Estatuto Social

Carta MCC Brasil – Setembro 2015 (181ª.)

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“Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama, não guarda as minhas palavras. E a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou".

(Jo 14,23).

Caríssimos leitores e leitoras: estejam com todos a graça e a paz do Senhor! 

No próximo dia 27 deste mês, domingo, celebra-se na Igreja no Brasil, o Dia Nacional da Bíblia que tem sua repercussão durante todo o mês, como sendo o Mês da Bíblia, ou seja, um mês inteiro com seu foco principal na Palavra de Deus. Sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, a Igreja Católica se deu conta da  importância essencial que tem a Palavra de Deus na vida de um seguidor de Jesus.

 

Se foi a partir de Lutero - que colocou a Bíblia no centro da fé, provocando forte reação negativa por parte da Igreja Católica - que a Bíblia assumiu seu real papel, agora é a nossa Igreja que reassume sua consciência a respeito da Bíblia que, fortalecendo a nossa fé, nos mostra os sacramentos como sendo dela a vivência e o exercício diários. Simples assim, pois essa Palavra é o próprio Filho de Deus encarnado entre nós: “E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós" (Jo, 1, 14).

1. Na Palavra de Deus exercita-se a mais autêntica espiritualidade. A alguém que lhe perguntou que definição ele daria para “espiritualidade", respondeu o Dalai-Lama: “Espiritualidade é tudo aquilo que transforma você por dentro...". Num dos parágrafos de nossa Carta de Agosto, comentando a Transfiguração de Jesus, lembramos que também nós, seus seguidores, podemos e devemos deixar-nos transfigurar pela Palavra. Ou seja, tornar-nos imagem viva de Jesus. A começar “por dentro", isto é, pela mentalidade, pelo modo de ver e julgar coisas e acontecimentos, bem como a história, podendo chegar até ao subconsciente.

No íntimo da pessoa que vive a Palavra, que cultiva a “espiritualidade da Palavra", diante de qualquer circunstância, acontecimento, opinião, etc., imediatamente nasce a pergunta: “o que Deus quer dizer com isto: para mim, para a Igreja, para o mundo?". Ao responder a uma pergunta de Tomé sobre o convite para seu seguimento, Jesus-Palavra assume sua identidade de “Caminho, Verdade e Vida" e confirma: “Ninguém vai ao Pai senão por mim" (Jo 14 6).

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo.  Você, meu leitor, minha leitora, está de olhos abertos para os acontecimentos pessoais ou as circunstâncias sociais, políticas, religiosas ou familiares que o cercam e o condicionam e a todo o seu grupo? É possível “escutar" a voz de Deus através deles?  Se sim, que recados Ele lhe está enviando?

2. Na Palavra de Deus, “Jesus-Caminho". Nos Atos dos Apóstolos, a começar pelo versículo n° 2 do capítulo 9, ao referir-se à pessoa de Paulo, perseguidor dos “adeptos do Caminho", a identificação de Jesus com o “Caminho" é bastante frequente (cf. At 9,2; 19,9. 23; 24,22), tendo continuado na prática das primeiras comunidades cristãs.

Caminho traz a conotação de “seguimento", de discipulado, de palmilhar as mesmas pegadas do Mestre. E fazê-lo não por proselitismo, por fanatismo por um ídolo, mas pela atração de um amigo e Pastor cuja voz se reconhece: “Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas escutam a sua voz, ele chama cada uma pelo nome e as leva para fora. E depois de fazer sair todas as que são suas, ele caminha à sua frente e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz" (Jo 10, 2-4). Tanto o Papa emérito Bento XVI refere-se à adesão e seguimento de Jesus por atração e não por proselitismo, isto é, por conquista, como também o faz o Papa Francisco. 

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo.  Sua prática religiosa - missa dominical, devoções, etc. - provêm somente de tradição familiar que, via de regra, lhe apresenta um Jesus somente moldado pela tradição? Ou sua fé continua alimentando-se do Primeiro Catecismo da Doutrina Cristã e por aí ficou “estacionada"? Ou você ainda não chegou à maturidade da fé de forma a se sentir atraído por Jesus?

3. Na Palavra de Deus, “Jesus-Verdade". Neste tempo do despontar de uma nova cultura, de uma nova sociedade, estamos todos já mergulhados num clima caracterizado pelo relativismo, pela superficialidade e pelas aparências. Nele, o que é bom tornou-se mau e o que é mau fez-se bom; a mentira aparece como verdade ao sabor de cada um e a verdade manifesta-se como mentira... num emaranhado e numa diversidade infinita de propostas. É, pois, urgente que nós, assim chamados seguidores de Jesus, voltemos a fazer a indizível experiência da Verdade. Melhor dizendo, a experiência de Jesus.

Volto a lembrar Bento XVI que durante todo o seu pontificado, quer nos seus discursos ou escritos, referia-se ao “relativismo" que tomava conta de todos os países desenvolvidos da Europa e se expandia pelo resto do mundo. Em poucas palavras, o relativismo afirma que não existe uma verdade absoluta e única; que cada ser humano tem a sua verdade; que a ciência tem suas verdades, que as “verdades" são muitas, etc. Hoje, é muito fácil e muito comum, até entre cristãos, aderir a essa teoria e, mesmo confessando sua pretensa fé em Jesus, declarar alto e bom som: “eu sou dono de minha cabeça, penso do jeito que quero, e ninguém me obriga a nada!". Pergunta: onde fica a fidelidade a Jesus-Verdade?

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Quase sempre, sem que você como seguidor de Jesus perceba, você está assumindo, como ‘dono’, esta ou daquela verdade. É muito fácil na atual cultura do “provisório" ou, se quiser, do relativismo, esquecer-se da Palavra de Deus como encarnada em Jesus-Verdade. Você - ou o seu grupo - tem alguma reserva quanto a essa afirmação de Jesus?

4. Na Palavra de Deus, “Jesus-Vida". Poderíamos chamar esta auto-definição feita pelo próprio Jesus como a síntese perfeita e acabada do seu Ser divino-humano? Sim, pois Aquele que procede da ternura do Pai, isto é, de sua mesma vida eterna, é o mesmo que se torna vida na carne humana. É a Palavra que, sendo audível, torna-se visível, como afirma Bento XVI. Sem mais nada acrescentar deixo-os com a Verbum Domini: “A tradição patrística e medieval, contemplando esta «Cristologia da Palavra», utilizou uma sugestiva expressão: O Verbo abreviou-Se. Na sua tradução grega do Antigo Testamento, os Padres da Igreja encontravam uma frase do profeta Isaías - que o próprio São Paulo cita - para mostrar como os caminhos novos de Deus estivessem já preanunciados no Antigo Testamento. Eis a frase: “O Senhor compendiou a sua Palavra, abreviou-a" (Is 10, 23; Rm 9, 28). (…) O próprio Filho é a Palavra, é o Logos: a Palavra eterna fez-Se pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. Fez-Se criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós. Desde então a Palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré (VD 12)."

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Seria Jesus-Vida apenas na vida futura? Ou seria, quem sabe, uma ousada afirmação a mais proferida por Jesus? Ou será que não daríamos toda a importância que a ela se deve se essa Palavra não se fizesse VIDA na EUCARISTIA, Corpo e Sangue de Cristo?

Deixo a todos na companhia enriquecedora da Palavra e deixo, também, meu abraço fraterno e a garantia de minha lembrança diária na oração e no altar da Sagrada Eucaristia, de todos os que querem fazer da Palavra seu Caminho, sua Verdade, sua Vida.

Pe.José Gilberto BERALDO

Equipe Sacerdotal do GEN - MCC Brasil