Estatuto Social

Carta MCC Brasil – Nov 2016 - 207ª.

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“Quem se alimenta com a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54). “Eu sou a Ressureição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais”

(Jo 11, 25-26)

Muito queridos irmãos e irmãs, companheiros de peregrinação no anúncio missionário do Reino de Deus já agora, rumo ao abraço misericordioso do Pai na eternidade...

Introduzindo...

A história é como um rio que corre para o mar, já comparou alguém. À margem da correnteza sempre mais volumosa e desafiadora do tempo que voa, você está em dúvida: permaneço aqui, comodamente sentado, de braços cruzados, admirando as ondas do rio que corre ou, como seguidor de Jesus que sou, lanço-me à correnteza para colaborar na construção de uma história segundo o projeto e a vontade do Pai? Motivado, pois, por essa feliz comparação, nesta carta de penúltimo mês do ano, pretendo oferecer-lhes dois pontos que me parecem importantes para sua reflexão.

1º Sobre a ressurreição dos que creem em Jesus. Porque voltar à reflexão sobre o que já deveríamos vivenciar, sobretudo depois da leitura tão frequente do episódio da ressurreição de Lázaro, o amigo de Jesus? É que, na correnteza do transcorrer da vida, a liturgia logo no início deste mês, celebrando o Dia dos Finados – quem sabe tantos entes queridos nossos entre eles – lembra o inexorável destino final de todo ser humano: a morte física. Entretanto, não deveríamos perder de vista que essa comemoração, tão marcada pelos justos sentimentos de saudade e de tristeza, vem renovar em nós a esperança de quem crê em Jesus: “ainda que tenha morrido viverá”. Pois nada mais consolador e motivador na história de todo cristão do que a própria ressurreição: “Eu o ressuscitarei no último dia”! Viver com a força dessa suprema esperança não é propriamente um sonho e, sim, reavivar a cada momento o dom da fortaleza que nos é dado pelo Espírito Santo: “Eu o ressuscitarei no último dia”, afirma Jesus!

É com essa certeza que, nesse dia, rezamos pelos nossos irmãos e irmãs, parentes e amigos, pelas vítimas da incrível violência que grassa em todo o mundo nestes tempos, suplicando ao nosso Deus da vida que a todos acolha na eternidade do seu amor, no seu misericordioso abraço de Pai! Visitas às suas sepulturas, sim; flores perfumadas, sim; muitas velas acesas, sim; abraços de solidariedade, sim... mas, sobretudo, fervorosa oração de intercessão por todos os nossos falecidos, conhecidos ou desconhecidos. Com certeza, logo mais, quando o Senhor da vida assim o determinar, outros intercederão por nós, também!

Em tal contexto, “lançar-se à correnteza da história” nada mais é do que arriscar-se enfrentando os desafios cada vez mais intrigantes de uma era histórica única, pois não se trata de mudanças em determinada época e, sim, da mudança de toda uma época. Lembremos que, sobretudo nessas situações, o cristão viverá de esperança. Primeiramente a esperança de que, lendo os “sinais dos tempos”, cabe a ele a missão – como a de João Batista – de “preparar os caminhos do Senhor”.  Concretamente, através de suas palavras e do seu testemunho de vida, anunciar ao mundo que o “Reino de Deus já está próximo” (Mt 10,7; 12,28). “Reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz”[1].

 

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Com que espírito você e/ou o seu grupo têm celebrado o “dia dos defuntos”? Tudo tem-se resumido a visitar os túmulos dos falecidos? Ou, para essa oportunidade, mandar limpar o local? Ou depositar ali uma coroa de flores? Ou acender um maço de velas? Ou – o que seria extremamente negativo – tendo vivido durante a vida do falecido em constante atrito com ele, agora derramar algumas “lágrimas de crocodilo”?

 

2º Sobre o encerramento do Ano Jubilar da Misericórdia. No domingo, dia 20 deste mês de novembro, Solenidade de Cristo Rei do Universo, encerrar-se-á o Ano Santo da Misericórdia. Estou certo de que meus leitores terão tirado o máximo proveito dos benefícios espirituais garantidos pelo nosso papa Francisco, sobretudo para aqueles que tiverem praticado as obras de misericórdia corporal e espiritual. Obras de misericórdia, aliás, por ele mesmo lembradas no parágrafo 15 da Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia.

No findar desse Jubileu, talvez fosse importante um breve exame de consciência sobre como o temos vivido e que proveito dele tiramos. Mais: ainda que termine o Ano da Misericórdia não podemos esquecer que eterna é a misericórdia do coração do Pai. No parágrafo 7 da mesma Bula, lembrando o Salmo136, Francisco o encerra assim: “O fato de saber que o próprio Jesus rezou com este Salmo, torna-o, para nós, cristãos, ainda mais importante e compromete-nos a assumir o refrão na nossa oração de louvor diária: ‘eterna é a sua misericórdia’.”

Durante todo este ano, em múltiplas oportunidades, o Papa lembrou-nos da misericórdia do Pai. Transcrevo um pequeno trecho do seu pronunciamento no dia 23.10.2016, Dia mundial das Missões, mostrando à Igreja “em que consiste a misericórdia de Deus: A misericórdia gera íntima alegria no coração do Pai, sempre que encontra cada criatura humana, desde o princípio. Ele dirige-Se amorosamente mesmo às mais vulneráveis, porque sua grandeza e poder manifestam-se precisamente na capacidade de empatia com os menores, os descartados, os oprimidos (cf. Dt 4, 31; Sal 86, 15; 103, 8; 111, 4). É o Deus benigno, solícito, fiel. Aproxima-Se de quem passa necessidade para estar perto de todos, sobretudo dos pobres. Envolve-Se com ternura na realidade humana, tal como fariam um pai e uma mãe na vida dos seus filhos (cf. Jr 31, 20). É ao ventre materno que alude o termo utilizado na Bíblia hebraica para dizer misericórdia: trata-se, pois, do amor duma mãe pelos filhos; filhos que ela amará sempre, em todas as circunstâncias, suceda o que suceder, porque são fruto do seu ventre. Este é um aspeto essencial também do amor que suceda o que suceder, Deus nutre por todos os seus filhos, especialmente pelos membros do povo que gerou e deseja criar e educar: perante suas fragilidades e infidelidades, o seu íntimo comove-se e estremece de compaixão (cf. Os 11, 8). Mas Ele é misericordioso para com todos, o seu amor é para todos os povos e a sua ternura estende-se sobre todas as criaturas (cf. Sal 144, 8-9)”.

Ao término deste Ano privilegiado, e como um propósito a ser formulado com a firme vontade de levá-lo à prática, lembrando o famoso refrão, lema deste Ano, tão entusiasticamente cantado durante todo este ano – “Misericordiosos como o Pai” – não podemos deixar de reproduzir mais uma palavra do Papa ao encerrar o parágrafo 14 da MV: “Misericordiosos como o Pai é, pois, o “lema” do Ano Santo. Na misericórdia, temos a prova de como Deus ama. Ele dá tudo de Si mesmo, para sempre, gratuitamente e sem pedir nada em troca. Vem em nosso auxílio, quando O invocamos. É significativo que a oração diária da Igreja comece com estas palavras: “Deus, ‘vinde em nosso auxílio! Senhor, socorrei-nos e salvai-nos” (Sal 70/69, 2). O auxílio que invocamos é já o primeiro passo da misericórdia de Deus para conosco. Ele vem para nos salvar da condição de fraqueza em que vivemos. E a ajuda d’Ele consiste em fazer-nos sentir a sua presença e proximidade. Dia após dia, tocados pela sua compaixão, podemos também nós tornar-nos compassivos para com todos”.

 

Que Maria, Mãe da misericórdia, continue sendo também, para cada um e cada uma de nós, durante toda a nossa peregrinação terrena, aquela que nos acolhe, nos assiste e nos dá coragem e entusiasmo para sermos “Misericordiosos como o Pai”!

 

Meu abraço fraterno e amigo no amor do Senhor Jesus Cristo,
Pe. José Gilberto BERALDO
Equipe Sacerdotal do
Grupo Executivo Nacional do MCC do Brasil

 


[1] Prefácio da Missa  de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo.