Estatuto Social

Carta MCC Brasil – Março 2017 – 211ª.

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“Sendo seus colaboradores, exortamo-vos a não receberdes em vão a graça de Deus, pois ele diz: ‘No momento favorável, eu te ouvi, no dia da salvação, eu te socorri’. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação”

(2Cor 6,1-2)

Sempre muito queridos e lembrados leitores e leitoras, companheiros e irmãos de jornada pelos caminhos de Jesus rumo à Páscoa da Ressurreição: paz, coragem e fé para o coração de todos!

Sempre muito queridos e lembrados leitores e leitoras, companheiros e irmãos de jornada pelos caminhos de Jesus rumo à Páscoa da Ressurreição: paz, coragem e fé para o coração de todos!

Antes de começar a redigir esta carta mensal para o mês de março, durante alguns dias fiquei em dúvida sobre qual poderia ser o tema para nossas reflexões. Levemos em conta que os primeiros meses do ano costumam ser sempre oportunos para lançar algumas iluminações sobre algum projeto de vida à luz da Palavra de Deus e do seguimento no caminho de Jesus, tendo como pano de fundo os gestos fundamentais deste tempo: “a oração, o jejum e a esmola”. Nesse sentido, a Igreja no Brasil, convida os católicos para participar da Campanha da Fraternidade que neste ano, tem como tema: “Fraternidade: biomas brasileiros em defesa da vida” e como lema: “Cultivar e guardar a criação”.[1]

Finalmente, nesses últimos dias, decidi tratar, ainda que sumariamente, conforme permite nosso limitado espaço, sobre o riquíssimo tempo que, coincidentemente neste ano, tem início no começo de março. E não poderia ser diferente, pois iniciam-se com o período quaresmal, as celebrações centrais do mais profundo e significativo e, por isso mesmo, mistério central de nossa fé. Trata-se da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus. Assumindo a natureza humana como manifestação do amor do Pai, por amor, durante todo o tempo de sua vida “por toda a parte, ele andou fazendo o bem e curando a todos...” (At 10, 38b); por amor sofreu a paixão e a morte e, por amor, “Cristo ressuscitou dos mortos como “primícias dos que morreram” (1Cor 15,20), para a todos os seus fiéis seguidores ressuscitar para a vida eterna: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11, 25-26; cf Jo 6,39-40).

E sobre o rico período quaresmal, o nosso papa Francisco envia a todos os católicos, uma preciosa Mensagem[2]. Convido-os, pois, a nos deixarmos guiar neste itinerário por aquelas orientações pastorais. Sobre a proposta de um foco central ou pano de fundo, a Mensagem Quaresmal gira em torno de três momentos. Reflitamos, pois:

Foco central da Mensagem: é a Palavra de Deus, particularmente a relatada na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf.Lc16, 19-31). Assim se expressa Francisco lembrando a conversão no tempo quaresmal: “Deixemo-nos inspirar por essa página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, animando-nos para uma sincera conversão”. Já numa breve introdução, podemos ler que “A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa da Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus “de todo o coração” (Jl 2,12)[3] não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor”.

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Sugiro-lhe que, antes de continuar nossa reflexão, leia a parábola na íntegra, aplicando-a à sociedade e à cultura que nos envolve e condiciona até nossa mentalidade e posturas. Até que ponto uma sociedade líquida, que desconhece tantos valores humanos, uma sociedade relativista e consumista ou uma sociedade da pós-verdade que se baseia na mentira ou no “faz-de-conta” são figuras do rico sem nome (estruturas injustas e opressoras), que ignora o pobre Lázaro das periferias existenciais? As respostas poderão nos ajudar a abrir horizontes para nossa própria conversão.

1. Primeiro momento: “O outro é um dom”. Depois de algumas considerações sobre a posição do homem rico e do pobre Lázaro (que significa “Deus Ajuda”), a Mensagem afirma que “Lázaro nos ensina que o outro é um dom, um presente de Deus”, no momento em que “nos ajuda a reconhecer, com gratidão, o valor de uma justa relação com as pessoas”. “O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida”. E mais: “A Quaresma é um tempo precioso para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo... Cada vida que se cruza conosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor”. E encerrando o parágrafo: “A Palavra de Deusa ajuda-nos a abrir os olhos para colher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isso, é necessário levar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico”.

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Já lhe havia ocorrido que a parábola do homem rico e do pobre Lázaro poderia ajudá-lo na sua caminhada de conversão quaresmal alimentada pelo tripé Jejum-Esmola-Oração? Duas outras perguntas, aliás quase espontâneas: sua mentalidade, seus gestos, suas atitudes manifestam as do rico esbanjador e insensível? Você já havia pensado que o “outro”, sobretudo o mais fraco e pobre é um dom, um presente Deus e não um monturo de lixo no seu caminho?

2. Segundo momento: “O pecado nos cega”. Segue a Mensagem lembrando-nos o tríplice pecado no qual incorreu o homem rico e ao qual todos estamos sujeitos: “Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba”. O amor ao dinheiro: “A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa”... Assim, a riqueza desse homem é excessiva inclusive porque exibida habitualmente: “Fazia todos os dias esplêndidos banquetes” (v. 19). A vaidade: “Depois a parábola mostra-nos que a ganância do rico o torna vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial efêmera da existência”. A soberba: “O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba... Para o homem corrompido pelo amor das riquezas nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não entram no seu campo de visão. Assim, o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação”.

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Alertados para o tríplice pecado do homem rico, é pelo menos honesto de nossa parte e coerente como seguidores de Jesus que também nós neles podemos incorrer. Aqui, por ser oportuno e por estarmos tentando viver intensamente este tempo de jejum-esmola-oração, deixo a todos uma pergunta para reflexão: que valor você tem dado ao sacramento da Reconciliação? E, ao procurá-lo, você o faz por obrigação ou por amor ao Pai misericordioso, como pedido de perdão aos irmãos?

3. Terceiro momento: A Palavra é um dom. Nesse terceiro momento, depois de algumas considerações ainda sobre a parábola do homem rico e do pobre Lázaro e já no parágrafo final, o papa Francisco nos mostra como a Palavra é um dom: “Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De fato o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os ouçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31). Desse modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isso levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão”.

 

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Se há um “tempo favorável” para a leitura, meditação e oração da Palavra de Deus, é este tempo quaresmal. Que tempo você pretende dedicar à Palavra de Deus nesta quaresma? Seria suficiente ouvi-la apenas numa homilia (quando essa realmente trata da Palavra e não divaga por outros atalhos!) dominical ou com uma leitura superficial? Sugiro a prática efetiva da lectio divina ou leitura orante da Bíblia. Garanto-lhe que será sempre gratificante.

Conclusão da Mensagem Quaresmal: “Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no Próximo. O Senhor que nos quarenta dias passados no deserto venceu as ciladas do Tentador, indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização de um verdadeiro caminho de conversão, para descobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fieis a expressar essa renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa”.

A todos os meus queridos leitores e leitoras, desejando-lhes uma santa caminhada quaresmal coroada pela intensa luminosidade da Páscoa da Ressurreição de Jesus, com o pedido de sua oração por este servidor e amigo, deixo meu fraterno abraço!


[1]     Supondo que, através de suas Dioceses, paróquias, comunidades e movimentos eclesiais todos os bons católicos brasileiros participem ativamente da CF 2017, deixo de comentá-la nesta carta.

[2]     O texto foi publicado por L’Osservatore Romano (07-02-2017)

[3]     Jl = Profecia de Joel

Pe. José Gilberto BERALDO
Equipe Sacerdotal do GEN MCC Brasil
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