Estatuto Social

Carta MCC Brasil – Outubro 2015 (194ª.)

Avaliação do Usuário

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

“Jesus subiu à montanha e chamou os que ele quis, e foram com ele. Ele constitui então os doze, para que ficassem com ele e para que os enviasse a anunciar a Boa Nova, com o poder de expulsar os demônios”

(Mc 3, 13-15).

Meus caríssimos leitores e leitoras, amigos, irmãos e companheiros de jornada na implantação do Reino de Deus para uma sociedade mais humana e mais cristã: amor, solidariedade, justiça, perdão e paz!  

Outubro, Mês das Missões...ou Mês missionário...ou Mês dos (as) missionários (as)! Não importa o modo como se exprime o termo ou o conceito. Não importa o título. Não importa a palavra que se emprega. Importa, sim, o conteúdo. Mas, acima de tudo, importam o espírito e a prática com que é vivido. Melhor dizendo, importa a espiritualidade com que deve ser encarnado, levando em conta que a “espiritualidade é tudo aquilo que transforma você por dentro”. No caso, transforma você em discípulo que segue o Caminho[1], ou seja, segue o próprio Jesus e seu caminho. Jesus que, anunciando o Reino de Deus ao seu povo fiel à Lei e aos profetas, busca as “ovelhas perdidas da casa e Israel”. Em certa ocasião, ao ser questionado por um dos seus discípulos, Ele mesmo se define como o Caminho: “Tomé disse: “Senhor, não sabemos para onde vais. Como poderemos conhecer o caminho? Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14,5-6). 

Mas – atenção! – Jesus também sai da Judeia e vai para a Galileia; detém-se junto ao poço de Siloé, dialogando com a Samaritana... permite que uma mulher pagã toque a barra de suas vestes...atende um oficial romano que lhe suplica a cura de um seu empregado... Seguindo o caminho de Jesus, somos chamados, sobretudo incentivados por este Mês das Missões, a assumir com Ele, sua caminhada missionária. Além de nutrir em nós uma espiritualidade missionária, orientações do Magistério da Igreja também nos ajudam na caminhada.

1. Uma espiritualidade missionária. Não se restringe a lembrar aos cristãos que existe um mês missionário. De fato, uma espiritualidade missionária se desenvolve no íntimo do seguidor de Jesus e consiste em criar e cultivar uma mentalidade que supere a mera consciência de uma obrigação imposta pelos mandamentos ou a observância de práticas e devoções religiosas. Tudo na sua vida deve transpirar a convicção de, como os apóstolos e as mulheres que o acompanhavam, ter sido chamado e enviado. Enviado, hoje, de maneira muito especial “às ovelhas perdidas da casa de Israel”, isto é, aos irmãos e irmãs que, por um motivo ou sem motivo algum, se afastaram da comunidade eclesial. Ao dizer que tudo deve transpirar missionariedade, incluo, de maneira especial, nossas celebrações litúrgicas, desde o canto da entrada[2] deveriam deixar transparecer que somos enviados para anunciar a Boa Notícia do Reino de Deus, isto é, o amor, a fraternidade, a caridade, o perdão... E não nos esqueçamos – detalhe quase essencial... – que Ele envia os seus discípulos e discípulas para a messe “dois a dois”...

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo.  Você, meu caro leitor, minha querida leitora, ainda está preso à ideia de que “terra de missão” é apenas terra de índios, de pagãos ou em países estrangeiros? E que “missionário (a)” é apenas quem deixa sua família, sua cidade e sua pátria para anunciar a Boa Nova em terras longínquas? Que medidas práticas você pode adotar para fazer brotar e cultivar uma mentalidade de mudança a respeito da vocação missionária de cada seguidor de Jesus?     

2. Documentos do Magistério da Igreja.  Na Igreja, atualmente, temos dois documentos indispensáveis seja como claras referências missionárias, seja como ensinamentos e orientações vivenciais para a prática da Palavra de Deus. Trata-se de duas Exortações Apostólicas: a Verbum Domini sobre a Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja, do Papa emérito Bento XVI e da Evangelii Gaudium sobre o Anúncio do Evangelho ao Mundo Atual , do nosso Papa Francisco. Nestas breves reflexões faremos uso de ambos em alguns aspectos, ainda que, em outras cartas já nos tenhamos debruçado sobre eles.

2.1. Missionariedade na VD: é de uma riqueza extraordinária a reflexão proposta pelo Papa emérito Bento XVI a respeito da vocação missionária da Igreja na VD, especialmente na Terceira Parte: “A Missão da Igreja: anunciar a Palavra de Deus ao mundo” (n.90-107).  Como se fora um “aperitivo” de todo um texto que deverá ser degustado com alegria e prazer, cito apenas um trechinho do n.91: “Anunciar ao mundo o «Logos» da Esperança:  O Verbo de Deus comunicou-nos a vida divina que transfigura a face da terra, fazendo novas todas as coisas (cf. Ap 21, 5). A sua Palavra envolve-nos não só como destinatários da revelação divina, mas também como seus arautos. Ele, o enviado do Pai para cumprir a sua vontade (cf. Jo 5, 36-38; 6, 38-40; 7, 16-18), atrai-nos a Si e envolve-nos na sua vida e missão. Assim o Espírito do Ressuscitado habilita a nossa vida para o anúncio eficaz da Palavra em todo o mundo. É a experiência da primeira comunidade cristã, que via difundir-se a Palavra por meio da pregação e do testemunho (cf. At 6, 7). Quero citar aqui particularmente a vida do Apóstolo Paulo, um homem arrebatado completamente pelo Senhor (cf. Fl 3, 12) – «já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20) – e pela sua missão: «Ai de mim se não evangelizar!» (1 Cor 9,16), ciente de que em Cristo se revela realmente a salvação de todas as nações, a libertação da escravidão do pecado para entrar na liberdade dos filhos de Deus” (VD 91).

 

2.2. Missionariedade na EG:  o próprio título desse magnífico documento do Papa Francisco já nos remete diretamente à missionariedade da Igreja, pois quer mostrar como anunciar com alegria o Evangelho hoje. Como acima, ai vai um trechinho como “aperitivo”: Uma “Igreja em saída”. Depois de citar alguns trechos do Antigo Testamento sobre o chamado de Deus aos profetas para “sair”, o Papa Francisco refere-se ao convite à Igreja de Jesus:   Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de “saída”, que Deus quer provocar nos crentes...Naquele «ide» de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova “saída” missionária. Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20).

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Depois de ler estes pequenos trechos acima citados como se fossem aperitivos, você e/ou seu grupo não se sentem motivados a ler todo o texto? Não lhes causaria um “santo calafrio” quando somos chamados a “sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho”? Ou o grupo prefere permanecer fechado sobre si mesmo, indiferente a um mundo que morre de fome de Deus? E – atenção! – não se trata de ser um grupo meramente assistencialista e, sim, um grupo que nos ambientes de cada um de seus participantes, unidos como numa “pequena comunidade de fé”, injeta os critérios e valores do Evangelho! Quer uma confirmação? Jesus envia seus discípulos “dois a dois” (cf Mc 7,6)!

Com meu abraço fraterno, termino desejando que “Maria, a Mãe e Estrela da Nova Evangelização” (EG 284-288) a todos fortaleça no anúncio da Boa Notícia!

Pe.José Gilberto BERALDO

Equipe Sacerdotal do GEN – MCC Brasil

 


[1] Essa é a expressão usada com frequência  pelos Atos dos Apóstolos para designar a pessoa de Jesus.

[2] Por oportuno, lembro que o Canto inicial é de ENTRADA e não de ABERTURA como tenho lido até em folhetos litúrgicos e ouvido mais ainda...pois é a entrada de uma das três solenes procissões da celebração eucarística: a da entrada, a do ofertório e a da comunhão. ABERTUR se estivesse no início um espetáculo qualquer ou um concerto musical. Além disso, nem no canto da entrada ou no decorrer da celebração, não se “presta homenagem” a nenhum santo, mesmo que seja Nossa Senhora. Essa homenagem deve ser deixada para o final da celebração que deve, sempre, estar centrada da PALAVRA e na EUCARISTIA e não neste ou naquele santo. Aliás, caso a celebração ocorra no dia da comemoração de um santo, já contam com orações apropriadas.