eterna. Perene por ter sido iniciado ontem por Jesus; perene por ser continuada hoje por Ele e por seus seguidores; perene por que contem em si, uma esperança de vida nova nos braços do Pai eterno. Celebração, portanto, do ontem, do hoje e do amanhã.

Eis, então, alguns pontos para nossa reflexão desde o seu ponto de partida, ontem; até os nossos dias, hoje e projetada para o futuro, amanhã.

1. A ressureição no ontem – a vivência da FÉ. É um fato histórico suficientemente atestado pelos quatro evangelistas (Mt,28, 1-9; Mc 16, 1-13; Lc 24, 1-11; Jo 20,11-29). A ressurreição de Jesus cumpria uma promessa de Deus ao povo do Antigo Testamento ao renovar com ele a Sua aliança – agora eterna - mediante o Sangue do seu Filho, morto e ressuscitado. Através da Páscoa de Jesus, Ressurreição – passagem da morte para Vida – o Pai esbanja para conosco misericórdia, ternura, amor, vida. Somente através dos olhos da fé é que podemos nos convencer dessa divina realidade. Nem as ciências, nem as filosofias, quaisquer que sejam, nem sequer boa vontade, nada pode explicar a realidade da ressurreição. Somente pode fazê-lo a nossa fé, a plena aceitação do mistério pascal, deixando-nos envolver por uma luz que nossos olhos humanos não são capazes de ver, mas que, pela fé, sabemos de onde vem, ou seja, do Senhor Jesus Ressuscitado! Pois vivenciar a fé no Senhor Jesus Ressuscitado é deixar-se mergulhar na sua própria ressurreição depois de aceitar a cruz ou o sofrimento, com a certeza de que, com Ele, estaremos colaborando para a redenção do mundo.

2. A ressurreição no hoje – a vivencia do AMOR. Nossa Páscoa de ressurreição e de vida nova continua hoje, ainda que envolvida pela obscuridade e pela profundeza do mistério. A própria Igreja nos lembra, com frequência, de nossa vivência pascal, recordando-nos a vida nova de ressuscitados. Aliás, a própria liturgia nos lembra que, em cada domingo (“dies Domini” ou “Dia do Senhor”), ao celebrar a Palavra e a Ceia Eucarística, estamos celebrando uma nova páscoa. Até mesmo durante a semana, uma das motivações do Ato penitencial, a critério do celebrante, está na lembrança da ressurreição de Jesus e de uma vida nova: “No dia em que celebramos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, também nós somos convidados para morrer para o pecado e ressurgir para uma vida nova. Reconheçamo-nos necessitados da misericórdia do Pai”.

Mas, meus queridos leitores e leitoras, à luz do que acabamos de refletir, podem surgir uma ou várias perguntas mais ou menos incômodas, por exemplo: como se pode viver ressuscitados, cercados que estamos não apenas de sinais, mas de realidades de morte (assassinatos por motivos fúteis; mortes violentas pela ambição do ter; lenta destruição da vida pelas drogas, pelo álcool ou, até, pelo ódio, etc.). Como podemos falar de “vida nova” aos homens e mulheres deste nosso tempo de uma cultura em mudança; de uma cultura de morte, de exclusão; numa cultura da mentira e da superficialidade?

À luz do Senhor Ressuscitado só existe uma linguagem compreendida por todos, homens e mulheres, jovens e crianças. É a linguagem universal do amor. Amor que foi e continua sendo a razão de ser da encarnação do Verbo do Pai; de Sua vida entregue ao anúncio do Reino; do Seu sofrimento e, sobretudo, de Sua Ressurreição.

Concluímos, pois, que, ou vivemos o amor pleno; a doação total do amor mútuo; as provas diárias da solidariedade, da fraternidade, do perdão generoso ou, então, não estaremos vivendo uma vida nova em Cristo; aquela vida que, “sepultados com ele na morte, somos ressuscitados dos mortos pela ação gloriosa do Pai”. Não importa quanta vida, chamada por nós de espiritual, tenhamos; nem de quantas missas participemos; nem de quantas sejam as indulgências que lucramos; nem de quantas devoções nutramos; tudo, tudo mesmo de nada servirá se não se viver a vida nova do amor. Para justificar o que acabo de escrever, permitam-me lembrar a todos uma única citação, entre as inúmeras contidas no Novo Testamento, citação que, possivelmente, até saibamos de cor. Trata-se de todo o Capítulo 13 da I Carta de São Paulo aos Coríntios. Esperando que todos a leiam de novo, cito, na íntegra, somente o último versículo: “Atualmente permanecem estas três (virtudes): a fé, a esperança, o amor. Mas a maior delas é o amor” (1Cor 13,13).

3. A ressurreição no amanhã – a vivência da ESPERANÇA. A partir da ressurreição de Jesus, aqui está outra proposta quase impossível de ser compreendida e aceita pelo mundo de hoje. Mundo ou cultura no qual, homens e mulheres sonham em ver seus desejos satisfeitos, não importa quais sejam, e satisfeitos agora, já; aliás, se possível, ontem! Até novas propostas de crenças que se multiplicam tão rapidamente, alimentadas por uma certa “teologia da prosperidade”(aliás, importada dos Estados Unidos) , atraem pela promessa na felicidade, agora; de muito dinheiro, hoje; de curas de todos as males, imediatamente... Diante de tais e outras atraentes propostas de imediatismo na realização de tantos sonhos (quantos deles em torno de inutilidades!) e de uma cultura voltada unicamente para o transitório, para os bens materiais, envolvem-se de tal modo as pessoas que, dificilmente, a não ser pela fé, aceitam a proposta de alimentar a esperança numa vida que não passa, numa vida de intimidade com o Pai na eternidade. Falar de ressurreição no amanhã, é falar e viver intensamente a esperança de uma vida nova, agora sim, no seio do Pai. Concluo com São Paulo a Tito: “Pois a graça salvadora de Deus manifestou-se a toda a humanidade. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mudo com ponderação, justiça e piedade, aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus” (Tito,2,11).

Com Maria, a Mãe do Ressuscitado, “Mãe do Verbo, Mãe da Fé e Mãe da Alegria” (VD 124), a todos desejo, com um carinhoso abraço e unido na oração da Santa Vigília, uma Santa Páscoa da Ressurreição, iluminados pela intensidade da luz da FÉ no Acontecimento passado; aquecidos e impelidos pelo AMOR da pascal vigília do presente e nutridos pela ESPERANÇA, pois “O que esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça” (2Pd 3,13).

Pe. José Gilberto Beraldo