Estatuto Social

CARTA MCC BRASIL – AGO 2017 – 216ª.

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Ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa o cobriu com sua sombra. E, da nuvem, uma voz dizia: ‘Este é o meu filho amado, nele está meu pleno agrado: escutai-o!’. Ouvindo isto, os discípulos caíram com o rosto em terra e ficaram muito assustados. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: ‘Levantai-vos, não tenhais medo’. Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser Jesus”

(Mt 17, 5-8).

Caríssimos irmãos e irmãs, leitores e leitoras destas nossas despretensiosas cartas mensais: “para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (1Cor 1,3)!

Introdução. Além de ser designado o Mês das Vocações e de honrar Maria em sua gloriosa Assunção aos céus, agosto é o mês em que celebramos, com toda a Igreja, a solenidade da Transfiguração de Jesus diante de seus três discípulos prediletos. Além de renovar a esperança dos seguidores de Jesus na própria transfiguração final, é um dos acontecimentos mais significativos para a confirmação de nossa fé. Como proposta para nossa reflexão mensal, parece-me importante salientar, entre outros também importantes, os três pontos que seguem.

1. Escutar Jesus. Uma coisa é “ouvir dizer” algo sobre Jesus, sobre sua vida ou sobre sua missão. Outra coisa é escutá-Lo. Ouvir é mais ou menos superficial. Normalmente, quase tudo o que ouvimos entra por um ouvido e sai pelo outro. Escutar é deixar que a Palavra penetre profundamente no coração modelando a vida. Ouvir é deixar-se encharcar por todos os ruídos que nos cercam, até no suposto silêncio de nossa intimidade, de nosso lar, de nossa família. Pois ali também penetram, com força, os modernos meios de comunicação: rádio, televisão, imprensa e, até, o telefone celular. Escutar supõe silenciar tanto as barulhentas vozes externas como, sobretudo as, muitas vezes, estranhas vozes que se fazem ouvir no interior do coração ou da própria consciência. Escutar Jesus, portanto, é deixar que, naqueles momentos de profundo silêncio interior e, até, nos inevitáveis momentos mais ruidosos do dia a dia, Jesus nos fale. E onde nasce Sua autoridade para falar? Do Pai celestial que, declarando-o filho “de pleno agrado” – portanto, Deus como o próprio Pai – ordena que o “escutemos”. E, escutar Jesus, reconhecendo-o como Filho de Deus, é reafirmar n’Ele a nossa fé.  Aqui é oportuno lembrar que vivenciar uma fé não é o mesmo que praticar uma religião. Enquanto esta se manifesta por atos externos de culto, por tantos gestos simbólicos de oferenda ou doação ou, até pela prática de mil devoções, de infindáveis novenas a este ou àquele santo, de promessas para obter graças em todos os momentos da vida mormente quando as situações são negativas, de velas acesas ou das, frequentemente, ridículas “correntes de oração”, aquela nos conduz à razão de ser do cristianismo, isso é, a aceitar em nossa vida a pessoa de Jesus, escutá-Lo na prática e vivência do nosso dia a dia e, portanto, segui-Lo pelo caminho aberto por Ele.

2. Não viver “assustados” para poder viver “sem medo”. Daí em diante, nada mais haverá de nos assustar na caminhada; tudo contribuirá para os que O amam: “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo seus desígnios” (Rm 8,28) e nada haverá de nos afastar d’Ele: “Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada?... Mas, em tudo isso, somos mais que vencedores, graças Àquele que nos amou” (Rm 8, 35.37). Então, meus queridos leitores e eleitoras, por que deixar-se contaminar pelos muitos “medos” presentes num mundo e numa cultura hoje tão distantes de Jesus? Por que – pergunto – por que não escutar de novo, a Jesus que insiste: “Levantai-vos, não tenhais medo”?

Sugestão para uma reflexão pessoal e/ou do grupo. Devido à necessária limitação de espaço, sugiro que, individualmente ou em grupo leia-se todo o Capítulo II da Evangelii Gaudium[1], muito oportuno para o assunto que estamos propondo e que as Escolas Vivenciais utilizem o capítulo como programa de reflexão para este mês.

3. Seguir Jesus no Tabor da Transfiguração é deixar-se transfigurar por Ele. Caminhando atrás de Jesus nas planuras ou nos “calvários” da vida, nas alegrias ou nos sofrimentos físicos ou morais, o discípulo (a) também com Ele deixa-se “transfigurar” até chegar, como afirma São Paulo, à estatura de Cristo: “Assim ele capacitou os santos para a obra do ministério, para edificação do Corpo de Cristo, até chegarmos, todos juntos, à unidade da fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura do Cristo em sua plenitude” (Ef 4, 12-13).  Trata-se de uma peregrinação que dura toda a vida; de uma conversão das trevas do pecado para a luz da graça; dos atalhos que o mundo nos oferece para o caminho de Jesus e com Jesus; de uma constante superação da própria vontade para alcançar os valores e critérios do Reino de Deus; da morte para si mesmo para o “Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Com essa certeza, São Paulo radicaliza quando afirma – e com ele poderemos também afirmar – “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim. Minha vida atual na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2, 20.)

4. Transfigurado com Jesus, o (a) discípulo (a), retornando do Tabor da contemplação, torna-se, uma luz para o mundo. É muito importante não esquecer que o discípulo transfigurado não tem luz própria mas dele emana a luz de Jesus. E o mundo de hoje necessita urgentemente dessa luz intensamente irradiada pelo testemunho de vida dos seguidores da Luz: “Vós sois a luz do mundo... Assim também brilhe a vossa luz diante das pesssoas, para que vejam as vossas  boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 14.16). E, ainda, São João nos lembra: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Ser luz do mundo é, nada mais que ser e dar testemunho da Luz verdadeira num mundo e nos ambientes onde imperam as trevas da malícia, da mentira, da calúnia, do ódio ou da indiferença.

Sugestão para uma reflexão pessoal e/ou do grupo. Refletir atentamente no que é ser testemunho de Jesus, testemunho esse tão bem esclarecido pelo Papa Paulo VI no n° 21 da EN[2]: “E esta Boa Nova há de ser proclamada, antes de mais, pelo testemunho. Suponhamos um cristão ou grupo de cristãos que, no seio da comunidade humana em que vivem, manifestam a sua capacidade de compreensão e de acolhimento, a sua comunhão de vida e de destino com os demais, a sua solidariedade nos esforços de todos para tudo aquilo que é nobre e bom. Assim, eles irradiam, de modo absolutamente simples e espontâneo, a sua fé em valores que estão para além dos valores correntes, e a sua esperança em qualquer coisa que se não vê e que não se seria capaz sequer de imaginar. Por força desse testemunho sem palavras, esses cristãos fazem aflorar no coração daqueles que os vêem viver, perguntas indeclináveis: Por que é que eles são assim? Por que é que eles vivem daquela maneira? O que é — ou quem é — que os inspira? Por que é que eles estão conosco?”

Mês das Vocações. Nada mais oportuno do que, com o Papa Francisco, durante todo este mês, rezarmos  pelas Vocações: “Senhor Jesus, assim como chamaste, um dia, os primeiros discípulos para fazer deles pescadores de homens, não deixes de fazer ressoar também hoje o teu doce convite: "Vem e segue-me"! Dá aos jovens e às jovens a graça de responder prontamente à tua voz! Sustenta no seu trabalho os nossos bispos, os presbíteros, as pessoas consagradas. Dá perseverança aos nossos seminaristas e a todos os que estão realizando um ideal de vida totalmente consagrado ao teu serviço. Desperta nas nossas comunidades o compromisso missionário. Manda, Senhor, operários para a tua messe e não permitas que a humanidade se perca por falta de pastores, de missionários, de pessoas entregues à causa do Evangelho. Maria, Mãe da Igreja, modelo de toda vocação, ajuda-nos a responder "sim" ao Senhor que nos chama a colaborar com o desígnio divino de salvação. Amém”.

Deixando a todos meu carinho e meu abraço, termino invocando a Maria Assunta aos céus e Estrela da Manhã: Rogai por nós!

 


[1] Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (Sobre “A Evangelização no Mundo contemporâneo”, Paulo VI 08/12/75