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Carta MCC Brasil Set – 2014 (181ª.)

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Carta MCC Brasil Set - 2014 (181ª.)

“Mas o Senhor disse-me: ‘Basta-te a minha graça; pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente’. Por isso, de bom grado, me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim; e me comprazo nas fraquezas, nos insultos, nas dificuldades, nas perseguições e nas angústias por causa de Cristo. Pois, quando sou fraco, então sou forte" (2Cor 12, 9-10).

 

Meus queridos leitores e leitoras: estejam com todos vocês e com suas famílias a graça, a paz e o amor de nosso Senhor Jesus Cristo:

Seguimos refletindo sobre a Exortação Apostólica do Papa Francisco, a Evangelii Gaudium (EG) - A Alegria do Evangelho, chegando à segunda parte - “Tentações dos agentes pastorais" (n° 76-109)do Capítulo II: “Na crise do compromisso comunitário"[1]. A citação bíblica do início nos haverá de servir para percorrer com a força do Espírito Santo o itinerário tão contrastante para o qual nos conduz a EG.

1. Introdução (76-77). Como numa breve introdução, o Papa agradece aos que dão a vida pelo bem da humanidade e afirma que os exemplos são inúmeros no cuidado dos doentes, na educação etc. E mostra como todos sofremos o influxo da cultura globalizada que, mesmo apresentando valores e novas possibilidades, pretende por outro lado nos limitar, condicionar e, até, nos enfraquecer. Cresce, então, a importância do discernimento dos critérios evangélicos que haverão de orientar a ação evangelizadora dos agentes pastorais. Através de uma pedagogia de alternância muito simples, a EG apresenta-nos dois “sins" e quatro “nãos".

2. Os dois “sins".

 

a) “Sim" ao desafio de uma espiritualidade missionária (EG 78-80). Uma espiritualidade que pode encontrar nos agentes pastorais três grandes males, isto é, o individualismo, a crise de identidade e um declínio de fervor. Assim, vemos muita preocupação com espaços pessoais de autonomia e relaxamento. Por causa disso, a missão evangelizadora fica como apêndice. A cultura dos meios de comunicação acentua desconfiança e desencanto nas pessoas e os agentes pastorais caem no complexo de inferioridade/relativização, passando a não mais se identificar com a missão evangelizadora. Acabam assim por sufocar a alegria natural de ser missionários. Caímos num relativismo prático e egoísta como se Deus não existisse. Buscamos segurança econômica, espaço de poder e glórias humanas. Há medo de perda de tempo livre e não aceitação de compromissos. Como conclusão necessita-se de um grande “sim" num vigoroso apelo final: “Não deixemos que nos roubem o entusiasmo missionário"!

 

b) “Sim" às relações novas geradas por Jesus Cristo (EG 87-92). Diante do progresso atual somos desafiados na transmissão da Palavra. Fechar-se em si mesmo é provar o veneno amargo da mesmice. Não fiquemos enclausurados no medo, na desconfiança e na suspeita do mundo atual. Muitos de nós talvez queiramos um Cristo puramente espiritual, sem carne e sem cruz. Temos que assumir aquelas atitudes que Jesus assumiu durante toda sua vida. Temos que abraçar o risco de ir ao encontro dos outros, na ternura. O isolamento pode-se exprimir numa falsa autonomia e excluir Deus.Pode levar ao consumismo espiritual e a um individualismo doentio. A vulnerabilidade espiritual leva à espiritualidade do bem-estar, da prosperidade e da subjetividade. O cristão deve aprender a descobrir Deus no rosto e na voz dos outros. A evangelização é fecunda quando comprometida com a comunidade. Daí brota outro “não" importante: “Não deixemos que nos roubem a comunidade"!

 

3. Os quatro “nãos"

 

a) “Não" à acomodação, à rotina pastoral (EG 81-83). Muitos vêm a evangelização como uma espécie de veneno perigoso e não vocação de Deus. Diante de tudo isto, os agentes acabam caindo numa acedia ou preguiça espiritual paralisante. As atividades passam a ser mal vividas, tensas e não assumidas. Acabam por esperar tudo do céu, caem em vaidades e fracassos. A fé passa a se deteriorar e degenerar na mesquinhez. Passamos a uma psicologia do túmulo, cristãos múmias de museu. Vem a tristeza melosa, sem esperança, precioso elixir do demônio. Conclusão: “Não deixemos que nos roubem a alegria de evangelizar".

 

b) “Não" ao pessimismo estéril (EG 84-86). Ninguém pode tirar do outro a alegria própria do Evangelho. Nada deve causar desculpa para reduzir nossa entrega e nosso ardor. Não podemos acreditar em falsos profetas anunciando o fim do mundo. Mesmo nas desgraças, os desígnios de Deus estão ao nosso lado. A sensação de derrota pode causar pessimismos e desencantos. Na desconfiança perdemos a batalha e enterramos nossos talentos. O trunfo do cristão é a cruz, mas como estandarte de vitória. Há lugares de desertificação espiritual numa construção sem Deus. Nessas realidades, o mundo cristão se torna estéril e vazio. Temos que descobrir a alegria de crer nos ambientes de uma fé vazia. “Às vezes o cântaro transforma-se em uma pesada cruz, mas foi precisamente na Cruz que o Senhor, trespassado, Se nos entregou como fonte de água viva." “Não deixemos que nos roubem a esperança!"

 

c) “Não" ao mundanismo espiritual (EG 93-97). O mundanismo espiritual busca glória humana e bem-estar pessoal. É fé fechada no subjetivismo e na imanência dos próprios sentimentos. Um mundanismo obscuro acaba por ocupar e dominar o espaço da Igreja. Na vanglória, perdemos o essencial, o sacrifício, a luta, a esperança. Há perigo de uma Igreja mundana com vestes espirituais, aparências. É urgente abrir-se ao Espírito saindo de uma aparência religiosa vazia de Deus. Mundanismo espiritual é alimentar desentendimentos na busca de prestígio. “Deus nos livre de uma Igreja mundana sob vestes espirituais ou pastorais. Esse mundanismo asfixiante cura-se saboreando o ar puro do Espírito Santo, que nos liberta de estarmos centrados em nós mesmos, escondidos numa aparência religiosa vazia de Deus". “Não deixemos que nos roubem o Evangelho".

 

d) “Não" à guerra entre nós (EG 98-101).“Dentro do povo de Deus e nas diferentes comunidades, quantas guerras!" Quantas violências e invejas expressando falta de fraternidade. É triste em comunidades cristãs ter ódio, divisão, calúnias, ciúmes. Devemos compreender a lei do amor e rezar por quem não amamos. “Rezar pela pessoa com quem estamos irritados é um belo passo rumo ao amor, e é um ato de evangelização. Façamo-lo hoje mesmo". “Não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno".

 

4. Outros desafios eclesiais.

A formação do leigo para transformar o mundo é desafio pastoral. Muitos atuam no âmbito da Igreja e não tomam decisões sociais. É importante, também, a contribuição da mulher na sociedade e na Igreja. Os espaços na Igreja sejam ampliados com a presença feminina. Quanto ao sacerdócio ministerial, cabe aos teólogos melhor reflexão. O poder sacerdotal é serviço. Dignidade e santidade vêm do batismo. Os adultos tenham paciência na pastoral juvenil e confiem no Espírito, pois muitos jovens se solidarizam contra os males do mundo e agem. O descompromisso missionário leva à escassez de vocações genuínas. Temos hoje mais clareza na seleção dos candidatos ao sacerdócio. É preciso cuidado com quem busca poder, glórias, bem-estar e com certos desequilíbrios. Ao interpretar os novos tempos, temos que ouvir os jovens e os idosos. “Os desafios existem para ser superados. Sejamos realistas, mas sem perder a alegria, a audácia e a dedicação cheia de esperança". “Não deixemos que nos roubem a força missionária"!

 

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Ao aprofundar sua reflexão pessoal ou juntamente com seu grupo, foi dada a devida importância ao conselho do Papa Francisco de “não deixar que nos roubem o entusiasmo missionário, a comunidade, a alegria de evangelizar, a esperança, o Evangelho ou, finalmente, o ideal do amor fraterno"?

 

Com meu abraço fraterno, saúdo a todos, desejando-lhes muita perseverança, fortaleza e alegria na missão evangelizadora que o Senhor Jesus nos confiou!

 

Pe. José Gilberto Beraldo

Equipe Sacerdotal Grupo Executivo Nacional MCC Brasil



[1] Insisto com meus leitores para que, ao iniciarem estas reflexões, tenham em mãos o texto integral da EG.