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Carta MCC Brasil - Agosto 2014 – (180º.)

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Carta MCC Brasil  - Agosto 2014 - (180º.)

“O semeador saiu para semear...O que foi semeado em terra boa é quem ouve a palavra e a entende;

este produz fruto: um cem, outro sessenta e outro trinta" (cf. Mt 13, 3-23).

 

Muito amados irmãos e irmãs, perseverantes leitores e leitoras destas nossas breves reflexões mensais:

Desejo-lhes toda paz, harmonia, consolação e graça brotadas do coração misericordioso do Pai; a nós comunicadas pelo Filho Jesus e fortalecidas sempre pelo Santo Espírito!

 

1. As cartas mensais para o MCC do Brasil. Animados pela motivação evangelizadora destas Cartas mensais e fortalecidos pela mesma graça de Deus, Doador de todos os dons, com esta chegamos à de número cento e oitenta. Das primeiras cem já se publicou um volume ainda à disposição no escritório do Grupo Executivo Nacional (endereço acima).  Além da redação original em português, pois sua razão de ser foi o MCC do Brasil e seus primeiros destinatários os cursilhistas do nosso país, e contando com a preciosa colaboração e disponibilidade de nosso caríssimo irmão chileno, Jaime Rojas Lemm, a quem muito agradecemos, são traduzidas para o espanhol e enviadas ao MCC de toda a América Latina e de outros países também. Sempre foram estas nossas cartas tratadas com a intenção de agirem como uma pequena semente lançada nos distintos tipos de terreno e, por isso mesmo, nem sempre recebendo algum retorno (cf. Mt 13, 1-9).      

2. “Mês das Vocações". Não poderíamos deixar de lembrar nesta carta, ser agosto, o “Mês das Vocações". A primeira semana é dedicada à vocação aos Ministérios ordenados; a segunda à vocação para a Família; a terceira à vocação para a vida Consagrada de homens e mulheres e a quarta à vocação dos Leigos e Leigas. Tendo todas igual importância, é oportuno lembrar, de maneira especial, a vocação do Laicato na qual se inserem os Movimentos eclesiais, entre eles o nosso Movimento de Cursilhos cujo carisma, objetivo, finalidade estão no encontro pessoal com Jesus e a “fermentação evangélica nos ambientes" ou seja, na presença de cristãos ou grupo de cristãos não na sacristia mas no meio do mundo e nas suas realidades: família, trabalho e outros ambientes sociais. Ser leigo ou leiga não é não ser consagrado mas, uma vocação, isto é, um chamado de Deus para o anúncio do Reino de Deus nas realidades do mundo. Documentos eclesiais sobre a vocação e missão do leigo são muitos, sobretudo desde o Concílio Vaticano II. Ainda há poucos dias a nossa CNBB publicou em “Estudos da CNBB - 107" um texto para estudo “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade". É assim apresentado: “Este texto de estudo busca retomar e aprofundar a participação dos leigos e leigas na Igreja. Foi refletido e aprofundado durante a 52ª. Assembleia Geral da CNBB, celebrada em Aparecida de 30 de abril a 9 de maio de 2014.Será agora estudado nas Igrejas particulares, nas comunidades, grupos e movimentos[1]. Todo o Povo de Deus - leigos, vida consagrada, diáconos, presbíteros e bispos - caminhando para a realização da plenitude do Reino". Será uma pena se mais um documento importante como esse estiver destinado a repousar em paz, empoeirado no alto de uma estante!  

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. A vocação para ser um leigo e uma leiga autênticos, isto é, para ser “sal da terra e luz do mundo" (cf. Mt 5, 13-14) “luz do mundo" hoje, mais do que nunca, exige não apenas uma consciência e mentalidade comprometidas, mas, também, o reconhecimento dos Planos de Pastoral. Em algum momento deveria neles ser contemplada, por exemplo, a “Evangelização doa Ambientes" (vocação especifica do Movimento de Cursilhos). Pergunta-se: na sua paróquia ou comunidade, a hierarquia considera os leigos como meros serviçais paroquiais ou integrantes de todas as pastorais? Não será oportuno e, até, conveniente e necessário, chamar a atenção de sacerdotes, párocos, etc. que lugar de leigo - a não ser por algum serviço esporádico intra-eclesial - não é na sacristia e, sim, no meio das realidades do mundo?       

 

3. Alguns desafios apontados pela EG. Terminamos a nossa última Carta sugerindo que fosse lido no texto original da “Evangelii Gaudium" (EG) aqueles quatro (nãos) para que pudessem ser mais bem compreendidos e assimilados os três desafios apontados pelo Papa Francisco. São eles (61-75):

a) Desafios culturais (EG 61-67). A EG lista alguns desafios que, nestes inícios do século vinte e um, se apresentam à missão evangelizadora dose seguidores de Jesus. Há ataques à liberdade religiosa e perseguição a cristãos, criando ódio. Outro desafio está no relativismo, pois é impossível um projeto comum onde há portador de verdade subjetiva. Outros destaques: a prevalência do exterior, do imediato, do visível, do rápido, do superficial e provisório. Aí o real cede lugar para a aparência, deteriorando as raízes culturais. Os meios de comunicação de massa suscitam novas maneiras de comportamento na pessoa. Dentro de tudo está a ameaça constante aos valores tradicionais. Ainda que haja reações contra o materialismo, o consumismo e o individualismo, surgem movimentos religiosos tendentes ao fundamentalismo e, até, movimentos que parecem propor uma espiritualidade sem Deus. No sofrimento da pobreza, muitos procuram soluções imediatas. Surge um individualismo vazio deixado pelo racionalismo secularista também, infelizmente, corroborado pelo clima pouco acolhedor das paróquias e comunidades onde podem-se notar atitudes e práticas mais burocráticas do que pastorais. Em muitos casos, o administrativo está acima do pastoral onde prevalece, há séculos, uma sacramentalização sem evangelização. Por outro lado, a secularização reduz a fé e a Igreja ao âmbito privado e íntimo. Negando a transcendência, caímos na deformação ética e no relativismo. Isso provoca desorientação generalizada na adolescência e juventude. Nas questões morais, sentimos o esvaziamento ou superficialidade. Felizmente, mesmo na corrente secularista, a Igreja é uma instituição credível sendo mediadora na solução de problemas até em países onde é a minoria.  É difícil defender que atuamos na fidelidade à dignidade e ao bem comum. No que se refere à família, sabemos com esta vive profunda crise cultural e fragilidade nos vínculos enquanto o individualismo atual globalizado distorce os vínculos familiares.

b) Desafios da inculturação da fé (EG 68-70). Alguns desafios: enquanto países guerreiam, os cristãos insistem na solidariedade. Vemos surgir muitas formas de agregação para defender direitos. Há ainda uma reserva moral que guarda valores de humanismo cristão. Na cultura popular ainda temos uma marca de fé e valores cristãos. Fragilidades: machismo, alcoolismo, violência doméstica. Ainda: pouco valor à eucaristia, crenças fatalistas ou supersticiosas etc. Isso só pode ser superado tendo em conta o valor da piedade popular. Práticas modernas dificultam uma religiosidade popular mais centrada. Muitas pessoas se sentem desiludidas com a forma de agir da Igreja. Na família falta espaço para o diálogo numa linha mais cristã haja vista a influência da comunicação, do subjetivismo, do consumismo etc.

c) Desafios das culturas urbanas (EG 71-75). É preciso descobrir a presença de Deus na cidade, nas casas, ruas etc. Presença que não precisa ser criada, mas descoberta e desvendada para poder ir às pessoas como o fez Jesus no encontro com a samaritana (Jo 4,7). Em novas culturas, nascem novas orientações de vida com nova evangelização, cuja missão é a de iluminar os novos modos de relação com Deus. No âmbito multicultural há que se chegar às novas histórias e novos paradigmas. Observe-se que na cidade a pessoa se aliena em práticas de segregação e violência, enfrentando outros perigos: tráfico de drogas, de pessoas, abusos de menores, abandono de idosos e doentes, bem como várias formas de corrupção e crime. Tudo isto provoca grande retraimento e desconfiança entre as pessoas. O evangelho deve ser inserido no coração dessas realidades de vida.

         Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Face a estes desafios, qual a sua mentalidade de seguidor de Jesus: indiferença, falta de interesse como se nada fosse com você, ou consciência vida de que você também é parte da missão evangelizadora como fermento, sal e luz (cf. Mt 5 13-14? De maneira especial, o Movimento de Cursilhos de sua Diocese assumiu, conforme o seu carisma, a “fermentação evangélica dos ambientes"?

Com meu abraço fraterno, deixo-lhes a garantia de minha diária lembrança na Eucaristia, desejando a todos abundantes bênçãos de Deus e às suas famílias, especialmente aos queridos irmãos e irmãs enfermos. Do irmão, amigo e servo de todos no Senhor Jesus Cristo

 

Pe.José Gilberto BERALDO

Equipe Sacerdotal GEN MCC Brasil



[1] Grifo meu.