Estatuto Social

Carta MCC Brasil – Abril 2016 (200ª.)

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Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!” “A casa de Israel agora o diga: “Eterna é a sua misericórdia!”. A casa de Aarão agora o diga: “Eterna é a sua misericórdia!”. Os que temem ao Senhor agora o digam: “Eterna é a sua misericórdia!”

(Sl 117, 1).

Caríssimos irmãos e irmãs, leitores e leitoras destas nossas despretensiosas cartas mensais: “para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (1Cor 1,3)!

Introduzindo...

Ao iniciar esta nossa Carta, permitam-me fazer meus os votos do Apóstolo Paulo a seus irmãos e filhos de Corinto. Faço-o, sobretudo, lembrando que esta é a Carta de número 200. Portanto, especial pelo número e comemorativa pelo tempo em que estamos juntos na reflexão da Palavra do Pai e da mensagem salvífica do Filho, sempre contando com a iluminação e a força do Espírito Santo. Sem dúvida, longo foi o caminho percorrido; centenas foram os pontos de reflexão propostos, acompanhados por sugestões indicativas do caminho de volta para Jesus. À Trindade Santíssima, pois, a nossa fervorosa ação de graças e a todos vocês a gratidão pelo interesse e pela paciência no acompanhamento perseverante desta nossa missão evangelizadora. E é ainda nesse contexto que devo agradecer a delicadeza e a confiança do caro irmão no ministério, o Pe. Francisco Bianchin – nosso Pe.Xiko – atual Assessor Nacional do Movimento de Cursilhos de Cristandade, que me solicitou continuar essa caminhada iniciada há tantos anos, quando eu tinha por missão o exercício das mesmas funções. Passemos, então, às nossas reflexões para este mês. Vou deter-me em dois pontos interdependentes, cujo foco não poderia ser outro, sobretudo durante este ano, senão o da misericórdia.

1. Ano Santo da Misericórdia: Eis que, em plena celebração do Ano Santo da Misericórdia ou do Jubileu da Misericórdia, no próximo dia 03/04 – 2º. Domingo da Páscoa – celebraremos o DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA. No contexto dessa celebração e devido à extrema importância da Bula “O rosto da misericórdia” – “Misericordiae Vultus” (MV) do papa Francisco, assiste-me fundada certeza de que esse documento é sobejamente conhecido, pela maioria dos católicos incentivados e esclarecidos pelos seus pastores, bispos, sacerdotes e demais agentes de pastoral. Ainda assim, vejo como impossível falar da misericórdia de Deus sem especiais referências e, até, alguma transcrição literal desse documento do magistério.

1.1. Um Pai misericordioso: Num primeiro momento é preciso ir buscar a misericórdia no coração de Deus Pai. Logo no início do documento do Papa podemos ler: “É próprio de Deus usar de misericórdia e, nisso, se manifesta de modo especial a sua onipotência”. Essas palavras de São Tomás de Aquino mostram como a misericórdia divina não seja, de modo algum, um sinal de fraqueza, mas antes a qualidade da onipotência de Deus. É por isso que a liturgia, numa das suas coletas mais antigas, convida a rezar assim: ‘Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis… Deus permanecerá para sempre na história da humanidade como Aquele que está presente, Aquele que é próximo, providente, santo e misericordioso (MV 6).

1.2. Os Salmos da misericórdia. Ainda na MV (6) o Papa começa citando os salmos que se referem à misericórdia para, no n° 7, dar maior ênfase ao salmo 136, por excelência o salmo da misericórdia: “Eterna é a sua misericórdia”: esse é o refrão que aparece em cada versículo do Salmo 136, ao mesmo tempo em que se narra a história da revelação de Deus... O fato de repetir continuamente “eterna é a sua misericórdia”, como faz o Salmo, parece querer romper o círculo do espaço e do tempo para inserir tudo no mistério eterno do amor”. É oportuno lembrar, ainda, como faz a MV, que teria sido esse o Salmo que, com seus discípulos, Jesus teria rezado antes da Paixão: “Antes da Paixão, Jesus rezou ao Pai com este Salmo da misericórdia. Assim o atesta o evangelista Mateus quando afirma que ‘depois de cantarem os salmos’ (26,30), Jesus e os discípulos saíram para o Monte das Oliveiras... O fato de saber que o próprio Jesus rezou esse Salmo torna-o, para nós, cristãos, ainda mais importante e compromete-nos a assumir o refrão na nossa oração de louvor diária: “eterna é a sua misericórdia”(MV7). Para eventual memorização, lembro serem dez os Salmos da misericórdia: 25-41-42-43-51-57-92-103-119 e 136.

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Individualmente, habituar-se a rezar os salmos da misericórdia (talvez no lugar daquelas orações repetitivas elaboradas por outros...), quer pela manhã e à noite, quer durante todo o dia, no seu trabalho e ocupações, repetindo, como um mantra, no íntimo do coração, alguns versículos apropriados àquele momento. Também nas reuniões do MCC ou das Comunidades, habituar-se a rezar pausadamente, em comum, os mesmos salmos, cada um repetindo, em voz alta, o versículo que mais o tocou. Criemos este hábito pelo menos durante este Ano Santo da Misericórdia.

1.3. As parábolas da misericórdia. “Nas parábolas dedicadas à misericórdia, Jesus revela a natureza de Deus com o a de um Pai que nunca se dá por vencido enquanto não Jesus revela a natureza de Deus como a de um Pai que nunca se dá por vencido enquanto não tiver perdoado o erro e superado a rejeição com compaixão e misericórdia” (MV 9). Em seguida, são lembradas, em especial, as três: a da ovelha extraviada, a da moeda perdida e a do pai com seus dois filhos (cf.Lc 15, 1-32). E, é claro, não poderia faltar “outra parábola da qual tiramos uma lição para o nosso estilo de vida cristã. Interpelado pela pergunta de Pedro sobre quantas vezes era necessário perdoar, Jesus respondeu: ‘Não te digo sete vezes, mas até setenta vezes sete’ (Mt 18,22) e contou a parábola do ‘servo sem compaixão’” (MV 9). Penso que todos conhecemos não apenas o simbolismo contido nas parábolas contadas por Jesus, mas, sobretudo, já o temos aplicado em nossa vivência pessoal e na de nossas Comunidades ou Movimentos. Mas, pelo menos durante este Ano Santo, façamos uma reflexão mais profunda sobre elas. Existem textos publicados que vão ajudar-nos enormemente nessa tarefa e que, certamente, poderão abrir caminhos para nossa constante conversão.

 

2. Converter-se para a misericórdia. De nada ou de muito pouco adiantaria tudo o que aqui está escrito, ou tudo o que já lemos, ou mesmo uma leitura ou estudo da “Misericordiae Vultus”, se tudo isto não contribuísse, um pouco que seja, para levar-nos à conversão para a misericórdia.

Caminham nossas culturas e sociedade por atalhos tais que nos estão distanciando cada vez mais do projeto de Deus e de sua Palavra: indiferença, insensibilidade, individualismo, consumismo, ódio, violência, etc. Desenvolve-se, assim, uma mentalidade generalizada de comunhão com aquilo que se intitula secularismo, isto é, de que as pessoas e o mundo não mais necessitam de Deus nem, muito menos, de sua Palavra, isto é, de Jesus.

Conversão é mudança de trajetória. Conversão é abandonar os perigosos atalhos do filho pródigo e buscar, ansiosamente, o encontro com a ternura do abraço misericordioso do Pai; é voltar para o caminho de Jesus, “o rosto da misericórdia”: “(Eu sou o caminho...’); é voltar para a cruz redentora; é voltar para a ressurreição: (“Eu sou a ressurreição e a Vida”); é voltar para a Graça de Deus que, conforme tradicional afirmação teológica, é a vida eterna já aqui e agora iniciada; é voltar, enfim, para a prática da misericórdia: “sede misericordiosos como o Pai!”, vivenciando, dia a dia, sobretudo neste Ano da Misericórdia, as obras de misericórdia!

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. A MV, sobretudo nos parágrafos 17 a 19, insiste na volta ao Pai para dele receber o abraço da misericórdia, lembra aos sacerdotes confessores que devem acolher “o filho que volta, arrependido”. Será que os católicos não nos estamos esquecendo da confissão, sacramento por excelência da misericórdia? A pergunta fica para você, meu caro irmão, minha querida irmã, pois ainda ouço muito católico afirmando que “só se confessa com Deus”. Porque ficou tão esquecido ou desvalorizado esse sacramento que é um dos momentos visíveis e sensíveis da volta para o abraço do Pai?

Com meu abraço fraterno, despeço-me lembrando de Maria, a Mãe da misericórdia, com a qual o papa Francisco termina a MV: “Ao pé da cruz, Maria, juntamente com João, o discípulo do amor, é testemunha das palavras de perdão que saem dos lábios de Jesus. O perdão supremo oferecido a quem o crucificou mostra-nos até onde pode chegar a misericórdia de Deus. Maria atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém” (MV 24).

Pe. José Gilberto Beraldo

Equipe Sacerdotal GEN – MCC Brasil