Estatuto Social

Carta MCC Brasil – Janeiro 2015 – (185ª.)

Avaliação do Usuário

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

“Aquele que está sentado no trono disse: ‘Eis que faço novas todas as coisas’”

(Ap 21,5ª)

Carta MCC Brasil - Janeiro 2015 - (185ª.)

"Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos" (Mt 28,20).

A todos, irmãos, irmãs, leitores e leitoras destas nossas Cartas mensais, minha carinhosa saudação fraterna neste início de um novo ano civil e reinício de nossa peregrinação - alguns mais distantes, outros bem mais próximos - rumo ao Reino definitivo!

1. Um novo ano, uma nova caminhada, uns novos desafios. Para nós, católicos, um novo ano litúrgico já se iniciou no primeiro domingo do Advento - 30/11/2014 - como sendo o ano B. Celebrado o Natal, abrem-se as perspectivas de um novo ano civil, o ano de 2015. Com certeza todos temos algumas ou, quem sabe, as mesmas perguntas de sempre no início de cada ano: que sentido tem para nós um novo ano? Que fonte de iluminação estamos buscando para clarear a nossa vida diária quase sempre tendo que navegar em meio a densas trevas e a questionadoras incertezas?   Onde ou em quem vamos encontrar as forças necessárias para a caminhada que nos espera? E mais: numa dimensão eclesial, e face a tantas mudanças e transformações tão aceleradas, nós, que nos julgamos convictos evangelizadores e fiéis seguidores de Jesus, ficamos a nos perguntar: para onde vai caminhando nossa Igreja Católica guiada por este nosso ainda novo Pastor, o Papa Francisco que a cada dia surpreende a Igreja e o mundo com gestos, atitudes, palavras e com o testemunho pessoal de simplicidade, despojamento e coragem evangélica? Como encarar e assumir decidida e comprometidamente o processo de uma nova evangelização numa cultura cambiante, cada dia mais secular e distante dos valores ensinados e testemunhados por Jesus?

2. Um novo ano, uma nova esperança.

2.1. Santa Maria, Mãe de Deus.  Logo no primeiro dia do novo ano, aparecem a figura e a presença da Mãe, Maria, pois é a celebração de Santa Maria, Mãe de Deus, tão intimamente ligada ao Natal de Jesus, seu filho segundo a carne. Num momento providencial como este para a nossa Igreja, necessitamos, efetivamente, de uma Mãe que, escolhida para ser a Mãe de Deus, foi eleita por Jesus na cruz, como nossa Mãe, Mãe da Igreja. E, como toda mãe, Maria traz para todos nós, neste portal de um novo ano, a renovação de novas esperanças no anúncio e na realização do Reino de Deus. A Ela, pois, nos confiamos, lembrando, com muito carinho, as palavras da Virgem e Mãe de Guadalupe ao índio Juan Diego, preocupado com a saúde do tio: "Não estou eu aqui que sou tua Mãe? Por acaso, não está abrigado debaixo de minha sombra? Não sou eu tua saúde? Porventura não estás no meu colo?". E, no final da EG, apresenta o Papa Francisco a Maria uma belíssima oração cujo início fazemos nosso: "Virgem a Mãe Maria, Vós que, movida pelo Espírito, acolhestes o Verbo da vida na profundidade da vossa fé humilde, totalmente entregue ao Eterno, ajudai-nos a dizer o vosso "sim" perante a urgência, mais imperiosa do que nunca, de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus".

2.1. A perene novidade do projeto de Deus. Aqueles que alimentam sua vida nas fontes de fé alimentam como necessária consequência, a certeza de estarem mergulhados no mistério de Deus. E, na profundidade do mistério do Deus eterno não existem início nem fim, pois tudo é sempre novo a cada manhã, a cada tarde, a cada noite, a cada madrugada... pela eternidade. Esta é a razão de ler-se no livro do Apocalipse: "Aquele que está sentado no trono disse: ‘Eis que faço novas todas as coisas’" (Ap 21,5ª) pois, a afirmação divina está no contexto de "um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram..." (Ap 21,1). Ainda num contexto de renovação, de vivificação e de plenitude, repetimos m muitas ocasiões importantes: "...Enviai o vosso Espírito e tudo será criado. E renovareis a face da terra".

Assim, o início de cada ano é propicio para nele entrarmos alimentados por esta mentalidade de renovação, olhando para traz apenas para aprendermos com a história, sem nos ancorarmos em saudosismo inúteis, em radicalismos mofados ou em lembranças que só levam ao desânimo e à perniciosa acomodação do tipo "no meu tempo é que era bom...".

 Uma vez mais lembramos o exemplo do Papa Francisco, ousado, corajoso, convicto de sua fé e de seu ministério, que não receia enumerar entre as quinze "doenças graves" da cúria romana as duas seguinte: "sentir-se autossuficientes, não fazendo autocrítica, não se atualizando e não tentando melhorar" e "o mal do "Alzheimer espiritual que atinge os que se esqueceram de seu encontro com o Senhor". Face à afirmação apocalíptica acima citada, há que se "fazer novas todas as coisas".

Nada porém se renovará se não acontecer uma radical conversão que consiste numa mudança de mentalidade e, sobretudo, numa mentalidade de mudança. É urgente ouvir a "voz d’Aquele que está sentado no trono" e recomeçar a cada manhã, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo, enfim, a cada instante deste novo ano de 2015. Estamos com medo de assumir a missão num novo tempo? Com receio de críticas a um compromisso assumido com o Mestre?  Duvidamos dos nossos próprios passos evangelizadores adotando, conforme João Paulo II, "novas expressões, novos métodos e um novo ardor"?  Pois então, é o momento de lembrar do que Ele disse ao despedir-se dos seus: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos" (Mt 28,20). E, em meio à aterradora tempestade e à agitação do mar: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!" (Mt 14,27). No fundo, é claro, está o amor: No amor não existe medo. Ao contrário, o perfeito amor lança fora o medo, pois o medo implica castigo, e aquele que tem medo não chegou à perfeição do amor" (1Jo 4,18).

3. Reflexão sobre as quinze doenças graves citadas pelo Papa. Ainda que sacrificando a continuidade de nossa reflexão sobre a Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium" (continuaremos na próxima carta) julguei de absoluta urgência chamar a atenção sobre esta surpreendente manifestação do Papa Francisco em sua mensagem de Natal aos membros da Cúria romana no dia 22 de dezembro último. Ouso fazê-lo, pois estas doenças afetam os membros da Cúria romana, mas boa parte da hierarquia, do clero e de muitos leigos e leigas, membros de Associações, Comunidades e Movimentos eclesiais. Especialmente aos responsáveis e demais participantes do Movimento de Cursilhos ouso recomendar - se ainda não o vêm fazendo- a refletir profundamente sobre o assunto, mesmo que não na ordem apresentada, aplicando-o às suas realidades. Levando em conta as duas primeira citadas acima, aqui vão as outras treze: "1) Trabalhar demais sem repouso; 2) Perder a sensibilidade que ‘nos faz chorar com que choram’; 3) Limitar a liberdade do Espírito Santo devido ao excesso de planejamento; 4) Trabalhar sem coordenação, como ‘uma orquestra que só produz ruído’; 5) Fazer da aparência  e dos títulos o principal objetivo da vida; 6) ‘Esquisofrenia existencial’, que afeta os que trocam o serviço pastoral  pela burocracia; 7) Cortejar os superiores e honrar pessoas que não são de Deus, esperando por sua benevolência; 8) Praticar o ‘terrorismo da fofoca’, falando pelas costas; 9) Por ciúmes ou astúcia, ficar contente com a queda de alguém, em vez de ajuda-lo; 10) Ter um ‘rosto fúnebre’, muitas vezes sintoma de medo; o apóstolo deve transmitir alegria por onde passa; 11) Tentar preencher o vazio existencial do coração com bens materiais; 12) Formar ‘círculos fechados’ que buscam ser mais fortes do que o todo; 13) Querer mostrar-se mais capaz do que os outros por meio de calúnia e difamação". Será que tudo isso tem a ver com todo o Povo de Deus?

Irmãos e irmãs: agradecendo o Papa Francisco a sinalização tão prática para o itinerário de nossa renovação pessoal e na missão evangelizadora que com tanto entusiasmo abraçamos um dia, deixo-os na companhia do Espírito Santo para que, voltando ao "amor primeiro" que, quem sabe, temos abandonado (Ap 2,4), e ouvindo a Sua voz no início deste novo ano, possamos abrir-nos para as "coisas novas" que Ele vai anunciar para a dilatação do Seu Reino, aqui e agora, na esperança do Reino definitivo. Neste contexto, vejo como impossível terminar estas nossas modestas reflexões sem lembrar, a todos convidando para repeti-la, um parágrafo da oração a Maria no final da EG: "Alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte. Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga". 

 

Com meu abraço fraterno e amigo, vão os votos de um fecundo ano de 2015 encharcado de todas as bênçãos do Pai, Filho e Espírito Santo, sob o manto da Virgem de Guadalupe, Patrona da América Latina!

                                                                                                                  

Pe.José Gilberto BERALDO
Equipe Sacerdotal do GEN
Movimento de Cursilhos de Cristandade do Brasil